Oswaldo Jurno/Estadão - 17/08/85
Se uma palavra pode definir Careca, ídolo por onde passou e grande amigo de outro gênio da bola, Diego Armando Maradona, é irreverência. O craque nascido em Araraquara recebeu sua primeira oportunidade no Guarani de Campinas, onde mostrou seu futebol e interessou os grandes de São Paulo. Começava ali a trajetória de um craque da história do futebol brasileiro.
No primeiro e único título brasileiro do Guarani, em 1978, Careca foi peça fundamental no elenco do técnico Carlos Alberto Silva. Aos 17 anos, o atacante fez o gol do caneco, na final contra o gigante Palmeiras. Na primeira partida, Zenon havia deixado o time do interior com a vantagem, com o placar de 1 a 0. Coube então ao jovem atacante repetir o marcador no Brinco de Ouro.
O papel de destaque no Guarani rendeu convocação para o mítico grupo que, convocado por Telê Santana, disputaria a Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Quatro dias antes da estreia do Brasil, no entanto, Careca se machucou e o estiramento tirou o atacante dos gramados por três meses. Passada a decepção da Copa de 1982, Careca foi contratado pelo São Paulo. No Tricolor Paulista, atuou ao lado de Muller (parceiro de piadas e comemorações inusitadas, como a imitação de personagens de novela), Silas e Pita, um dos times mais famosos de toda a história do clube paulista. No Morumbi, foi campeão Paulista e artilheiro em 1985, melhorando a estatística em 1986: campeão brasileiro e maior goleador do campeonato.
Na primeira partida da final daquele ano, São Paulo e Guarani empataram em 1 a 1. Na decisão no Brinco de Ouro, antiga casa de Careca, o time de Campinas vencia por 3 a 2 até o atacante marcar o seu, levando a decisão para os pênaltis. No final, as duas cobranças desperdiçadas do Guarani deram o título ao São Paulo.
Careca era um jogador inteligente e forte fisicamente, que gostava de 'virar' todas para o gol sem medo de errar, mas também era capaz de deixar os companheiros na cara do gol. Tinha faro diante dos goleiros, e habilidade fora do comum para um finalizador.
Na Copa de 1986, Careca, cujo nome de batismo é Antônio de Oliveira Filho, marcou cinco gols e brilhou sob o comando de Telê Santana. Mesmo com a eliminação da seleção brasileira diante da França nos pênaltis, conquistou reconhecimento mundial ao ficar na vice-artilharia do torneio. Em maio de 1987, deixou o São Paulo para jogar ao lado de Maradona no Napoli. Lá, foi campeão da Copa da Uefa na temporada 1988/1989 e do Campeonato Italiano, em 1990. O próprio Maradona sempre disse que ele e Careca fizeram uma dupla infernal no clube italiano, como Pelé e Coutinho no Santos. Ou parecido.
No Mundial da Itália, Careca foi um dos comandantes do time de Sebastião Lazaroni. Na estreia, contra a Suécia, marcou dois gols na vitória brasileira. Nas oitavas de final, no entanto, não evitou a derrota brasileira diante da Argentina. E viu o Brasil ser eliminado.
Já caminhando para o fim de sua carreira, não foi convocado para a Copa de 1994, quando Parreira decidiu apostar num garoto também talentoso que começava a aparecer no Cruzeiro, Ronaldo. Na época, Careca defendia o Kashiwa Reysol, do Japão. Voltou ao Brasil em 1997, e no Santos, repetiu a parceria com Muller. Em 1999, encerrou sua trajetória no futebol atuando pelo São José, do Rio Grande do Sul.
SEM DEIXAR O FUTEBOL
Mesmo após encerrar sua carreira, Careca não deixou o ambiente do futebol. Foi jurado de um reality show sobre o esporte, comentarista em um canal de tv por dois anos.
Mate saudade - Careca colecionou gols e encantou a torcida durante sua trajetória
Ex-atacante defendeu Guarani, São Paulo, Napoli e Santos: pela seleção, disputou duas Copas
Fonte Estadão
3 de Dezembro de 2013
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