Boleiros divergem sobre benção de São Paulo a torcedores rivais

Fonte Gazeta Esportiva
A diversidade religiosa no esporte é enorme. No futebol, é comum deparar com jogadores apontando aos céus, fazendo o sinal da cruz e exibindo camisas com mensagens especiais. Os boleiros buscam na fé um apoio para superar momentos difíceis na carreira e para agradecer pelas conquistas. E, para os católicos, o time celestial está perto de ser reforçado.
São Paulo, apóstolo e ícone da história cristã, deve ser nomeado padroeiro de todos os esportistas no início de 2014 pelo Papa Francisco. A campanha, iniciada por devotos do santo na Itália, será levada ao Vaticano por representantes do Panathlon Internacional e da Família Paulina, que comemora centenário no próximo ano.
Embora já batize e abençoe o São Paulo Futebol Clube, o santo terá a ‘missão’ de dar proteção aos atletas que atuem e torçam por todas as equipes do planeta, incluindo os rivais tricolores na capital paulista. Para Milton Cruz, coordenador técnico do time do Morumbi, a benção deve ser bem recebida até mesmo pelos adversários.
“É bem possível que os são-paulinos se aproximem mais como devotos, mas não penso que possa afastar os rivais. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Os outros clubes têm os próprios padroeiros, como o Flamengo tem São Judas e o Corinthians tem São Jorge. É mais um santo para abençoar e proteger os atletas”, ressaltou Milton, que costuma montar o altar nos vestiários do Tricolor antes das partidas.
Provando a teoria do coordenador técnico são-paulino, um dos maiores ídolos da história do Corinthians se mostrou favorável à nomeação do santo como padroeiro. O Pé de Anjo Basílio, devoto de Nossa Senhora Aparecida e Frei Galvão, só espera que aqueles que não concordarem com a novidade sejam tolerantes com os fiéis a São Paulo.
“É uma novidade bonita, e eu aprovo por ter nascido na capital. O torcedor vai saber separar, já que é algo que valoriza a cidade. Só prefiro não entrar nessa polêmica, pois na minha geração todo mundo (rivais) sentava junto e não tinha tanta discriminação e violência como hoje”, lamentou o responsável por milhões de orações de agradecimentos dos corintianos ao encerrar tabu de quase 23 anos sem títulos com o gol que garantiu a conquista do Campeonato Paulista de 1977.
O temor do herói alvinegro é compartilhado por Wendel, lateral direito e católico fervoroso do Palmeiras: “Não sou devoto do santo, falo mais com Deus mesmo nas minhas orações. E prefiro assim por ele ter o nome do São Paulo e por eu ser palmeirense, a torcida pode entender errado. Mas respeito bastante a história do apóstolo. Torcedor fanático do Palmeiras com certeza não vai adotá-lo como devoto, vai levar isso para o lado pessoal”. Para afastar ainda mais o padroeiro dos alviverdes, o Palestra Itália já conta com São Marcos como seu próprio santo.
Palmeirense, diácono da capela do Parque São Jorge e favorável à causa paulina, Darvin Puerta sabe que a rejeição dos rivais já acontece e pode piorar. “Quando tem oração na capela existe gente que nem fala o nome do santo nas passagens da Bíblia. É claro que terá gente que vai reclamar, mas acho que não atrapalhará”, relatou.
Enquanto torcedores e boleiros católicos franzem a testa para formar opinião sobre a benção que receberão de um santo rival, Biro-Biro foi direto. Se dependesse do desejo do volante da Democracia Corintiana na década de 1980, nenhuma referência, próxima ou direta, de qualquer adversário passaria perto da fé alvinegra.
“Não sei não essa coisa de São Paulo padroeiro. O Corinthians deveria ser só o Corinthians. É claro que alguns vão ficar chateados, vão fazer comentários contra isso. Vai ficar tudo bem, não vai ter confusão, mas o Corinthians é Corinthians”, sentenciou.

Palmeirenses costumavam exibir toda a fé católica nos vestiários do Parque Antártica, hoje em reformas
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