Menos bola e mais ostentação na Copinha

por Alessandro Abate

Fonte Lancenet
Tenho boas lembranças das férias de verão na minha infância, quando eu aguardava ansiosamente pelo início da temporada no futebol, e o pontapé inicial costumava demorar bem mais. Eu ficava grudado em um rádio de pilha no litoral tentando ouvir qualquer notícia sobre contratações do meu time.
Sem internet e TV a cabo, eu tinha que insistir para voltarmos da praia na hora do almoço e não perdia um programa esportivo na TV aberta, que tinha a imagem chuviscada captada pela antena com um pedaço de Bombril na ponta.
O LANCE! não existia, e para ler outro jornal eu precisava acordar o meu pai cedo com o intuito de ir até a banca antes que todos se esgotassem. Quando tinha sucesso, eu devorava o caderno de esportes.
E minha fome de futebol se acalmava quando começava a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Era o primeiro time que vestia a camisa do meu clube no ano, e era importante prestar atenção de havia alguma revelação com condições de ser aproveitada no principal.
Ontem, vendo a tabela da competição desta temporada, me bateu um saudosismo. São 104 equipes, sendo que a grande maioria dos elencos são compostos por jogadores que nem pertencem ao clube, mas escalados por empresários cada vez mais influentes com dirigentes e treinadores. Dá preguiça de ver!
Quem vê o formato atual esquece que a primeira edição do torneio, em 1969, foi criada com o intuito de confraternização para celebrar o aniversário de São Paulo, que acontece no dia 25 de janeiro. Hoje, porém, se tornou uma ferramenta política da Federação Paulista de Futebol e um balcão de negócios desordenado.
As grandes estrelas das últimas Copinhas têm pressionado ainda mais os grandes clubes a firmar contratos de altas cifras, um risco necessário que muitas vezes gera um prejuízo imenso no futuro. Como no caso do atacante Lulinha, que assinou um longo acordo com o Corinthians, de salário caro, e que nunca vingou.
Além disso, com tantos participantes, a quantidade de equipes sem a mínima condição técnica é imensa. Não sou radical a ponto de tentar elitizar a Copinha, afinal, ter times dos extremos do país, cheios de histórias curiosas e esperança, é um dos charmes da competição. Mas isso acaba banalizado com os 104 inscritos.
A profissionalização do fut brasileiro não anda em sintonia com o interesse dos torcedores, os principais consumidores do produto. Prefere atender a minoria de dirigentes, técnicos, jogadores e empresários que se lambuzam com o dinheiro, cada vez mais mal distribuído. E assim alimentamos cada vez mais a safra de jogadores mais preocupados com a ostentação do que com a bola.
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