Ele foi ídolo do maior jogador de todos os tempos, Pelé. Nasceu em São Gonçalo (RJ), em 14 de setembro de 1921.
Foi pelo São Paulo que Zizinho enfrentou, sem saber, Pelé. O craque de 17 anos viu seu grande ídolo naquele ano de 1957 em uma goleada de 6x2 do Tricolor sobre o Peixe. Naquele jogo histórico, acontecia a troca de majestade no futebol brasileiro. Zizinho saia da seleção, como melhor brasileiro dos anos 40 e 50, e entrava Pelé, melhor dos anos 60 e 70.
Zizinho foi um dos maiores jogadores da história do futebol mundial, o 4º Maior Jogador Brasileiro do Século XX pela IFFHS: 1999. Iniciou na base do Byron de Niterói. Após ser revelado, foi para o Flamengo onde atuou de 1939 a 1950. Foi considerado o maior jogador da história do clube carioca, onde marcou 146 gols em 329 jogos, antes de Zico.
Revista Esporte Ilustrado: Zizinho no Flamengo.
Tomás Soares da Silva foi o melhor jogador da Copa de Mundo de 1950. Após a copa perdida para o Uruguai, atuou pelo Bangu até 1957. Foi o maior jogador da história do clube carioca, marcando 122 gols.

Crédito: revista Esporte Ilustrado Nº 948. Zizinho no Bangu.
Pela seleção brasileira, atuou 54 vezes, marcando 30 gols. Foi a grande estrela de sua época, mundialmente. Foi considerado o primeiro meia de ofício que a seleção canarinha teve. Ao lado do argentino Norberto, é o maior artilheiro da história da Copa América com 17 gols. Zizinho ainda retornaria ao Bangu como técnico e jogador em 1961.

Zizinho, camisa 8 da seleção brasileira, na vitória de 2x0 contra a Iugoslávia na copa de 1950.
Foi contratado pelo São Paulo em 1957, aos 35 anos. Estreou no dia 08 de Novembro de 1957. Liderou o time na conquista do Campeonato Paulista. No dia 29 de dezembro de 1957, o São Paulo enfrentou o arquirrival Corinthians no estádio do Pacaembu, na decisão do Campeonato Paulista daquele ano. A equipe era comandada pelo técnico húngaro Bela Gutman. Quem vencesse aquela partida conquistaria o título estadual, que ficou marcado pela estreia de Pelé na competição.

Zizinho se aquecendo no Pacaembú, sendo admirado.
Zizinho com o nosso técnico húngaro Bela Gutman.
O São Paulo venceu o SCCP por 3x1, mas não pode dar volta olímpica no Pacaembú devido a violência dos beija-flores que arremessaram diversas garrafas ao campo, revoltados com a derrota. A escalação do campeão do qual Zizinho comandou com maestria:
Poy, De Sordi, Mauro, Sarará, Vitor, Riberto, Maurinho, Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro.
Imagem: gazetapress
No tricolor, foi um maestro em campo comandando todas as ações ofensivas do time. Atuou somente um ano pelo Tricolor do Morumbi, mas contribuiu decisivamente com 27 gols em 66 partidas. Apesar do pouco tempo, conquistou a torcida pela técnica e liderança excepcional. Depois explicou o motivo de sua saída. Disse ele:
"Se há uma coisa que me arrepende na vida é o fato de não ter vindo para o SPFC a mais tempo. Quando cheguei já encontrei um punhado de craques. Um deles - Canhoteiro - jamais esquecerei. Foi o maior ponta-esquerda que vi jogar na minha vida. Em um metro quadrado ele conseguia passar por três adversários, como manteiga que se aperta nas mãos. Foi um monstro. No tricolor vivi dias inesquecíveis, saí apenas por uma bobagem. Eu havia saído com o Lanzoninho. Fomos jantar e depois esticamos até uma boate, que naquele tempo era famosa em São Paulo. No dia seguinte o Seu Manoel Raimundo, que era durão e não permitia deslizes por parte dos atletas, me chamou e disse que eu havia estado no inferninho na noite anterior. Contestei, pois sempre fui teimoso e disse que o local que havia estado não era um inferninho, e sim uma boate de luxo. Ele ficou inflexível e eu meio turrão não gostei. Foi assim que saí do tricolor, clube que amo até hoje. Do São Paulo tenho tantas e tão boas histórias que daria para escrever um livro. E dos bons, sem fofoca ou escândalos, como se lê nos dias de hoje."
Zizinho feliz no tricolor
Zizinho comandando o tricolor contra o Palmeiras.
Ziza, como os mais íntimos o chamavam, permaneceu no São Paulo até 1958. Depois, jogou pelo Audax Italiano do Chile até 1962. Por lá, não conseguiu títulos e encerrou a carreira no ano do bicampeonato mundial da seleção. Depois de pendurar as chuteiras, Zizinho seguiu brevemente no mundo do futebol. Jogou até basquete, foi fiscal de renda do Estado do Rio de Janeiro e ficou sossegado depois dos 60 anos. O ex-craque recebeu diversas homenagens ao longo da vida e o reconhecimento como um mito do esporte nacional. Em 2002, Mestre Ziza não resistiu a problemas do coração e faleceu aos 79 anos. Ziza se foi, mas seu legado segue intacto por ter sido um dos maiores jogadores do futebol brasileiro em todos os tempos e maior atleta antes de Pelé. Meia infernal, habilidoso e decisivo, Zizinho foi um ícone por onde passou e despertou elogios e respeito de todos os futebolistas do país e do mundo.
Eleito um dos 1000 Maiores Esportistas do Século XX pelo jornal Sunday Times, Zizinho completaria 92 anos nesse 14 de setembro de 2013
“Não há bola no mundo que seja indiferente a Zizinho” – Nelson Rodrigues.
Peixoto