Um gol faz muita diferença. Responsável pelo lance que garantiu a vitória do São Paulo sobre a Ponte Preta, na quinta-feira, Luís Fabiano foi aplaudido pela torcida. Recebeu prêmio de “melhor da rodada”. Sentiu-se aliviado. Mas o resultado não conseguiu tirar o Tricolor da zona de rebaixamento.“A gente espera livrar o time dessa situação difícil. Mas já tinha uma coisa na cabeça. Se não acontecesse (a recuperação) e caísse (para a Série B), eu cumpriria o meu contrato”, garantiu o Fabuloso, em entrevista concedida à Rádio Globo.
O acordo dele com o clube termina apenas em 2015, mas não faltaram especulações de que poderia sair. Frustrado, o artilheiro se queixou várias vezes do comportamento da torcida. Mas nada que uma vitória em momento importante não mude. “Quando você faz gol, recebe apoio. Futebol é assim mesmo, a gente já está acostumado”, completou.
Por que não?/ Como ele mesmo fez questão de frisar, a situação é complicada, mas por que não sonhar? Faz questão de citar que, se o Tricolor subir de produção e encontrar o futebol que a torcida espera, é possível sonhar com a Libertadores em 2014. Não via Campeonato Brasileiro, evidentemente.“Nós temos a Copa Sul-Americana pela frente. Quem sabe não podemos estar na Libertadores? Podemos conquistar essa vaga”, disse o centroavante.
Para isso, o Tricolor teria de vencer o torneio continental, do qual é o atual campeão. Desejo distante para quem, até bem pouco tempo atrás, morria de medo de ser rebaixado para a Série B. Receio que ainda não foi completamente esquecido.
Depois de quinta-feira, a esperança começou a aparecer. Tudo por causa da volta de Muricy Ramalho, que acabou sendo visto pelo público presente ao Morumbi como uma espécie de salvador. “É muito bom ter, no comando, alguém que cobra de verdade”, analisou o Fabuloso, acreditando que isso era o necessário para o elenco.
Luís Fabiano apenas não quer que a frase seja vista como uma crítica a Paulo Autuori, antecessor de Muricy no cargo. Fez questão de elogiar o treinador demitido na semana passada — foi mandado embora porque bateu desespero na diretoria.“Eu só tenho a agradecer. Ele me mostrou algumas coisas importantes e me deixou em boas condições. Minha situação física, antes, não era boa”, reconheceu o camisa 9.
O Fabuloso, então, está pronto para ser o responsável pelos gols que vão impulsionar o Tricolor. E sem Série B.

Opinião
Renan Cacioli, editor assistente de Esportes do DIÁRIO
Na verdade, ele não tem opção
O Luís Fabiano já andou queimando o filme por se ausentar nos momentos mais decisivos do São Paulo, quase sempre devido a problemas disciplinares. Foi assim na Sul-Americana do ano passado, quando deixou o rojão estourar no colo do jovem Lucas — que deu conta do recado, por sinal. Rotina já conhecida desde a sua passagem anterior pelo Morumbi.
No passado, aliás, foi chamado de “Luís Pipoqueiro” por torcedores — tudo bem que naquele jogo, em 2004, acabou sobrando até para Rogério Ceni, chamado de “pior goleiro do Brasil”, tamanha era a fúria dos são-paulinos.
Imagina se, em caso de queda, ele resolve pegar as coisas dele e ir embora. Na verdade, ele não tem essa opção. Ou que aguente a chuva de pipocas ao sair...