Nascid para ser especial! Rica Perrone.
Nascido para ser especial, o São Paulo completa hoje 76 anos. De todos os grandes do país, o mais novo. De todos eles, talvez, o mais vencedor. Não vou taxar como sendo, afinal, não posso determinar valores para todos os campeonatos conforme minha cabeça. Mas, como sempre digo, títulos são importantes, mas não tudo.
Importante pra qualquer marca apaixonante é manter sempre sua raiz e sua filosofia. Algumas vivem de paixão, o São Paulo vive mais de razão.
Você pode ouvir um rival dizer que o São Paulo é o time mais “sem graça” do país. E talvez seja, pois ser sãopaulino é tão fácil e divertido que para os demais não tenha graça.
Se a graça pra maioria é aquele sobe e desce, aquele medo de cair, aquele ano catastrófico, aquelas páginas policiais em meio ao noticiário esportivo… pro sãopaulino nada disso faz parte.
Títulos, no Morumbi, são conquistados com todos os “porques” do mundo. Títulos, por aí, vem do além.
Você não sabe me explicar como o Flu saiu da série C e foi campeão Brasileiro. Nem como o Flamengo ganhou com um ex-jogador aposentado no elenco. Você não consegue entender como Tupãzinho e Wilson Mano ganharam de todo mundo, talvez nem como o tal do Grêmio foi onde foi com Arílson, Jardel, Dinho e Goiano.
Talvez você não saiba, mas eles sabem. E assim como vocês não entendem o sãopaulino, só ele se entende.
E ele se entende sozinho, não em grupo. Em bando, criticam como se houvesse uma crise em ser terceiro colocado, sem títulos há 3 anos. Na presença de outros, enchem o peito e sequer abrem espaço pra discussão.
Estádio? Eu tenho. Clube? Eu tenho. Libertadores? Tenho 3. Mundial? Tenho 3. Ídolos? Tenho de monte. Perspectiva? Mais ainda.
O que pode ser mais irritante do que discutir com um sãopaulino?
É como aquele ator famoso, rico, bonito e competente. Você não tem como atingi-lo, portanto, o chama de viado.
E assim, surge o Bambi.
Dane-se o Bambi. No fundo, é engraçado. Até porque, o apelido de “fresco”, “viadinho”, etc, sempre cai no mais “riquinho”. E quem é esse?
Ah Tricolor…
Dos meus 33 anos, passei a maior parte dele te assistindo, torcendo, xingando, entendendo e até trabalhando a toa por você.
Virei jornalista, cresci, passei a ter relacionamento com todos os clubes e torcidas e vi que, de fato, são diferentes.
Você, chato de doer na alma, tem razão até quando erra. Mas é seu. É parte do “tipo” que o fez gigante. Que assim seja.
Se alguns fazem uso do sofrimento e da dor para despertar paixão, você faz uso da falta deles pra usar a razão.
Os méritos de ser o que é hoje começam em pessoas preocupadas com a postura. No São Paulo, até hoje, há uma forte corrente contra qualquer problema vazar. Fica errado, mas não deixem ver que erramos.
Certo, errado? Sei lá, este é o São Paulo. E funciona.
Aos 76 anos, o que falta? O que buscar?
Dizem que a torcida do São Paulo não é apaixonada, e não é mesmo. Sim, estou generalizando, da mesma forma de quando faço um elogio, pois é assim que tratamos “culturas” e “grupos de pessoas”.
Sãopaulino acha que sofre, mas não sofre. Acha que sabe o que é a dor de um torcedor, mas não sabe.
Acha que é igual os outros, mas não é.
E não é pelo simples motivo de torcer por algo diferente dos outros.
Sãopaulinos são chatos, pois podem ser chatos.
Eu sou sãopaulino, e sou chato. Exigente como todos eles, com a diferença de ter que expor perante os demais as mesmas criticas que por uma questão cultural não devem jamais sairem daqueles portões.
Hoje o Tricolor faz 76 anos. Permitam-me chama-lo de “meu”, pois acho que tenho créditos por ser imparcial o ano todo e não fazer uso de minhas paixões para escrever.
Meu Sào Paulo, clube que me fez conhecer futebol desde 1 ano de idade, clube onde cresci e passei enorme parte da minha vida, vira o ano e faz aniversário com carinha de triste.
Triste porque não foi o primeiro. Longe de ser um dos últimos, o que pra ele não costuma nem estar entre as possibilidades.
Exigente, arrogante por histórico e conquistas, segue de cabeça erguida chamando de tragédia o que muitos chamam de “bom ano”.
É o padrão Tricolor de qualidade.
Padrão que tende a ser seguido, até ultrapassado, pois é assim o ciclo do futebol.
Não me importa se ganha ou perde, me importa que seja e se poste como São Paulo.
Nunca fui ao Morumbi ver o São Paulo ganhar. Isso, pra mim, é coisa de torcedorzinho. Vou ver o São Paulo jogar. Se ganhar, ótimo.
E se ganha sem jogar, fico tão puto quanto quando perde.
É isso. Pra eles, só isso. Pra nós, tudo isso.
Para os fatos, entre os grandes, o primeiro.
abs,
RicaPerrone
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