A renda anual total dessa parcela da população atinge R$ 1,7 trilhão de reais, equivalentes hoje a € 553 bilhões, valor mais do que respeitável como número absoluto, mas muito pequeno quando transformado em renda média, situação que fica ainda pior quando observamos a distribuição desse bolo entre os diferentes segmentos da sociedade. De qualquer forma, o número absoluto é mesmo respeitável.
Na Espanha, o futebol responde por 1,2% do PIB, sendo que Barcelona e Real Madrid juntos são responsáveis por mais da metade dessa participação. No Brasil, o futebol responde por somente 0,2% do PIB, o que tem a ver com o tamanho do PIB brasileiro – US$ 2,4 trilhões contra US$ 1,4 trilhão – e, mais ainda, pela receita ainda baixa de nossos clubes quando comparados aos europeus. A única receita “primeiro mundo” de nossos clubes é a que vem dos contratos de cessão de direitos de transmissão.
Segundo estudos da Pluri, os 30 maiores clubes brasileiros têm uma receita mensal média de R$ 90 milhões e de R$ 1,1 bilhão anual, fornecida diretamente por seus torcedores: ingressos, mensalidades de ST, royalties sobre produtos licenciados e até mesmo a participação no PPV. Esse valor corresponde a apenas 0,06% da renda total dos torcedores, deixando uma enorme margem para o crescimento das receitas dos clubes.
Voltamos ao batidão de sempre: sim, há muito espaço para o crescimento das receitas, mas isso vai exigir trabalho e inteligência. Algo como, digamos, 99% de transpiração e 1% de inspiração. O problema está na necessidade de transpirar, que significa, entre outras, sair da zona de conforto, arregaçar as mangas e fazer mudanças. Difícil.
Vamos aos números:

Flamengo ultrapassa Corinthians
As 12 maiores torcidas têm um rendimento mensal total de R$ 124,2 bilhões, equivalente a 87% da massa total de receita dos torcedores.
Uma novidade e muito interessante: a receita total dos torcedores do Flamengo ultrapassou a dos torcedores do Corinthians. A razão para isso é o maior crescimento econômico nos estados menos ricos, alterando o quadro de 2012. Apesar da diferença de 4 milhões de torcedores entre um time e outro, de acordo com a pesquisa Pluri 2012 (base do trabalho), e mesmo com a estratificação sócio-econômica muito parecida entre as duas torcidas, a maior concentração de corintianos em estados com maior renda média fez com que o Corinthians ficasse na ponta no estudo de 2012. Uma relativa estagnação ou crescimento reduzido nos estados mais ricos, teve como contrapartida um maior crescimento econômico nos estados mais pobres, em geral com forte presença rubro-negra no quadro de torcidas, conduzindo o Flamengo à liderança, com uma receita mensal de seus torcedores estimada em R$ 26,3 bilhões contra R$ 25,9 dos torcedores do Corinthians.
Na sequência, São Paulo com R$ R$ 16,5 bilhões, Palmeiras com R$ 12,1 bilhões e Vasco da Gama com R$ 7,9 bilhões fecham o grupo das cinco maiores torcidas, com uma participação de 62% do total.

Por estados, os torcedores dos times paulistas possuem uma renda mensal de R$ 60,8 bilhões, seguidos pelos cariocas com R$ 40,2 e gaúchos com R$ 13,9 bilhões.
Avaí e Figueirense, com forte concentração em Florianópolis, têm os maiores rendimentos médios por torcedor: R$ 1.097,00, com o torcedor do Santos em seguida: R$ 1.073,00.