Por exigência do pai, Bellini conciliou futebol com emprego de cabeleireiro

Antes de virar profissional, capitão do título mundial de 1958 teve outras carreiras. Pai acreditava que ser jogador, entre os anos 1940 e 50, era 'coisa de desocupado'

Fonte Globo Esporte
Bellini era adorado pela população de Itapira (Foto: Arquivo pessoal)
Ser jogador de futebol é desejo da maioria dos garotos com noção de como chutar uma bola hoje em dia. Não só deles: se um menino parece ter o dom do esporte, empresários brotam de todos os lugares com o intuito de administrar a carreira que ainda nem começou. A facilidade dos dias de hoje não acompanhou a vida dos futebolistas de outrora. Bellini é um claro exemplo disso.
Anos antes de ser o primeiro atleta brasileiro a erguer uma taça de Copa do Mundo, o zagueiro passou por dificuldades em Itapira, sua cidade natal. Nem tanto para comprovar o talento, mas sim para convencer o pai de que poderia sobreviver do futebol naturalmente.
Seu Ermínio, conservador como a maioria no final da década de 40, não via a carreira esportiva como uma alternativa para o filho. "Isso é coisa de desocupado", costumava dizer. Ao mesmo tempo, Bellini começava a se destacar. Entre 1946 e 48, defendeu o time de juniores da Itapirense, insuficiente para convencer a família. O pai, então, exigiu mais.
Se quisesse continuar no esporte, Bellini deveria conciliar com um "emprego de verdade". Assim, por pressão, o então jovem defensor arrumou um trabalho de cabeleireiro no Salão Azul, ponto tradicional de Itapira. Continuou com as duas carreiras também em São João da Boa Vista, quando defendeu o Sanjoanense.
O pai só acreditou mesmo no filho como jogador de futebol a partir de 1952, quando o Vasco o contratou. De lá, virou capitão da seleção brasileira, titular do São Paulo durante boa parte dos anos 60 e líder do Atlético-PR no final da carreira. Sorte do Brasil, que, mesmo com a insistência contrária de seu Ermínio, ganhou um dos maiores zagueiros da história.

Fachada do salão de cabeleireiros que Bellini trabalhou no fim dos anos 40: bico de zagueiro (Foto: Marcello Carvalho)
SIMPATIA CONQUISTOU ITAPIRENSES
Passear por Itapira é um jeito garantido de ouvir histórias de Bellini. Não do jogador de sucesso, mas sim do cotidiano do rapaz que ganhou o mundo em 1958 (e também em 62, mas como um dos reservas da zaga). Apesar dos feitos nos gramados pelo mundo, o xerife conquistou o pessoal de Itapira pelas qualidades fora das quatro linhas.
– O Bellini era um patrimônio da cidade – diz o vendedor Elcio Ferreira.

Bellini, em um retrato da família, acompanha obras em Itapira: zagueiro era muito ligado à cidade (Foto: Arquivo pessoal)
– Eu tive o privilégio de fotografá-lo algumas vezes. Era uma pessoa espetacular, amava Itapira, tratava todo mundo bem, era muito humilde. Vai ser uma perda muito grande para a cidade – afirma o fotógrafo Léo Santos.
O carinho do povo de Itapira por Bellini era recíproco. Sempre que tinha uma folga no apertado calendário do futebol brasileiro, o zagueiro partia para Itapira. Foi na cidade, ali do sobrado em que morava, que repetiu o gesto que o imortalizou, ao levantar a taça de campeão mundial acima da cabeça. Acostumou-se a passar férias também na região. Distanciou-se da cidade apenas quando ficou mais doente e precisou ser internado em São Paulo, onde morreu.
XERIFE VIROU PLACA NA ENTRADA DA CIDADE
A idolatria pelo capitão rendeu uma homenagem curiosa logo na entrada da Itapira. Ao assumir a prefeitura, Toninho Bellini, sobrinho do ex-zagueiro, queria destacar o tio de alguma forma. Arranjou uma maneira no segundo mandato, em 2011, ao incrementar a placa de boas vindas do município: "Bem vindo a Itapira, cidade em que nasceu Bellini".

Placa na entrada do Estádio Chico Vieira (Foto: Marcello Carvalho)
O gesto foi aprovado pela maioria dos habitantes, mas não durou muito. Na troca da prefeitura, José Natalino Paganini decidiu tirar a placa que homenageava Bellini, sem dar justificativas. O sobrinho não gostou da atitude.
– A gente não entendeu porque ele tirou a placa. Ele não deu muita explicação na hora – afirma Toninho, que, tempos depois, conversou com o atual prefeito.
A explicação é a mesma até hoje. Paganini diz que a administração planeja reformas no centro esportivo de Itapira. Quando tudo estiver pronto, a placa de Bellini ganhará um espaço de destaque.
– Nós retiramos a placa porque vamos começar a reforma de um centro esportivo e tem o nome dele. Eu acho que o melhor lugar para homenagens é nesse centro esportivo. Na minha opinião, a entrada da cidade não é lugar para uma homenagem como essa porque aí teríamos que homenagear também vários itapirenses ilustres e não só o Bellini – explicou Paganini.
A placa, intacta, segue guardada a sete chaves na prefeitura. Assim como Bellini, xerife de Vasco, São Paulo, Seleção Brasileira, Atlético-PR. E, mais do que tudo, de Itapira.

Entrada de Itapira tem nova placa, sem referência ao craque: prefeitura promete homenagem (Foto: Marcello Carvalho)
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