Já ouviram falar do lendário Belá Guttmann, que revolucionou o São Paulo nos anos de 1957 e 1958 ?
Em seu país natal, Guttmann teve o prazer de comandar entre 1956 e 1957 o Budapest Honvéd, uma das mais lendárias equipes de futebol dos anos 50. Quando chegou ao clube, a força do timaço de Puskás, Kocsis, Czibor e Lorant já não era a mesma do começo da década, mas o time ainda jogava por música. Títulos, o treinador não conquistou, mas foi pelo Honvéd que ele conseguiu fazer uma nova e notável legião de fãs quando, em 1957, veio ao Brasil para uma série de amistosos de seu time com equipes do Rio de Janeiro. Durante sua estadia, Guttmann comandou o Honvéd nas vitórias por 6 a 4 e 3 a 2 sobre o Flamengo, e nas derrotas por 6 a 4 para o mesmo Flamengo e 3 a 2 para um combinado Botafogo/Flamengo. O show de bola da equipe húngara encantou a todos e a imprensa nacional rasgou elogios àqueles húngaros que por muito pouco não haviam conquistado o mundo três anos antes. Foi então que Vicente Feola, à época técnico e supervisor do São Paulo FC, disse à diretoria do clube paulista para aproveitar a oportunidade e tentar uma contratação do nômade Guttmann. Não seria uma tarefa difícil, visto o histórico do treinador por diversas equipes pelo mundo. E deu certo. Laudo Natel e Manoel Raymundo Paes de Almeida acertaram os trâmites burocráticos, assinaram o termo da “não demissão em caso de liderança” e Guttmann virou tricolor. A adaptação à cidade paulista ocorreu rapidamente e o húngaro revolucionou para sempre o modo de jogar não só do São Paulo, mas também de todos no país.
Com inovações nos treinos, principalmente nos fundamentos, Guttmann ensinou a todos os jogadores do time paulista como cobrar faltas, chutar bem uma bola no gol, e mostrou que o foco deveria ser sempre na objetividade e na precisão. Nada de fintas e jogadas que não levassem a lugar nenhum. O importante era o gol. Quanto mais, melhor. Uma característica de Guttmann nos tempos de São Paulo foi desenhar alvos com números para os jogadores acertarem com seus chutes, uma espécie de paredão do chute ao alvo. Esse símbolo básico de fundamento permanece até hoje no centro de treinamentos do tricolor.
O tempo passou, Guttmann ganhou o reforço do genial meia Zizinho e o São Paulo destroçou seus rivais no Campeonato Paulista. Com Poy, Mauro, De Sordi, Gino, Zizinho e Canhoteiro, o tricolor jogou puramente no ataque e faturou o título. Foram 13 vitórias, quatro empates e apenas uma derrota em 18 jogos, com 53 gols marcados e 24 sofridos. A partida que sacramentou a conquista foi um 3 a 1 pra cima do Corinthians, no Pacaembu. Outros grandes momentos da campanha foram as goleadas por 4 a 2 no Palmeiras, 6 a 2 no Santos e 7 a 1 no XV de Piracicaba. A conquista seria a última do São Paulo no período. Por conta da construção do Morumbi, que sugava os recursos financeiros do clube, o tricolor só voltaria a levantar uma taça em 1970. Para seguir a rotina, Guttmann deixou o São Paulo já em 1958 pelo fato de o time brasileiro não conseguir manter o seu salário no mesmo nível do valor do dólar à época, que subia sem parar. Dessa vez, porém, não houve polêmicas. E Guttmann virou um ídolo eterno no tricolor.
A seleção brasileira campeã do mundo em 1958 jogou no 4-2-4. Obra de Guttmann.
A passagem de Guttmann pelo Brasil deixou profundas e benéficas marcas para o futebol nacional. Vicente Feola, que acompanhou de perto o modo de trabalho do húngaro, implantou em toda a sua plenitude o sistema 4-2-4 na seleção brasileira, que estaria sob seu comando na Copa do Mundo da Suécia em 1958. Com craques em todas as posições do campo e jogadores perfeitos para atuar naquele estilo, o Brasil sobrou e foi campeão mundial pela primeira vez jogando um futebol vistoso, ofensivo e sensacional. O mérito, claro, foi de todo o grupo canarinho e de sua comissão técnica. Mas a semente para aquele sucesso, indiretamente, foi plantada por Béla Guttmann.
Agora me diz que "idioma" prejudica e muito o treinamento que eu vou rir muito, principalmente daqueles que querem o Luxa.
Quem quiser conhecer mais sobre ele, vá neste link: http://imortaisdofutebol.com/2013/04/12/tecnico-imortal-bela-guttmann/
tirei esse pequeno trecho de lá.
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