Piazón mantém contrato com os Blues até meados de 2017, mas sem espaço em Stamford Brdige tem sido emprestado desde a temporada passada. Na Espanha não foi bem, tendo jogado pouco e rendido abaixo do esperado. Já os poucos meses de Holanda foram bem produtivos para o brasileiro, que já marcou cinco gols e deu quatro assistências em 11 partidas na Eredivisie.
Após 13 rodadas, o Vitesse lidera o Campeonato Holandês com 24 pontos, seguido de perto por AZ (23), Ajax (23), Groningen (22), Twente (21) e Feyenoord (21). Você já havia disputado uma competição tão equilibrada?
Ainda não, primeira vez! Inclusive está todo mundo comentando aqui na Holanda, a imprensa também, que o campeonato neste ano está muito estranho, com todos os times bem equilibrados. Está sendo legal, os jogos estão bem competitivos e estou gostando de jogar em um campeonato assim.
E esse equilíbrio tem jogado o nívem da competição pra cima ou para baixo?
Acho que o nível está bom, os jogos aqui são legais de assistir. Se você parar e acompanhar um jogo do Campeonato Holandês é gostoso, são jogos com muitas oportunidades de gol, todos os times buscam jogar ofensivamente... Os jogos estão bons, estou gostando.
Essa cultura ofensiva da Holanda é notória e vem desde, pelo menos, a década de 1970. Você fez a base no Brasil, passou pela Inglaterra e teve uma temporada na Espanha. O que é diferente, considerando essa cultura ofensiva, em relação a tudo que você já conheceu no futebol?
Aqui, desde os jogadores da defesa, são todos técnicos, que são inteligentes, maior noção de controle de bola, de passe. Dificilmente você vai ver um time aqui jogando só no chutão, bola longa para o centrovante. Mesmo os goleiros têm muita noção com a bola nos pés, sabem jogar. Isso faz com que o time seja muito técnico, é um campeonato muito técnico. E isso ajuda muito a gente, porque a bola chega com mais qualidade para poder criar as jogadas e finalizar. É um ponto muito positivo do campeonato.
Para o brasileiro, então, a adaptação é bem tranquila, certo?
Super tranquila! Claro que minha escola é brasileiro, mas eu fiquei um ano e meio no Chelsea, na base durante seis meses... Então pra mim foi super tranquilo, tem muitos sul-americanos também, adaptar aqui é bem fácil. A comissão técnica fala inglês no dia a dia, então não tem problema.
Quem conversou com você no Chelsea e informou sobre o empréstimo?
José Mourinho mesmo. No primeiro dia depois das férias houve uma reunião e ele já falou que nós iríamos para a pré-temporada com a primeira equipe, eu e mais quatro jovens, e depois disso voltariam os cinco jogadores que estavam na Copa das Confederações e nós seríamos emprestados.
Surpreende a liderança do Vitesse após 13 rodadas?
Não, na temporada passada o time já estava lutando pelo título, terminou em quarto, ficou algumas rodadas na liderança. Eu não joguei os dois primeiros jogos e depois que comecei a jogar nosso time estava sempre perto dos líderes. Há duas rodadas podíamos liderar, fizemos dois gols no Groningen, mas tomamos o empate e ficamos em quinto. Na rodada passada ganhamos fora de casa do Ajax e agora batemos em casa o Utrecht e assumimos a liderança. Então não acho que seja uma surpresa, nosso time é bom, tomara que a gente continue nesse ritmo.
Na temporada passada o marfinense Wilfried Bony, negociado com o Swansea, foi o artilheiro do time. Quando você chegou houve alguma comparação com ele?
Quando eu cheguei não, mas há duas rodadas, depois do jogo contra o Ajax, um comentarista fez essa comparação, mas ele joga como centroavante, eu sou mais atacante. Ele só comparou mesmo porque o Bony estava marcando muitos gols e eu tive três jogos em que marquei cinco gols e fizeram essa comparação.
Você defendeu a Seleção Brasileira no sub-15, sub-16 e sub-17 e agora aos 19 anos está com idade para a sub-20. Você acha que a CBF acompanha pouco para os jovens talentos que saem cedo do Brasil, vide exemplos da Espanha com Diego Costa e Léo Baptistão?
Acho que não, até no último Sul-Americano sub-20 havia muitos jogadores daqui convocados, mas desde minha saída para o Chelsea nunca mais fui convocado. Meu último torneio foi o Mundial sub-17 e depois disso fui para a Inglaterra. Claro que a visibilidade aqui é menor, mais difícil pra gente, mas perto do que era antes hoje em dia eles acompanham mais.

É curioso que, no profissional, muitas vezes o jogador precisa ir para uma grande liga europeia para ser lembrado na Seleção Brasileira, mas parece que na base é o contrário, tem que ficar no Brasil.
É verdade, mas é normal, na base eles procuram... Também pela praticidade, ter que sair daqui, ir para o Brasil jogar um campeonato... Eu entendo, é complicado.
Você começou no Coritiba e na base passou ainda por Atlético Paranaense e São Paulo. Qual é a sua opinião sobre as acusações de outros clubes de que o São Paulo alicia jogadores de rivais para contratá-los?
Eu li algumas matérias sobre isso... No meu caso eu era do Atlético e o São Paulo me viu jogando um campeonato em Londrina e me fez uma proposta. Mas eu não tinha contrato, tinha apenas 14 anos na época, então era muito jovem. Acho que isso acontece em todo lugar. Por exemplo, quando eu estava no Coritiba o Atlético procurou minha família para que eu mudasse, depois disso o São Paulo me procurou, acho que isso acontece mesmo se você criar uma lei, algo para mudar. Os clubes europeus sempre vão procurar os jogadores brasileiros que atuam nos grandes clubes, os grandes clubes brasileiros vão procurar nos clubes que, assim, não sejam grandes. Tem muito jogador de qualidade no Brasil. Acho que isso nunca vai mudar, os clubes grandes vão querer sempre os melhores para eles.