Se o torcedor do São Paulo não tivesse vestido branco, tomado champanhe e visto fogos de artifício, mal saberia que já está em outro ano. Seu time continua o mesmo: confuso, lento, sem perspectiva de melhora. Bom para o Bragantino, que teve a sorte de enfrentar rival tão fraco já na primeira rodada do Paulistão. Com a fórmula repetida do eterno técnico Marcelo Veiga, mas que sempre incomoda, a equipe do interior venceu por 2 a 0 sem muito trabalho.
Houve algumas novidades no Tricolor, é verdade. Uma carinha de Muricy com três zagueiros, um novo posicionamento para Wellington, a volta de Cañete. Mas, por enquanto, nada foi capaz de melhorar a tenebrosa versão 2013. Até os gritos das arquibancadas foram os mesmos. A torcida insistiu em pedir raça, que não é nem nunca foi o principal problema, e fez apelo a Juvenal Juvêncio: "Ô, ô, ô, queremos jogador!".
O Bragantino apresentou a proposta de jogo mais simples possível: fechado, compacto e veloz nos contra-ataques. Foi suficiente. Com a vantagem de 2 a 0, construída em cima das falhas defensivas do 3-5-2 e do talento de Cesinha, o time apelou de vez às saídas em velocidade, raríssimas no segundo tempo.
A fase do São Paulo é tão ruim que nem mesmo a insólita fórmula do Paulistão salva. Todos os times do Grupo A perderam até aqui, mas só os comandados de Muricy por uma desvantagem de dois gols. Ou seja, todos têm zero ponto na chave, mas o saldo de gols deixa o Tricolor na lanterna. Às 19h30, o Penapolense, único do grupo que ainda não estreou, enfrenta o Oeste fora de casa.
O São Paulo voltará a campo na quarta-feira, às 22h, contra o Mogi Mirim. Previsão de Morumbi às moscas. A notícia mais animadora para a torcida no início de semana poderá ser o anúncio da contratação do uruguaio Alvaro Pereira, da Inter de Milão. Os clubes e o jogador já chegaram a um acordo de empréstimo por um ano e meio. O jogador, que pode atuar como ala esquerdo ou meia pelo mesmo lado, faz parte da seleção de seu país.

Imagem de Rubens Chiri/saopaulofc.net
Feliz ano velho!
Nos primeiros segundos de jogo, as mudanças táticas de Muricy Ramalho para 2014 já ficaram evidentes. Denilson como terceiro zagueiro, entre Rodrigo Caio e Antônio Carlos, Reinaldo e Luis Ricardo adiantados, como alas, e Wellington num posicionamento difícil de explicar: meio volante, meio ponta direita. Um desastre.
O Bragantino foi o Bragantino de sempre. Com Marcelo Veiga, que dá a impressão de comandar a equipe há séculos, são três zagueiros, um time alto que não se importa em cometer faltas, fechadinho e veloz no contra-ataque. Foi o suficiente para ser mais perigoso do que o Tricolor, dono da posse de bola, mas sem inspiração alguma.
A dificuldade de Luis Fabiano para dominar a bola foi comovente. Numa delas, saiu até um chapéu sem querer no adversário. Ganso demorou 15 minutos para ser notado. O São Paulo viveu de bons lances de Ademilson, atacante rápido que tem enorme dificuldade para concluir, seja nas finalizações ou nas assistências.
Cesinha, bom atacante, passou facilmente por Wellington e viu o caminho se abrir à sua frente, numa falha de posicionamento da zaga são-paulina. Chutou para fora. Os donos da casa começaram a sentir que podiam vencer. Robertinho, pela direita, cruzou. Nem Rodrigo Caio e nem Luis Ricardo se anteciparam aos adversários, e Léo Jaime concluiu para o gol.
A volta de Cañete e o golaço de Cesinha
Cañete, que foi reserva da Portuguesa no Brasileiro de 2013, entrou no lugar de Denilson e Muricy mudou a formação. Do 3-4-?-2 para o 4-2-3-1. Wellington deixou de ser a interrogação do esquema tático e se tornou volante ao lado de Maicon. À frente, Cañete pela direita, Ademilson na esquerda e Ganso centralizado com Luis Fabiano no pivô.

Imagem de Rubens Chiri/saopaulofc.net
Tudo destruído por um chutaço de Cesinha. De muito longe, acertou o ângulo de Rogério Ceni, que não tinha o que fazer além de observar. Golaço.
O Bragantino se fechou totalmente, e o São Paulo criou. Luis Fabiano, primeiro de cabeça e depois com o pé direito, assustou. Pouco depois, o goleiro Rafael Defendi brilhou. Defendeu cabeçada de Ademilson, em que a bola ainda resvalou na trave, e chute do Fabuloso, que conseguiu ganhar dividida. O centroavante melhorou, justiça seja feita.
Aos 27 minutos do segundo tempo, o time da capital ostentava posse de bola de 70%. Fato brilhantemente definido pelo comentarista Walter Casagrande Jr., na TV Globo:
- Posse de bola de Barcelona e criatividade de São Paulo.
Um resumo perfeito para o restante da partida e confirmado no lance em que Ademilson tocou para Ganso, que tocou pra Cañete, que tocou pra Maicon... E ninguém chutou.
A bola continuou sendo maltratada pelos tricolores, e o Bragantino largou com vitória.