Uma fábula de entrevista

Uma fábula de entrevista

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Finalmente o torcedor são-paulino pode contar com Luis Fabiano em campo. Quando ainda estava no estaleiro, ele recebeu as Matadoras para responder às perguntas que não se veem nos jornais
Dani Scatolin e Mônica Apor – Foto (Luis Fabiano): Renato Pizzutto15h37 05/10/2011

Mônica – Você foi pego de surpresa com outra cirurgia depois de dois meses?
Não. Depois da primeira, mais nada é surpresa. Tudo é possível depois de uma, infelizmente. A gente não sabe como o organismo vai reagir.

Dani – Isso atrasa em quanto a sua volta?
Não sei, sinceramente não sei [dias depois o craque anunciou sua volta para 17 de setembro].

Mônica – E a cabeça como está?
Minha cabeça está do mesmo jeito que estava antes: confiante e disposta a passar por cima.

Mônica – Já ouviu a piada que você e o Adriano, do Corinthians, competiam para ver quem demorava mais para voltar?
Isso é uma brincadeira de mau gosto, brincar com a saúde de uma pessoa ou de duas pessoas, dois atletas, é muito chato, né?

Dani – Você fez uma cirurgia antes daquela do tendão e antes desta de cicatrização, certo?
Não teve outra cirurgia além dessas. Saiu por aí que operei na Espanha, várias coisas. É mentira. Se a lesão tivesse cicatrizado de maneira normal, eu estaria jogando há muito tempo.

Dani – Era muita dor?
Muita. Qualquer movimento causava dor. Eu treinei dois dias antes do jogo contra o Avaí com dor suportável. Um dia antes, fiz um movimento no treino e vi que não conseguiria ir para o jogo.

Dani – Está sonhando marcar gol em quem na volta do Fabuloso?
Indiferente, gol é gol.

Mônica – Ahhhhhhh, tá…
Lógico que tem sabor especial fazer gols em alguns times como o Corinthians…

Dani – Você voltou como uma grande contratação. Agora existe pressão em campo, retorno de marketing e grana…
[Interrompendo.] Isso eles já estão tendo. Se eles quisessem retorno em dinheiro, teriam aceitado uma proposta que surgiu agora da Turquia, mesmo machucado. Na verdade nem teriam me contratado, tenho 30 anos, não sou um menino…

Dani – Você espera encerrar aqui?
Tenho quatro anos de contrato e quero cumprir.

Dani – Mas aí não vai ser hora de encerrar a carreira ainda. E se o São Paulo não quiser, vai que o Corinthians queira…
Se eu quisesse jogar no Corinthians, eu já estava lá. Proposta boa não faltou.

Dani – E por que não foi?
A proposta era muito boa. Mas meu coração é tricolor. O Corinthians sempre vai me querer, mas sempre vou falar “não”.

Dani – Duvido… Se, aos 37 anos, receber uma boa proposta, não vai?
Não sou movido a dinheiro. Se fosse, não estaria aqui. Não vou apagar minha história aqui.

Mônica – Mas você tem cara de corintiano, já não te falaram?
Por quê? Cara de maloqueiro, você acha? [Risos.]Corinthians não tem cara.

Mônica – A gente viu você chegando de gola levantada, todo marrento no estilo. O Luis Fabiano é sempre assim?
É meu jeito. Só a carcaça. No fundo sou relaxado, não sou dos neuróticos que ficam em frente ao espelho se admirando. Mas vocês queriam que eu viesse dar entrevista fedido, todo sujo?

Mônica – Com a grana toda que ganhou, você é fissurado em coisas materiais?
Já fui mais ligado em carro, mas sou fascinado mesmo por relógio.

Mônica – Quem tem mais relógios: você ou o Faustão?
O Faustão está com um diferente a cada domingo! Eu também, a cada semana. Tenho relógios caros, mas não vou falar quanto paguei, porque vocês vão achar ostentação.

Dani – Acima de R$ 30 mil?
Muito acima.

Dani – Você lembra o relógio que usava quando era o “Biro” de Campinas?
Lembro, claro. Citizen, de “três conto”.

Dani – Agora que você parou um tempo por causa da cirurgia, fez uma reflexão sobre vantagens e desvantagens de jogar futebol?
Apesar do sequestro da minha mãe, eu não tenho do que reclamar. Ganhei muita coisa, conheci muita gente, muitos lugares. Sou um privilegiado! Muitos não conseguiram chegar aonde cheguei.

Dani – Mas, no início, quando o dispensaram do Guarani, você pensou em parar…
Desanimei. Parei um ano. Só ia para a escola. Com 15 anos não tinha um plano B, não sabia o que eu queria ser. Meu avô foi jogador. No começo me colocava medo, dizia que a profissão era difícil.

Dani – E hoje o dirigente que o dispensou se arrepende, não?
Por ironia do destino, o cara, o Ligio, é meu amigo e eu o ajudo. Ele trabalha numa escolinha de futebol e quase todo ano eu dou palestra para os meninos. Eu não sou rancoroso. Um dia ele me ligou e pediu desculpas por ter me dispensado.

Mônica – Você sempre gostou do apelido Fabuloso? Não achou assim meio “fofo”?
Como pode ser gay “Fabuloso”? Você nunca falou “nooossa, que fabuloso?” Sério, Fabuloso é um personagem do futebol. Todos me chamam assim.

Dani – Você teve sorte de ser um dos poucos não massacrados após a eliminação da Copa de 2010. Até aquele gol na Costa do Marfim com a ajeitada de mão ajudou, né?
A mão é usada para muitas coisas [risos]. Depois de estar na Copa, fazer o que fiz, ganhei um certo status. Quando cheguei aqui, tive toda aquela recepção no Morumbi… Eu não esperava.

Dani – A mesma torcida que o aplaudiu agora o chamou de “pipoqueiro” em 2004…
Isso é a cultura do futebol brasileiro. Saí puto do São Paulo, não escondo, mas foi uma minoria que me decepcionou. Ronaldo e Roberto Carlos passaram por coisa pior no Corinthians. O torcedor brasileiro não é como o europeu, infelizmente.

Dani – Mas os brasileiros não têm preconceito, não jogam banana em campo, como fizeram com o próprio Roberto Carlos.
Eu nunca passei por isso, deve ser horrível. Sempre fui respeitado na Europa, até porque sou um marronzinho provocante, né? [Risos.]

Mônica – O calor do brasileiro é maior…
Aí é que você se engana. Na Espanha é uma coisa de louco, todo jogo é lotado, até amistoso. O time está perdendo, eles estão cantando…

Mônica – E as marias-chuteiras gringas?
Tudo igual. Dizem que as brasileiras são mais calientes. Mas lá elas querem beijo na boca na cara dura. Todos os dias as meninas estavam na saída do treino. Na chuva, no frio…

Dani – Você está mais calmo, não?
Você acha? Estou mesmo. Não vou mais brigar dentro de campo. Briga de porrada? É passado.

Dani – E uma faltinha mais maldosa?
Aí, sim! Você também, hein? Vou jogar peteca?


Dani – Você é tão representativo quanto o Rogério Ceni? Tem voz ativa no São Paulo?Mônica – Você frequentou bastante psicólogo, né? Teve alta ou se deu alta?
Frequentei três meses seguidos, tive alta. Estou bonzinho, legalzinho, com a cabeça boa.

Olha, na minha passagem em 2002, eu já tinha um certo peso dentro do grupo. O jogador não precisa ser um grande ídolo para ter voz ativa. Se o grupo respeita, ele fala e todos ouvem.

Dani – Você tem moral para contestar o que o Ceni fala?
Ué, aqui é uma democracia, todo mundo tem sua opinião. Eu tenho personalidade para dizer o que eu acho, seja com quem for.

Dani – O que acha da geração de agora da Seleção? Você ainda tem chance?
Uma geração ótima. Todo mundo vai ter sua oportunidade. O Neymar tem o estilo parecido com o do Robinho. Joguei com o Robinho, por que não teria espaço nesse time?


Dani – Você confia no Adilson Batista?Mônica – Fabuloso ou Pato?
[Risos.]

Claro. Todo mundo confia, caso contrário não estaria aqui. Ele sabe como o jogador pensa.

Dani – Nesta hora é melhor um treinador parceiro da boleirada ou aquele que manja muito de esquema tático?
Tem que saber de futebol e levar um grupo com 20 cabeças que pensam diferente.

Dani – Qual o melhor treinador, na sua opinião?
O momento diz que o Muricy é o melhor. Dos que trabalhei no Brasil, me identifiquei mais com o Oswaldo de Oliveira, gente boa demais, e o Vadão, que me deu oportunidade no São Paulo.

Mônica – Para encerrar, Luis Fabiano, você é um matador?
Claro, eu faço muitos gols [risos].



Oq acharam ?

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