Após vencer guerra contra o tráfico, problema na Colômbia é violência no futebol

Nos últimos dois meses, quatro torcedores foram mortos na cidade de Medellín, palco do jogo do São Paulo desta quarta-feira, contra o Atlético Nacional, pela Sul-Americana

Fonte Lancenet
Atanásio Girardot será o palco do jogo do São Paulo (Foto: Marcio Santos)
Há alguns anos, a cidade de Medellín deixou de ser sinônimo de tensão e insegurança, sobretudo após uma forte guerra contra o narcotráfico, mas recentemente voltou a ser assombrada por sintomas de violência. No caso, de conflitos entre torcedores, problema bem íntimo dos brasileiros.
Só nos últimos dois meses foram mortos quatro torcedores na cidade, sendo três identificados como simpatizantes do Atlético Nacional. O caso mais recente aconteceu no último dia 28, quando o adversário do São Paulo desta quarta-feira perdeu para o Boyacá Chicó por 1 a 0, pelo Campeonato Colombiano, também no Atanásio Girardot.
De acordo com informações da imprensa local, o conflito ocorreu nos arredores do estádio, quando torcedores do Independiente de Medellín emboscaram um grupo do Atlético. As duas equipes ostentam a maior rivalidade da cidade e uma das maiores da Colômbia. Duas pessoas também ficaram feridas.
O problema da violência atinge em esfera nacional a Colômbia. Em 21 de setembro, quatro torcedores do Millonarios mataram, na capital Bogotá, um homem que tentava defender o seu filho de ameaças por estar usando a camisa do rival Santa Fé.
Dois dias depois, foram mortos dois torcedores do Nacional e, no último dia 14 de outubro, morreu outro torcedor do mesmo clube. O motivo seria uma vingança pela morte de um fã do Millonarios, há dois anos.
– A rivalidade entre torcedores colombianos existe, mas não há notícias de ataques a torcedores que vêm de países do exterior – diz Jose Martinez, jornalista da Rádio RCN.
O São Paulo chegou a Medellín na madrugada de terça-feira com tranquilidade e está hospedado em dois hotéis no centro da cidade. A equipe retorna ao Brasil horas depois do confronto, em voo fretado, com previsão de chegada em São Paulo por volta do meio dia de quinta-feira.
Academia LANCE! - Maurício Murad, sociólogo e mestre da Universo
A princípio, eu acredito que deve ser um jogo tranquilo. Eu estive estudando a violência no futebol colombiano e sei que é algo muito específico.
Algumas das torcidas têm ligação clara com o narcotráfico e membros se escondem para que atividades ilícitas sejam feitas. Quando há um conflito, as proporções são muito grandes, porque tais grupos são bem armados e têm articulação enorme dentro e fora do país. Como a paixão pelo futebol é grande, esses grupos se mascaram nessas torcidas.
Lá eles costumam fazer bastante pressão e como existe esse ambiente, por muitas vezes, os clubes de fora do país se intimidam. Mas, normalmente, essa intimidação não tem consequência maior. É a sensação de insegurança que gera isso nessas equipes. Se o São Paulo tiver imbuído de que a ameaça não vai além disso, jogará com mais tranquilidade.
Nos últimos anos, tem havido uma evolução de políticas públicas, mas ainda é insuficiente. Deveria haver um apoio internacional, pois as questões vão além das fronteiras.
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