MAC: "São Paulo não caiu graças à oposição"

Ex-superintendente de futebol tricolor acredita que oposição teve papel fundamental na retomada do Tricolor no Brasileirão

Fonte Band Sports
Marco Aurélio Cunha faz parte da chapa de oposição a Juvenal Juvêncio no São Paulo / Fernando Santos/Folhapress
A oposição do São Paulo ganhou força no ano de 2013 principalmente enquanto o time de futebol esteve na zona de rebaixamento. Após a melhora da equipe, no entanto, política perdeu efervescência no Morumbi, traçando um bom panorama para a situação. Mesmo assim, Marco Aurélio Cunha, membro da chapa contrária a Juvenal Juvêncio, mostra otimismo para as eleições presidenciais do clube, em abril, e assume os méritos pela retomada do time no Brasileirão.
“Graças à oposição que o São Paulo não caiu. Porque, se nós não tivéssemos levantado a questão à época que o São Paulo estava em uma descendente enorme, talvez não houvesse mudanças na diretoria de futebol, talvez não houvesse mudanças com os treinadores, a volta do Muricy não teria acontecido”, comentou Marco Aurélio Cunha, vereador de São Paulo pelo PSD, em entrevista exclusiva ao Portal da Band.
De acordo com o ex-superintendente de futebol de Juvenal Juvêncio, que agora apoia a candidatura de Kalil Rocha Abdalla, a oposição não usa do momento ruim para se sobressair em relação à atual gestão, mas ganha voz em momentos de dificuldade. O vereador aproveita para criticar o desempenho do clube nos últimos anos e “esquece” a conquista do título da Copa Sul-Americana de 2012.
“Acho que a oposição não usa resultados negativos para fazer ataque”, assegurou. “O que a oposição quer é um São Paulo vencedor. Porque que ela se manifesta? Porque há quatro anos o São Paulo não ganha nada convincente.”
Marco Aurélio Cunha ainda comentou sobre a possibilidade da realização de eleições diretas no São Paulo, avaliou os erros e acertos da atual gestão e citou a importância de Juvenal Juvêncio na história do Tricolor.
Confira a entrevista exclusiva com Marco Aurélio Cunha:
A oposição se mostrou bastante atuante quando o São Paulo estava na zona de rebaixamento, mas quando o time melhorou, a situação ficou mais calma no clube. Com a queda na Sul-Americana, a efervescência política deve voltar?
Acho que a oposição não usa resultados negativos para fazer ataque. O São Paulo está caminhando, nós estamos organizando a eleição, que é em abril, e evidentemente a oposição é bem equilibrada. Não quer causar nenhum dano ao clube, não usa argumentações negativas, ela é propositiva. Então está analisando tudo nesse final de ano para no começo do ano já ter todas as suas propostas, todas as suas colocações, as reivindicações dos sócios, que são muitas, então acho que vai aquecer bastante no mês de janeiro e fevereiro.
Mas, de certa maneira, a melhora do time de futebol não foi benéfica à situação?
Não... graças à oposição que o São Paulo não caiu. Porque, se nós não tivéssemos levantado a questão à época que o São Paulo estava em uma descendente enorme, talvez não houvesse mudanças na diretoria de futebol, talvez não houvesse mudanças com os treinadores, a volta do Muricy não teria acontecido. Por tantos anos, todo mundo pediu o Muricy, e ele não vinha. E mesmo quando ele estava sem clube, quando saiu do Santos, ele não foi contratado - foi o Paulo Autuori.
Então tenho a impressão que as mudanças foram graças às reinvindicações, o posicionamento da oposição, as cobranças que houve que nunca haviam acontecido. Estava tudo sempre nas mãos, todo o poder, do presidente. Ele percebeu que havia outro tipo de participação no clube, que era preciso rever as suas posições e, com isso, certamente todo o quadro politico do São Paulo mudou. Inclusive com a volta do presidente Carlos Miguel Aidar (candidato da situação), que nunca foi cogitado anteriormente. Isso significa que realmente nós qualificamos a mudança do São Paulo. Então acho que a oposição fez o seu papel.
Quando o Muricy Ramalho deixou o clube, em 2009, uma ala da situação que era contra ele venceu a queda de braço com Juvenal. Hoje ele não tem tanta afinidade com a situação, mas você concorda que ele acaba fazendo o papel de “cabo eleitoral” de Juvenal Juvêncio ao reerguer o time?
O Muricy trabalha para o São Paulo, não trabalha para o Juvenal. Ele trabalha para tirar lá de baixo o clube que ele gosta, que ele ama também, que ele foi jogador, que ele tem vínculos, e também trabalha pelo seu próprio sucesso. Então o que ele faz é bom para o São Paulo, bom para ele, bom para os nossos atletas. Ele está cumprindo a missão profissional que lhe foi posta, está fazendo o papel dele, que é vencer. Vencendo, o São Paulo se tranquiliza. Isso é bom para todos, inclusive para a oposição. O que a oposição quer é um São Paulo vencedor. Porque que ela se manifesta? Porque há quatro anos o São Paulo não ganha nada convincente.
Existe a possibilidade de se dissolver a polaridade no clube, culminando em uma chapa única nas próximas eleições, como foi ventilado pela situação?
Nenhuma chance. Isso é talvez para tentar tirar dos opositores a sua força, que hoje existe realmente. Para quem dizia que não havia nenhuma força, hoje há uma força imensa. Isso está sendo sentido e temido pela situação. E a forma de desanimar alguns que chegam até nós é dizer sobre essa hipótese absurda de uma união da chapas. Agora, se o Carlos Miguel Aidar evidentemente quiser abdicar do seu direito, a gente o recebe com muito carinho. Mas não tem nenhuma chance de acontecer o inverso.
Qual será o teu papel no clube em caso de vitória da oposição? Será em diretoria, vice-presidência ou em um cargo remunerado, como superintendente de futebol?
O meu papel é ajudar o futebol. Profissionalmente, nenhum cargo, jamais. O presidente Kalil (Rocha Abdalla, candidato da oposição), se eleito, vai decidir sobre isso na época oportuna. A nossa chapa não tem nenhum cargo posto ainda antecipadamente. Até por respeito a todos que fazem parte dessa chapa. Então quando e se o presidente Kalil for eleito, o que eu acredito, aí sim eles farão as posições. Que eu vou ajudar o futebol, tenho certeza. Em qual missão, ainda não sei.
Você acha que foi prejudicial para o São Paulo a rivalidade com o Corinthians ter chegado ao ponto que chegou?
Não coloco o Corinthians como foco principal disso, porque não é. O grande problema é que nós não soubemos lidar com as relações institucionais. Nós conseguimos brigar com todos os órgãos esportivos, com CBF, com Fifa... na questão do Morumbi, com a Fifa, já com a CBF, em relação ao Clube dos 13. Nós não nos relacionamos com nossos clubes rivais, sempre rivais, de forma adequada. E nesse aspecto, se você fizer uma análise crítica, o São Paulo só perdeu. O São Paulo não conseguiu impor nenhuma das condições que quis e isso foi muito ruim.
O que o Kalil pretende é recuperar relações institucionais, sem ser “baba-ovo” de ninguém. Porque a soberba não leva a gente a fazer boas coisas. A submissão também não. A nossa postura é de saber o tamanho do São Paulo, o relevo que o São Paulo tem no cenário nacional, colocar isso evidentemente em prática, mas respeitando e tratando bem todos os adversários.
Como você situaria Juvenal Juvêncio na história do São Paulo?
Como um grande presidente, que foi tricampeão brasileiro, um presidente que nos deu um centro de treinamento como o de Cotia, que é exemplar, mas que talvez não tenha sabido sair. Talvez ele pudesse ter abdicado do direito de se candidatar, ele poderia ser hoje um nome sempre lembrado como possível retorno, como um nome absolutamente inesquecível para o São Paulo, que será, porém acho que houve muito desgaste nesta última gestão desnecessariamente.
Lamentavelmente o brasileiro analisa pelo último “pato”. Como o Dunga, que ganhou tudo e foi analisado por um segundo tempo contra a Holanda. Injustamente, nesse caso ele estava no seu papel. E nós entendemos que o presidente fez uma gestão muito boa até o seu segundo mandato. Depois, talvez pelo excesso de poder, por não ouvir ninguém, tenha feito um mandato sofrível, lamentável nesses últimos três anos. Mas isso não pode anular a beleza do mandato anterior.
A chapa de oposição do São Paulo pensa em caminhar para as eleições diretas, assim como outros clubes do estado?
Eu acho que deve. Acho que no futuro nós devemos ouvir mais o nosso sócio e fazer eleições diretas, ou pelo menos aumentar o numero de participantes da eleição, equilibrando o numero de vitalícios aos conselheiros eleitos.
Mas as diretas fazem parte do plano de gestão da chapa?
É cedo falar sobre isso. Uma vez que você conquiste as posições do clube, a gente pode evidentemente fazer mudanças. Especialmente mudar o calendário para que a eleição no São Paulo seja feita na última quinzena de dezembro, ou até o dia 15, para não entrar no ano letivo próximo com um planejamento da gestão anterior. Então as eleições em abril são péssimas para o São Paulo. O ideal seria que fossem no dia 15 de dezembro, por exemplo.
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