Felipe Rau/Estadão
“Preciso de alguém em quem confie, que seja de casa, que tenha noções de futebol e conheça nosso ambiente”. Foi com essas palavras que Juvenal Juvêncio convidou Gustavo Vieira de Oliveira a assumir a gerência executiva de futebol do São Paulo, cargo remunerado criado no ápice da crise que mergulhou o São Paulo na zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
A semelhança física e o sobrenome não escondem o parentesco com Raí, um dos maiores ídolos da história do clube. Filho de outro gênio da bola – Sócrates, ícone do Corinthians –, o dirigente aos poucos vai tentando se descolar da imagem dos parentes famosos para trilhar seu próprio caminho.
Não que a proximidade com dois gigantes do futebol seja um incômodo, pelo contrário. Mas a frenética rotina de trabalho a que ele se submetido desde que assumiu o cargo, em julho, tem também como objetivo construir sua própria reputação. “Não me incomoda, eu me orgulho disso, mas quero também meu grito de liberdade. Tudo o que consegui na vida foi à margem dessa aparente facilitação”, explica.
Embora seja um novato na função, trabalhar com futebol não chega a ser novidade para Gustavo, de 36 anos. Depois de tentar carreira no esporte – jogou no Botafogo de Ribeirão Preto (uma “obrigação de família”, segundo ele mesmo), São Paulo e Portuguesa –, optou pelo Direito. Formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, especializou-se em Gestão do Esporte na Fundação Getúlio Vargas e, desde 2006, presta serviços ao São Paulo para negociar contratos com atletas.
Quem o vê caminhando no CT da Barra Funda sempre com o celular a tiracolo nem consegue imaginar todas as suas atribuições. Gustavo controla e monitora todo o departamento de futebol e suas atividades de suporte (fisiologia, fisioterapia, medicina e comissão técnica), além de acompanhar os treinos e resolver problemas internos.
“Também penso permanentemente no elenco. O dia a dia é feito de muitas soluções de problemas diários e o esforço de se planejar o futuro, o que é uma dicotomia já que o futebol te puxa para resolver o presente”, complementa.
Discrição talvez seja a palavra que melhor defina Gustavo, que chegou após a passagem de Adalberto Baptista pela diretoria de futebol. Ele precisou consertar os alicerces do departamento, abalados pela forma por vezes truculenta – segundo relatam os próprios funcionários – como o antecessor conduzia o departamento.
À base de muita conversa “olho no olho”, recolocou as coisas no lugar e agora consegue desenvolver o trabalho que espera. A forma equilibrada como lida com os problemas tem encantado Juvenal Juvêncio e gerado ciumeira em alguns colegas que passaram a se sentir preteridos por causa do novo queridinho do chefe. A imersão é tamanha que até o contato com a imprensa tem sido restrito.
É justamente o pensamento no futuro que o faz querer a manutenção no cargo seja qual for o resultado das eleições do ano que vem. Gustavo acredita que seu ciclo tenha duração entre três e cinco anos e, além de implementar a cultura do planejamento a longo prazo, tem como outros pilares fundamentais a criação de parâmetros para a avaliação e contratação de jogadores e a integração com as categorias de base em Cotia. “Acho que se conseguir isso terei construído um bom legado”.
BERÇO ESPLÊNDIDO
Crescer ao lado de dois craques nunca foi motivo de pressão para Gustavo, que revela o principal conselho que recebeu do pai. “A exigência que tinha era para estudar. Meu pai sempre preservou a família porque o futebol te oferece um mundo irreal e com os valores não tão bons”, conta Gustavo, que virou são-paulino na final do Campeonato Brasileiro de 1986.
“Tinha um amigo que torcia para o Guarani e só pra contrariá-lo passei a torcer para o São Paulo. Aí o trabalho do Raí tornou as coisas mais fáceis para mim (risos).”
A relação com o tio, por sinal, é das melhores. “Trocamos muitas ideias sobre tudo e dividimos experiências. Temos idades parecidas (Raí tem 48 anos).”
Além do convívio familiar, Gustavo tenta, na medida do possível, encontrar tempo livre para manter suas atividades. “Tenho meu futebol que não abro mão e também gosto de preservar meus fins de semana para amigos e família”, diz.
Gustavo trilha seu próprio caminho no São Paulo
Filho de Sócrates e sobrinho de Raí, advogado controla o departamento de futebol do clube
Fonte Estadão
16 de Dezembro de 2013
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