Poucas vezes (ou raramente), o Grupo I das Escolas de Samba de São Paulo despertou tanto interesse. Em 2014, a terceira divisão do Carnaval paulistano ficará sob os olhos de torcedores e, especialmente, autoridades por conta de um motivo: a violência. A Torcida Jovem do Santos e a Independente, envolvidas em mais uma tragédia no futebol, desfilarão nesta segunda-feira no Anhembi, a princípio, em um ‘pacto de paz'.
A morte do santista Márcio Barreto de Toledo, de 34 anos, horas após o clássico entre São Paulo x Santos, revoltou a Torcida Jovem do Santos. Quase que instantaneamente, a maior organizada do clube de Vila Belmiro prometeu ‘uma reação', e a primeira oportunidade surgiria justamente nesta segunda, dia no qual os dois grupos se encontrarão - a Independente desfila às 21h40 (de Brasília), enquanto a TJD somente às 1h50.
Entretanto, o motivo do encontro afastará qualquer chance de confronto. Segundo apurou o ESPN.com.br, tanto a TJS quanto a Independente firmaram, à distância um do outro, já que as reuniões ocorreram separadas, um ‘pacto de paz' para o Carnaval. Os integrantes de ambas as escolas de samba estão cientes: há uma ordem interna de veto a qualquer confronto no Anhembi.

Torcida Jovem do Santos prometeu 'reação' após morte de torcedor (Reprodução - Facebook)
A organização do desfile, a cargo da UESP (União das Escolas de Samba Paulistanas), se precaveu durante a semana. A ideia inicial era reunir as lideranças das duas torcidas para um encontro a fim de selar a paz para a festa. Contudo, ambas as partes preferiram o afastamento em virtude do acontecimento recente, ainda mais depois do desejo de ‘vingança' exposto pelos santistas.
Além da ordem interna com origem nos líderes, as torcidas assinaram um termo de responsabilidade, no qual ambas refutam qualquer chance de confusão. De acordo com o regulamento do desfile das escolas de samba, um confronto entre integrantes das duas organizadas poderia até resultar na exclusão do Carnaval, algo inimaginável para dois barracões que investiram tanto.
A logística planejada para as duas torcidas e para a Camisa 12 do Corinthians (que também desfilará) prevê escolta do Batalhão de Choque para todos os integrantes, partindo de cada uma das quadras. A volta de cada escola do sambódromo para as respectivas sedes também contará com a companhia policial, tudo para evitar uma nova tragédia, como a do domingo dia 23.
Segurança reforçada e medidas para evitar qualquer contato:
Ao todo serão 400 policiais militares atuando no dia, número grande se comparado ao dos anos anteriores e justificado pela presença das três escolas de samba/organizadas. Seguranças também estarão escalados para dentro do Anhembi a fim de evitar qualquer contato entre santistas e são-paulinos.
A UESP tomou três medidas drásticas para impedir qualquer chance de contato entre as três torcidas (contando a Camisa 12):
1) o sorteio foi direcionado para evitar que uma escola desfilasse uma após a outra (a Camisa 12 desfila 23h30)
2) cada torcida ocupará um setor diferente da arquibancada (Independente no A - concentração - e Jovem no E - dispersão; Camisa 12 no H, no meio da avenida);
3) os componentes e torcida de cada organizada serão obrigados a deixar o Sambódromo logo após o desfile de cada escola.