Além da péssima situação do São Paulo na tabela do Campeonato Brasileiro, na qual ocupa a antepenúltima colocação, o que culminou em nova troca de técnico, dessa vez de Paulo Autuori por Muricy Ramalho, o clube vive momento político conturbado. Agora, há o risco de uma divisão na situação por conta de um jogo de cartas marcadas comandado por Juvenal Juvêncio.
Na última quinta-feira, o presidente liberou os pré-candidatos ao pleito de abril do ano que vem a fazerem campanha no clube. Os vice-presidentes Carlos Augusto de Barros e Silva, Júlio Casares e Roberto Natel, além de Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo entre 1984 e 88, foram autorizados a buscarem apoio entre os conselheiros.
Juvenal escolheria como seu candidato aquele que tivesse maior respaldo. Porém, aos poucos vem à tona a decisão já antecipada do atual presidente. Ele já havia decidido que Aidar disputaria a eleição em 2014. O anúncio, que poderá ser feito em breve, incomoda muito, principalmente a Leco, que esperava assumir o poder dessa vez.
Ele acreditava que teria o apoio de Aidar em sua candidatura, e que a questão ficaria apenas entre ele e Roberto Natel, a quem já havia manifestado sua intenção de ser presidente. Preterido, ficará dividido entre a traição sofrida por uma corrida decidida antes mesmo de seu início, e a lealdade histórica a Juvenal Juvêncio.
Em 2011, Leco era vice de futebol, e poderia ser o candidato à presidência. Ele foi contra a alteração estatutária que permitiu a Juvenal Juvêncio ter seu terceiro mandato, mas permaneceu a seu lado. A mudança polêmica, aliás, foi redigida por Aidar, antigo parceiro. Foi em seu mandato, nos anos 80, que Juvenal ocupou pela primeira vez o cargo de diretor de futebol. Em seguida, ele sucedeu Aidar na presidência.
Quase 30 anos depois, a escolha se dá por três razões: retribuir a sucessão daquela época, ver num suposto mandato de Aidar a maior semelhança com sua administração, e vislumbrar a possibilidade de afastar completamente Marco Aurélio Cunha do São Paulo.
Cunha, ex-genro de Juvenal, foi quem iniciou a oposição política a ele em 2013. Conselheiros e dirigentes passaram a abandonar a situação para apoiarem o vereador. Mesmo assim, ciente de que não teria força para conseguir as 55 assinaturas do Conselho, e depois ser eleito presidente, Marco Aurélio recebeu Kalil Rocha Abdalla em sua chapa.
Kalil foi diretor jurídico da gestão de Juvenal, mas entregou uma carta de demissão, e anunciou que seria candidato à presidência pela oposição. Chegou a sugerir uma chapa única, imediatamente rejeitada por Juvenal e seus aliados.
Agora, o cenário aponta para uma disputa entre Aidar, que já recebeu apoio de Casares, e Kalil. A ideia de Juvenal é que a candidatura da situação consiga inibir a formação de uma chapa de Marco Aurélio para o Conselho. Assim, o ex-superintendente ficaria sem cargo, como deseja o atual presidente.
Carlos Miguel Aidar pode ter o apoio de Juvenal Juvêncio na eleição (Foto: Milton Michida / Agência estado)