Isso aqui é São Paulo meu filho!!!
Será esta imodesta idéia verdadeira? Ou será o contrário? Vamos pensar (oh, coisa dolorosa…). Comecemos pelo óbvio: se o São Paulo mantiver a atual diretriz de eficiência, profissionalismo, racionalidade e competência gerencial, tende a ter um futuro brilhante. Afinal, o ser humano possui uma tendência natural a idolatrar apenas os vencedores e desprezar os vencidos.
Isso se explica tanto por razões práticas como psicológicas. É como se da vitória emanasse uma aura de euforia, otimismo e felicidade que gostamos e, às vezes, precisamos experimentar.
Entre outras coisas, isso explica o porquê de as torcidas de Portuguesa e Juventus ( na Capital Paulista ) terem tido um, digamos, modesto crescimento nos últimos anos (ah, o que seria de nós sem os eufemismos). Todas as estimativas mais recentes apontam a torcida são-paulina como a terceira maior do país. Nada mal para quem era apenas a quinta ou sexta, antes da Era Telê.
Títulos atraem visibilidade, dinheiro e prestígio mas, antes de tudo, títulos atraem torcedores, principalmente os mirins… E não podemos culpar os meninos por isso. Ninguém sente prazer em, como se vê muito por aí, ter de agüentar gozações toda segunda-feira após uma derrota e muito menos deseja a pecha de torcedor de time perdedor. E não adianta esperar por milagres… Os torcedores não se perdoam e, por conseqüência, os que não torcem para o São Paulo são sempre os mais zoados.
Mais e mais garotos ( e garotas também ) já são, querem ser e serão são-paulinos nos próximos anos e, com isso, o “ rebanho “ da torcida tricolor só tende a aumentar. Em conseqüência disso, coisas inimagináveis começam a ser imaginadas e consideradas. Os corintianos, por exemplo, andam ressabiados… Será que vão perder o posto que sempre os orgulhou, o de maior torcida do Estado ?!? Isso seria uma piada nos anos 70; hoje isso já é uma projeção estatística… E perfeitamente aceitável e considerada para os próximos anos.
Claro que boa parte do êxito do São Paulo FC deve ser creditado aos seus adversários históricos na cidade. Pense num Corinthians, que até conquistou títulos mas, chegou a ficar várias vezes na lanterna do Brasileirão nas últimas edições e, até chegou a ser rebaixado para a segundona. Pense no Palmeiras, que, além de colecionar grandes fracassos nas últimas temporadas, ainda viveu momentos trágicos de uma longa fila sem títulos, a vergonha de sucessivos atrasos de salário e as recentes ‘ cabeçadas ‘ administrativas, eles são grandes tributários do sucesso do time vencedor do Morumbi.
Já o Santos não faz mais frente a onda tricolor são-paulina. E, caso essa onda de glórias, triunfos e êxitos se alongue, ela despertará reações nos torcedores rivais. As mais comuns deverão ser aumento da bile, perda dos cabelos e uma tendência a mordiscar os lábios. Outros podem desenvolver uma inclinação ao mau humor e à irritabilidade. Relatórios médicos indicam propensão a comentários do tipo: “ Ganharam de novo, é? Hum! Grande coisa! Bom era o meu time nos anos… ”… ou, algo como isso: “ também, se não fosse o juiz … “ ; As desculpas de sempre, ditas de alguma forma nas situações que determinado lado precisa ‘ justificar ‘ sua incompetência.
Relatos de socos adversários em almofadas e engasgos com pipoca assistindo aos jogos do tricolor paulista também têm sido relatados nos estudos. Bufos e um pendor para disparar palavrões ainda fazem parte desse quadro patológico. Não nos enganemos, leitor, se as coisas continuarem como estão, os sorrisos são-paulinos serão cada vez mais largos e brilhantes nessas próximas temporadas.
Por outro lado, torcedor são-paulino, em cada esquina deste país você poderá encontrar um adversário invejoso, avinagrado, indisposto, azedo e rancoroso, talvez um despeitado. Mas lembre-se torcedor são-paulino, o seu time “ mais querido “ ( ? ), do jeito que as coisas vão, tem tudo para se transformar é no mais odiado dos clubes brasileiros de futebol – culpa da sua competência.
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