Centralizador, tirano. Juvenal mergulhou o São Paulo em seu próprio egocentrismo. Um dirigente que atropelou todos os setores do clube. Mandava contratar quem mais se afeiçoava. Ordenava a dispensa dos que não gostava. Foi assim, a partir de 2008. A lista de equívocos foi grande, entre contratações de jogadores e promoção dos moleques da base.

Abaixo, as chegadas e saídas de jogadores a partir de 2008, quando Juvenal Juvêncio, efetivamente, instalou seu próprio estilo na gestão no clube. As subidas de jogadores da base não foram contabilizadas, algumas saídas também não:
- 2008. Chegaram 11 jogadores: Joílson, Adriano, Juninho, Fábio Santos, Carlos Alberto, Éder Sciola, Eder Luis, Jancarlos, André Lima, Anderson e Rodrigo.
Saíram 15 jogadores: Breno, Leandro, Diego Tardelli, Jadílson, Danilo Silva, Fernando, Souza, Carlos Alberto, Adriano, Fábio Santos, Reasco, Alex Silva, Aloísio Chulapa, Alex Bruno, Éder Sciola.
- 2009. Chegaram 15 jogadores: André, Alê, Francisco Alex, Rafinha, Wagner Diniz, Eduardo Costa, Renato Silva, Washington, Júnior Cesar, Arouca, Denis, Marlos, Jean Rolt, Nélson Saavdra, Adrián Gonzáles.
Saíram 13 jogadores: Roger, Renan, Wagner Diniz, Éder Luis, Junior, Jancarlos, Juninho, Jadílson, Anderson, Joílson, André Lima, Eduardo Costa, Jean Rolt.

- 2010. Chegaram 14 jogadores: Fernandinho, André Luis, Xandão, Marcelinho Paraíba, Carlinhos Paraíba, Léo Lima, Rodrigo Souto, Alex Silva, Cléber Santana, Cicinho, Fernandão, Samuel, Ricardo Oliveira, Ilsinho.
Saíram 14 jogadores: Borges, Hugo, André Dias, André Luís, Léo Lima, Cicinho, Roger, Andrián González, Washington, Hernanes, Jorge Wagner, Richarlyson, Nélson Saavdra, Oscar.

- 2011. Chegaram 11 jogadores: Juan, Willian José, Rivaldo, Rhodolfo, Edson Ramos, Luís Fabiano, Cícero, Denílson, Iván Piris, Marcelo Cañete João Filipe.
Saíram 13 jogadores: Ricardo Oliveira, Samuel, Renato Silva, Diogo, Fernandão, Junior Cesar, Lucas Gaúcho, Alex Silva, Edson Ramos, Bosco, Miranda, Rodrigo Souto, Fabiano Ribeiro, Ilsinho.
- 2012. Chegaram 11 jogadores: Cortez, Fabrício, Maicon, Édson Silva, Paulo Miranda, Jadson, Osvaldo, Douglas, Rafael Tolói, Paulo Assunção, Paulo Henrique Ganso.
Saíram 14 jogadores: Henrique, Carlinhos Paraíba, Juninho, Cleber Santana, Juan, Bruno Uvini, Sergio Mota, Iván Piris, Rivaldo, Dagoberto, Xandão, Marlos, Jean, Fernandinho.
- 2013. Chegaram 15 jogadores: Negueba, Aloísio, Carleto, Lúcio, Wallyson, Silvinho, Juan, Mateus Caramelo, Roni, Renan Ribeiro, Reinaldo, Clemente Rodriguez, Antônio Carlos, Welliton, Roger Carvalho.
Saíram 15 jogadores: Zé Vitor, Régis, Casemiro, Henrique Miranda, Cañete, João Filipe, Luiz Eduardo, Cortez, Rhodolfo, Roni, Lucas, Willian José, Paulo Assunção, Cícero, Wallyson.
- 2014. Chegaram 7 jogadores: Luis Ricardo, Cañete, Alvaro Pereira, Dorlán Pabón, Souza, Alexandre Pato, Hudson.
Saíram 10 jogadores: Carleto, Rafael Tolói, Lucas Farias, Negueba, Welliton, Lúcio, Aloísio, Silvinho, Jadson, Roger Carvalho.
Na contabilização acima, provavelmente alguns garotos da base não foram considerados, mas, notem: desde 2008 chegaram 84 jogadores e saíram 94. Até o final deste ano a conta irá subir. Nenhuma equipe de futebol suportaria tanta instabilidade. E observem que, a maioria desses jogadores, diga-se, de péssima qualidade, foram contratados para serem titulares.
A sequência de times ruins foi o principal motivo para o insucesso de muitos jogadores de Cotia. Jovens precisam de bom ambiente e time montado para se desenvolver.
O São Paulo entrou na onda dos clubes cheios de esquemas com empresários. Transformou-se em vitrine para jogadores sem nome, ou em baixa. Tornou-se um balcão de negócios. O fato de sair um time e meio para a chegada outro time e meio por ano significou ganhos importantes para alguns.
Existem instituições financeiras que lavam dinheiro oriundo de operações suspeitas. Existem clubes de futebol usados para alavancar imagem de jogadores desconhecidos e, assim, ganharem grife no mercado. Acontece com a seleção brasileira nos períodos de amistosos inúteis. Aconteceu no São Paulo Futebol Clube.
É a explicação convincente e plausível para entender, porque o São Paulo é o clube que pior contrata, mas o que melhor vende. A meta é o lucro, a curto prazo. Pouco importa vencer títulos. No São Paulo, futebol virou business, e só. Pensamento tipicamente limitado dos dirigentes brasileiros.

A maior força do faturamento de um clube reside no trabalho sério que leva à conquistas. Títulos valorizam a marca e os jogadores, atraem mais torcedores, aumentam a exposição na mídia, atraem patrocinadores mais fortes. São as conquistas que agigantam um clube de futebol.
No São Paulo, esqueceram a vanguarda, modernidade e inovação – essências históricas que permeavam o Morumbi. Hoje, grandes clubes estão seguindo a profissionalização, gestão séria e foco no resultado. Juvenal virou dono do clube. Mandou e desmandou. E deixou assuntos primordiais para gente sem conhecimento. Entrou na contra mão.
No SPCF – São Paulo Clube Futebol de Juvenal – o poder absoluto foi absolutamente ineficaz. No futebol, a boleirada possui várias faces. Portanto, a rigidez de uma única linha, rígida e central, nunca permitiria que desse liga. A centralização de tudo atrasou a gestão do futebol. Por isso o octogenário foi um grande diretor, mas péssimo presidente.
De quebra, a arrogância e a soberba de JJ fizeram do São Paulo o clube mais odiado do país. A exemplo de todos os cartolas que se perpetuam no poder, Juvenal virou uma caricatura, uma patética figura, motivo de riso e chacota. O dirigente que se intitula como mais vitorioso, sai como o mais derrotado após 10 anos como mandatário (1988 – 1990 e 2006 – 2014).
Wender Peixoto
https://twitter.com/PeixotoWender