Entenda porque o São Paulo não gastou o dinheiro de Lucas
Saiu hoje na Globo.com, no ótimo blog Olhar Crônico Esportivo de Emerson Gonçalves, uma análise sobre o balanço do São Paulo no ano fiscal de 2012.
O São Paulo é um dos clubes (ao lado de Atlético-PR) mais saudáveis do futebol brasileiro. Mesmo assim, pagamos R$24 milhões de juros por ano!!!
Com o dinheiro de Lucas entrando, continuaremos devendo, mas pagando "apenas" R$11 milhões por ano.
Muita gente não entende, porque o São Paulo não fez uma grande contratação com o dinheiro de Lucas. Mas, acredito que se lerem o post inteiro, irão entender.
Se o tricolor é um dos clubes mais saudáveis do Brasil, e paga de juros R$24 milhões, imaginem quanto pagam o Flamengo que tem uma dívida estimada de mais de R$750 milhões, e o Botafogo segundo colocado com mais de R$500 milhões.
A nova diretoria do Flamengo esta reduzindo os custos, não porque que querem, mas porque não tem mais crédito na praça. Não conseguem nem pagar os juros.
O Botofogo por exemplo, que tenta a contratação de Roque Santa Cruz, tem uma dívida 10 vezes maior do que sua receita anual. Ou seja, se não gastarem nada nos próximos 10 anos (sem ter salários dos jogadores, despesas, etc.), eles não conseguem pagar a dívida, uma vez que os juros aumentar a dívida a cada mês.
Segue reportagem:
São Paulo paga um Ganso por ano para bancos
seg, 29/04/13
por Emerson Gonçalves |
categoria Balanços Ano Fiscal 2012, São Paulo
O São Paulo continua tendo o melhor balanço do futebol brasileiro. Mesmo não sendo perfeito e com muitas informações não detalhadas, é, de longe, o que melhor detalha as receitas e despesas. Outro que vem por essa linha, mas com menor quantidade de informações, é o do Corinthians (que até agora não colocou o balanço de 2012 no site, embora já tenha mostrado seus principais pontos com coletiva de imprensa, inclusive). O do Internacional, por outro lado, é o mais transparente numa questão chave: o detalhamento das transferências de atletas e o respectivo fatiamento dos direitos econômicos.
Muitos leitores se queixam e outros ainda irão se queixar de falta de atenção aos balanços de seus clubes, algo que esse OCE tentará evitar, repetindo e até ampliando o número de posts, análises e estudos sobre os clubes no geral e, na medida das possibilidades, sobre cada um, individualmente, tal como já ocorreu em 2012. A verdade, porém, é que os balanços são pobres em informações. Muitos são paupérrimos, o que é terrível para quem se propõe a fazer qualquer análise. Outra coisa: histórico. Contamos nos dedos de uma mão – bom, das duas, vá lá – os clubes que têm um histórico consistente de postagem de seus balanços nos sites, com fácil acesso, sem pesquisas aprofundadas. Mas, reclamações e explicações à parte, vamos ao balanço tricolor.
Consistência duradoura
Apesar do mau resultado do marketing em 2012, o São Paulo uma vez mais apresentou uma grande receita, tanto total como, principalmente, operacional: dos R$ 284,1 milhões que entraram nos cofres, nada menos que R$ 201,6 milhões o fizeram como resultado direto do futebol: direitos de transmissão, marketing (publicidade/propaganda + licenciamento da marca), arrecadação de jogos, sócio-torcedor e estádio. De acordo com o balanço, o futebol gerou ainda mais R$ 5,2 milhões em premiação, R$ 3,8 em outras despesas não especificadas e R$ 46,3 milhões em direitos econômicos. A esses valores somam-se, ainda, R$ 1,2 milhão em receitas financeiras e R$ 26,0 milhões gerados pela área social do clube e esportes amadores.
A transferência de Lucas, corretamente, não foi contabilizada em 2012, uma vez que o dinheiro só entrou na conta nesse ano corrente, mas foi registrada nas Notas Explicativas pelo valor de R$ 115,9 milhões. Vale lembrar que esse OCE destacou que a transferência não foi segurada. Como Lucas apresentou-se bem ao novo clubea e somente então o negócio foi concretizado, o balanço de 2013 já nasce fortemente turbinado.
As despesas do futebol como um todo, com a base incluída, chegaram a R$ 189,6 milhões. Desse valor, R$ 106,2 milhões correspondem à folha de pagamento propriamente dita, incluindo prêmios, que ficaram em R$ 10,5 milhões. Os direitos de imagem somaram R$ 26,4 milhões, contra uma despesa classificada como Pessoal no total de R$ 52,6 milhões e outros R$ 6,9 milhões como Encargos Trabalhistas. Parte dessa grande diferença entre Pessoal e Encargos pode ter sua explicação nos Direitos de Imagem, usados pelos clubes brasileiros para reduzir o tamanho das folhas e, consequentemente, o custo dos encargos.
As despesas da Unidade de Negócios Estádio ficaram em R$ 12,6 milhões, contra uma receita de R$ 36,2 milhões, o que gerou um superávit de R$ 23,6 milhões. Nesse ano, a receita total do Estádio do Morumbi caiu R$ 5,2 milhões, fato provocado, segundo o clube, pelo fechamento de um setor para reformas – perda de R$ 1,7 milhão em locações de camarotes e cativas – e pelo menor número de shows realizados no Morumbi, com uma redução de mais R$ 3,5 milhões na receita Estádio.
Considerando uma despesa total da área Futebol no valor de R$ 202,2 milhões, o resultado foi positivo em R$ 8,4 milhões, mesmo sem os direitos econômicos de atletas transferidos. O clube como um todo fechou no azul, também, mas com um superávit de apenas R$ 0,8 milhão. Pesou para isso o grande valor gasto em despesas financeiras.
Dívida e juros crescentes
O número assusta: R$ 23,973 milhões classificados como “Despesas Financeiras” dentro do item “Encargos Financeiros”.
Esse valor é, basicamente, o mesmo pelo qual Ganso deixou o Santos e foi para o São Paulo – R$ 23,9 milhões que foram pagos ao Santos por sua parte nos direitos econômicos do atleta. Para viabilizar essa contratação, porém, foi necessário o aporte de dinheiro do grupo DIS, que pagou R$ 7,5 milhões ao Santos, cabendo os outros R$ 16,4 milhões ao São Paulo. Em caso de transferência do meia, o São Paulo terá direito a 32% dos direitos econômicos, sendo o restante do DIS (ou seja, Ganso está fatiado entre clube e investidor).
Considerando os exercícios 2009, 2010, 2011 e 2012, o clube gastou R$ 66,6 milhões em Despesas Financeiras. Esse valor pagaria integralmente o valor estimado para a transferência de Ganso, somando as partes do Santos e da DIS – R$ 52 milhões – e ainda sobrariam quase quinze milhões de reais, além de 100% dos direitos econômicos de nova transferência.
Gerando essas despesas, há uma dívida financeira no valor de R$ 156,1 milhões, com R$ 132,1 milhões com vencimento a curto prazo (até um ano). Desse total, R$ 37,5 milhões são referentes a contas garantidas e R$ 94,6 milhões a empréstimos para capital de giro.
A tabela acima mostra que desde 2009, mas já sinalizado em 2008, o custo da dívida do clube mudou de patamar, chegando em 2012 a 11,9% sobre a receita operacional do futebol ou 8,5% da receita total de todo o clube. É um custo elevado e crescente, que talvez já tenha sido parcialmente corrigido nesse início de ano, quando o Paris Saint-Germain pagou os 43 milhões de euros pela transferência de Lucas. Como disse mais acima, no balanço esse valor foi relatado como sendo de 115,9 milhões de reais. Desse total, o São Paulo ficou com 86,9 milhões e o presidente Juvenal Juvêncio disse que iria empregá-lo para abater a dívida. Medida sensata, sem dúvida, já preconizada no decorrer dos posts sobre Lucas, ainda quando parecia que seu destino seria o United por “apenas” 32 milhões de euros. Se todo o dinheiro vindo do PSG tiver sido utilizado na redução da dívida e considerando que nenhuma nova dívida foi contraída, ainda assim cerca de 11 milhões de reais serão gastos com juros no decorrer desse ano. Valor ainda muito elevado, mas muito mais palatável que 24 milhões.
Outro ponto a ser considerado é o custo desse dinheiro tomado no mercado financeiro, como mostra a coluna “Despesas Financeiras / Custo”. O valor percentual é o custo médio anual estimado para esses empréstimos. São custos elevados e a redução em 2012 pode ter sido ocasionada pelos empréstimos tomados junto a um banco de primeira linha.
Esses valores pagos em juros sobre empréstimos são muito elevados, tanto em números absolutos como relativos. Esse fato foi destacado por esse OCE várias vezes, principalmente por terem sido tomados, na maior parte, junto a instituições financeiras de segunda linha, que operam com taxas mais elevadas. Eles causam estranheza, considerando-se o histórico de eficiência e organização do São Paulo. Dívidas podem ser benéficas, é claro. Pode-se dizer, sem medo de cometer grande erro, que a economia é movida a dívidas, especialmente no mundo pós-Revolução Industrial. Graças às dívidas, Colombo e Cabral, entre outros, cruzaram o mar para aportar em terras do Caribe e América do Sul. Mas, e esse é um “mas” poderoso, toda dívida tem um custo. É preciso separar com nitidez o momento em que a dívida trabalha para uma instituição do momento em que a instituição passa a trabalhar para a dívida.
Até o presente momento – meio da manhã do dia 29, segunda-feira – o balanço ainda não “subiu” para o site do clube, com informações mais completas que as publicadas no jornal, na sexta-feira, principalmente o relatório da diretoria. Eventualmente, depois que isso acontecer, comentarei a respeito dos investimentos. Parte deles é referente às divisões de base, que tiveram um investimento total de 24,0 milhões de reais no último exercício e há, também, o registro de 16,5 milhões investidos na estrutura do clube, como o Estádio do Morumbi, os dois CTs, área social.
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