O São Paulo, diante da torcida do Vasco, venceu com certa tranquilidade.
Neutralizou o sistema ofensivo vascaíno na maior parte do confronto e aproveitou dois erros defensivos do rival para fazer 2×0.
Apenas no começo do segundo tempo os comandados de Dorival Jr conseguiram transformar a ansiedade em chances claras de gol.
No restante do jogo, falharam em aspectos fundamentais como saída de bola da defesa, marcação da jogada aérea, criação e participação do goleiro.
Os volantes da equipe foram muito mal, em especial o Abuda.
O time de Muricy, armado no 4-2-3-1, tal qual as características dos melhores atletas do elenco praticamente exigem, não foi brilhante, todavia mostrou mais personalidade, melhor posicionamento e menos nervosismo que nas partidas anteriores.
Se a atuação de Luis Fabiano fosse medíocre ao invés de péssima, o bom desempenho do meio-campo na etapa inicial e o espaço que o adversário São Januário.
Abuda e Filipe Souto, Diogo Silva, Willie e Luis Fabiano compõem a lista dos piores em campo.
Os três pontos podem gerar importante impacto emocional nos times.
O elenco do São Paulo talvez recupere boa parte da confiança e mostre o futebol de quem conta com grupo de jogadores que poderia, se não tivesse enfrentado tantas crises, brigar por posições na parte de cima da tabela de classificação.
E o do Vasco, com alguns jovens promissores, veteranos medianos e o bom Juninho mesmo em fim de carreira, vai precisar lidar com o assustador adversário apelidado de fantasma do rebaixamento.
Como a nação cruz-maltina está traumatizada pelo fato de a equipe ter caído há menos de 5 anos, o clima nas partidas dentro de São Januário, um tropeço, quarta-feira, contra o Vitória, vai multiplicar muito a tensão dos boleiros.
Logo após o gol de Antonio Carlos as vaias e a irritação do público foi nítida para quem prestou atenção nas arquibancadas de São Januário.
Detalhe: o Vitória também corre risco de cair e tem Ney Franco, ex-treinador do São Paulo, no comando faz duas rodadas (será três após o término desta)
Tática
Os técnicos posicionaram suas equipe no 4-2-3-1.
Dorival escalou Willie na direita, Juninho centralizado e Marlone na esquerda à frente dos volantes Filipe Souto e Abuda.
Os atletas pelos lados da linha de três foram encarregados da articulação das jogadas ofensivas, assim como Juninho, além de avançarem, de acordo com as circunstâncias do jogo, para o ataque, onde André foi o jogador de área.
Os laterais Fagner e Yotún podiam apoiar de maneira alternada e com cuidado.
O brasileiro menos, pois se preocupou com Osvaldo, jogador de velocidade na linha de três do 4-2-3-1 do São Paulo.
O peruano teve que lidar com Jadson, que tem o passe, não o drible e a velocidade, como principal virtude.
Ganso ficou no centro do da linha de três.

Assim como seus adversários, os laterais Paulo Miranda e Reinaldo avançaram, um de cada vez, quando possível.
Rodrigo Caio e Maicon apoiaram muito mais que os volantes do rival.
A participação dos volantes de ambas aas agremiações definiram a vantagem do São Paulo no primeiro tempo
Volantes fazem a diferença
Gosto do futebol do Marlone. Ele e Juninho são os mais perigosos do sistema ofensivo cruz-maltino.
Talvez isso, mais a preocupação de Fagner com Osvaldo e a fraquíssima atuação de Willie expliquem o porquê de o time ter insistido muito nos ataques pela esquerda.
Naquele setor, Paulo Miranda, Rodrigo Caio e Jadson, merecedor de elogios pela dedicação na parte defensiva, deram poucos espaços.
Restaram os lançamentos longos, pelo alto, para André perdido no meio de Antonio Carlos e Toloi.
O São Paulo tentou trabalhar mais com a bola no chão. Encontrou espaço para trocar passes porque o meio-campo do Vasco não se entendeu.
Filipe Souto e Abuda, por exemplo, erraram passes curtos na saída de bola e cometeram algumas falhas na proteção aos zagueiros e laterais.
Se Osvaldo conseguisse levar a melhor nos lances individuais e Luis Fabiano, de longe o pior do time, fizesse qualquer coisa produtiva, a equipe teria entrado na área para finalizar.
Como isso não aconteceu, restaram os cruzamentos como opção.
Num deles, Jadson cobrou o escanteio, Rodrigo Caio aproveitou a falha de Abuda, subiu livre, e balançou a rede.
Ou seja, além de os volantes são-paulinos trabalharem melhor na saída de jogo, criação e marcação, numa disputa entre dois atletas da posição o São Paulo saiu em vantagem.
Dorival ousa
Dorival Jr identificou os problemas do time e trocou dois atletas para o segundo tempo.
Abuda, pior em campo, e Willie saíram; Dakson, meia, e Reginaldo, atacante, entraram.
Muricy também mexeu. Welliton substituiu Osvaldo.
O Vasco passou a ter outro meia e um volante a menos, apesar de Juninho recuar e passar a jogar mais perto de Filipe Souto.
Dorival queria aumentar a quantidade de atletas do meio para frente e melhorar a qualidade do passe na saída de bola da defesa.
No São Paulo, o posicionamento e as funções dos jogadores continuaram exatamente iguais.
No começo da etapa complementar, os vascaínos pressionaram e tiveram a chance de empatar no cabeceio de Dakson.
Aos 15, Dorival foi para o tudo ou nada. Tirou Filipe Souto e botou o centroavante Tenório.
A equipe ficou com Juninho como principal volante de marcação, Reginaldo, Dakson e Marlone na meia, André pelos lados do ataque e Tenório como centroavante.
Ataque x contragolpe
A proposta extremamente ofensiva do Vasco e a vantagem do São Paulo transformaram o jogo no duelo do ataque cruz-maltino contra o sistema defensivo e contragolpe dos visitantes.
Os vascaínos ficaram no entorno da grande área arriscando cruzamentos e chutes de longa distância.
O São Paulo perdeu chances no contra-ataque por causa da péssima atuação de Luis Fabiano.
Após a maior delas, quando recebeu a bola cara-a-cara com Diogo Silva, errou o domínio de bola muito simples de ser feito, Muricy visivelmente irritado, e aconteceu o escanteio.
Jadson cruzou, o goleiro do Vasco saiu de maneira bisonha, e Antonio Carlos tocou a bola para dentro do gol.
A torcida em São Januário começou a vaiar depois do 2×0 e a os vascaínos ficaram ainda mais ansiosos dentro de campo.
Um minuto
Aos 34, Luis Fabiano saiu e Aloísio entrou.
O reserva, sem dúvida bem menos capaz que o companheiro, precisou pegar uma vez na bola para fazer mais que o titular nos 79 minutos que permaneceu no jogo.
Quase fez o gol após driblar o adversário.
Depois, o Vasco insistiu nos cruzamentos, mas perdeu as disputas na jogadas aéreas, e nos chutes de fora da área, quase todos sem direção.
O São Paulo, satisfeito com o resultado, contra-atacou pouco, sem grande ambição e competência.
Fabrício, quase no final, substituiu o cansado Jadson para marcar na direita.
Justo
Não houve interferência da arbitragem no resultado.
Venceu quem errou menos.
Placar justo.
Ficha do jogo
Vasco – Diogo Silva; Fagner, Jomar, Cris e Yotún; Abuda (Dakson) e Filipe Souto (Tenorio); Willie (Reginaldo), Juninho e Marlone; André
Técnico: Dorival Júnior
São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rafael Toloi, Antônio Carlos e Reinaldo; Rodrigo Caio e Maicon; Jadson (Fabrício, 45?/2ºT), Ganso e Osvaldo (Welliton); Luis Fabiano (Aloísio)
Técnico: Muricy Ramalho.
Local: São Januário (RJ)
Árbitro – Heber Roberto Lopes (SC)
Baideirinhas – Carlos Berkenbrock (SC) e Marco Antônio de Melo Moreira (GO)
Renda – R$ 197.710,00
Público – 7.815 pagantes
Cartões amarelos: Cris (Vasco); Rafael Toloi (São Paulo)

Imagens de Rubens Chiri/saopaulofc.net