Qual a prioridade do Kalil?
SÃO PAULO - A crise de endividamento da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, maior complexo hospitalar do Brasil, provocou um racha na diretoria e a instituição vai voltar a ter duas chapas nas eleições marcadas para abril do ano que vem.
Em 2008, pela primeira vez em mais de 400 anos de história, a instituição teve duas chapas na disputa, que foi vencida pelo advogado Kalil Rocha Abdalla, atual provedor reeleito.
Em entrevista ao Estadão, o médico José Luiz Setubal, herdeiro do banco Itaú e presidente da Fundação que leva seu nome e que administra o Hospital Sabará, anunciou que está formando uma chapa de oposição à atual diretoria da Santa Casa.
Ele já está conversando com a consultoria Mckinsey para elaborar um plano de reestruturação e modernização da Santa Casa, que atende a mais de oito mil pacientes por dia.
Disputa. Os candidatos a provedor da Santa Casa precisam ser sócios remidos formar uma chapa com 50 outros sócios. A instituição tem mais de 400 sócios aptos a participar da votação. Kalil Rocha Abdalla, atual provedor, é candidato também à eleição para a diretoria do São Paulo Futebol Clube.
José Luiz Setubal, filho de Olavo Setubal, formou-se em medicina na faculdade da Santa Casa em 1981. Ele considera que a dívida de mais de R$ 350 milhões da Santa Casa, superior ao patrimônio da instituição, é resultado de uma combinação de fatores como má gestão, métodos ultrapassados, ineficiência e outros.
"Conto com apoio de pessoas dispostas a mudar este quadro desde que eu esteja à frente da disputa", disse o médico. Ele pretende basear sua gestão, caso seja eleito, na experiência de outros hospitais públicos do Brasil e do exterior.
Modernização. Um dos modelos é o da Santa Casa de Porto Alegre, que contratou o empresário Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Administração da Gerdau e da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do governo federal.
No início deste mês, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou um convênio com a Santa Casa de São Paulo que prevê a liberação de R$ 3,6 milhões (em parcelas de R$ 300 mil por mês) para serem investidos no pronto-socorro.
Em maio deste ano, conforme o Estado antecipou, a Santa Casa ameaçou fechar as portas do pronto-socorro central caso não recebesse aporte financeiro dos governos municipal, estadual e federal para sanar uma dívida acumulada que girava em torno de R$ 120 milhões.
A Santa Casa de São Paulo é o maior hospital filantrópico da América Latina, com cerca de oito mil atendimentos por dia em 13 unidades hospitalares. A instituição administra também uma faculdade de medicina, policlínicas, prontos-socorros e unidades básicas de saúde na Grande São Paulo.
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