Três horas após a apresentação, Muricy Ramalho comandou o primeiro treino e manteve o esquema tático (4-2-3-1) que vinha sendo utilizado por Paulo Autuori. Na entrevista, havia sinalizado a intenção de utilizar dois meias na equipe titular.“O São Paulo contratou o Ganso para jogar com o Jadson”, falou.
Em campo, porém, manteve Jadson entre os reservas. Quem perdeu a vaga acabou sendo Fabrício, sacado para dar lugar a Denilson. Durante a atividade, Welliton foi testado no lugar de Lucas Evangelista. Rodrigo Caio, zagueiro na época de Autuori, foi deslocado para a lateral direita.
Muricy prometeu ter uma conversa particular com Ganso, meia com quem já havia trabalhado no Santos. “Meia com as características dele precisa entrar na área. É difícil porque ele acha que um passe é melhor do que um gol.”
Logo de cara, descartou a possibilidade de escalar três zagueiros. E jurou: não vai apelar aos chuveirinhos, marca registrada de sua passagem anterior. “Antes, eu tinha zagueiros gigantes e um baita cobrador de faltas, o Jorge Wagner. Hoje, não tem isso.”
O que disse o novo treinador do São Paulo na coletiva
Mais ação
“O time, quando está na situação do São Paulo, não adianta só ter palestra”
Urgência
“Não posso ficar dando prazos. A hora de resolver nossos problemas é agora”
Mudança de realidade
“A gente usava os três zagueiros antes porque não tinha um (camisa) 10. Agora, tem”
qual o problema?
“Vou conversar com o Ganso. Ele não pode ter se esquecido de jogar futebol”
Sentimento
“É difícil falar não para o clube que me abriu as portas, que me criou no futebol”
Defesa do antecessor
“O Paulo (Autuori) foi campeão de Libertadores e Mundial. Quer currículo maior do que esse?”
Opinião
Fernão Ketelhuth, editor de Esportes do DIÁRIO
Muricy também tem de se reerguer
Ao aceitar o desafio de assumir o São Paulo, Muricy Ramalho não apenas dá uma prova de coragem como mostra também estar disposto a se reerguer, alongando uma carreira que ele próprio colocara em xeque.

Durante seus últimos meses na Vila Belmiro, o técnico tetracampeão brasileiro passou a impressão de que havia enjoado do perverso dia a dia da bola. Abalado por um problema de saúde, já não se dedicava ao trabalho com o afinco de antes. Em abril, chegou a dizer que poderia antecipar a aposentadoria, por medo de adoecer de novo. Devido às más atuações do Santos, nem sequer foi sondado pela CBF à época da queda de Mano Menezes. Mandado embora do Peixe após o estadual deste ano, passou quatro meses desempregado, o que não ocorria havia anos.
Ao trocar o sossego de seu sítio em Ibiúna por um clube às portas do inferno — deixando a perigo até mesmo a idolatria que os são-paulinos cultivam por ele —, Muricy sinaliza que quer se reerguer. Para tanto, porém, terá de manter de pé o time que o elevou a outro patamar.
FOTOS por Rubens Chiri / saopaulofc.net