Ta mais fácil a diretoria manda o Luiz Fabiano embora do que o Ney Franco.
Que a situação do São Paulo não é boa todo mundo sabe. O que poucos sabem é que ela é gravíssima. E não coloca no centro da erupção apenas o técnico Ney Franco, mas principalmente o centroavante Luis Fabiano.
A torcida está insatisfeita com o técnico. Os dirigentes, não. A torcida está satisfeita com o camisa 9. Os dirigentes, não.
Ney Franco perdeu o comando do grupo. Isso é notório, embora não seja totalmente público. Pra piorar, tem gente dentro da comissão técnica que não fala a mesma língua de NF. Isso acaba por dificultar ainda mais seu trabalho em relação aos jogadores.
Os dirigentes, como escrevi acima, não estão dispostos a sacrificá-lo neste momento. Nem mesmo em caso de fracasso na Libertadores.
Como postei em meu Twitter na semana passada, conversei com um alto dirigente e perguntei a ele: se o São Paulo for eliminado na Libertadores nesta fase de grupos, Ney Franco permanece? Ele respondeu: “Claro que sim, pois ele conta com a aprovação da diretoria”.
E lembrou a campanha do time no segundo turno do Brasileiro do ano passado e o título da Sul-Americana.
Depois de uma pausa, o mesmo dirigente me disse: “Não que estejamos pensando nisso, mas eu te pergunto: mandar embora o Ney Franco e contratar quem?”.
Mencionei os nomes de Paulo Autuori e Mano Menezes, a todo instante na mídia. E ele me disse: “São nomes que não causam bom impacto no São Paulo”.
Segundo esse dirigente, Autuori disse “não” ao São Paulo em duas ocasiões em que foi procurado nos últimos anos. Esse desdém irritou a cúpula são-paulina e o fez cair em desgraça no clube.
Quanto a Mano Menezes, o fato de ele estar ligado a Andres Sanchez, desafeto do presidente Juvenal Juvêncio, o torna inelegível ao cargo de treinador do clube enquanto o clube for comandado por JJ.
Some-se a isso o episódio Tite/Tolima. Quando o Corinthians foi eliminado pelo time colombiano na fase eliminatória da Libertadores de 2011, Andres segurou o treinador e o resultado disso foram as conquistas do Brasileiro daquele ano e a Libertadores e o Mundial no ano passado.
(Ironia: Sanchez, o desafeto de Juvenal, aqui dá exemplo aos são-paulinos.)
Por conta disso, embora tenha perdido o controle do grupo (Lúcio e Ganso são seus “opositores” dentro do elenco) e veja algumas pessoas da comissão técnica de nariz torcido para ele, NF parece não estar ameaçado no cargo de treinador.
“Ele não sai”, garantiu-me esse dirigente.
Isso foi na semana passada, como disse, e está na “timeline” do meu Twitter.
Esta semana em conversei com outro dirigente são-paulino, também com grande trânsito junto ao presidente Juvenal Juvêncio. Ele me disse que o desapontamento dos cartolas, neste momento, é muito maior com Luis Fabiano do que com Ney Franco.
O camisa 9 do São Paulo quase nunca é visto em campo em jogos decisivos. Ou está machucado ou está suspenso.
Foi assim na final da Sul-Americana do ano passado, quando acabou expulso no primeiro jogo na Argentina e não pôde participar da partida da volta, no Morumbi.
Foi assim também em semifinais do Campeonato Paulista do ano passado, quando não enfrentou o Santos no Morumbi por conta de acúmulos de cartões amarelos. O Tricolor acabou batido por 3-1, com três gols de Neymar, e foi eliminado dentro de casa diante de quase 50 mil são-paulinos.
O Santos foi para a final e ganhou o título ao vencer o Guarani em duas partidas dentro do próprio Morumbi, o que acabou por irritar ainda mais os dirigentes são-paulinos.
A alta cúpula do São Paulo está chegando à conclusão de que a definição jocosa dos torcedores adversários em relação a Luis Fabiano não está longe da verdade. LF é chamado de “artilheiro dos gols inúteis”, pois ele nunca aparece nos momentos decisivos. Guarda seus gols para as partidas de menos importância.
O São Paulo contratou Luis Fabiano em março de 2011. Pagou por ele € 7,6 milhões (R$ 21 milhões). Assinou um contrato de quatro anos com o camisa 9 e até agora não recebeu nada em troca. O custo-benefício é baixíssimo.
Por tudo isso, é mais fácil, hoje, o São Paulo se desfazer de Luis Fabiano do que de Ney Franco.
Se aparecer alguma proposta do mundo árabe pelo atacante, o clube faz o negócio na hora, disse-me esse dirigente. Se o São Paulo for eliminado precocemente da Libertadores, Ney Franco fica, disse-me o outro, semana passada.
Assim está o São Paulo, como um vulcão.
Fonte:http://esportes.terra.com.br/blog-do-sormani/blog/2013/03/20/luis-fabiano-esta-mais-na-mira-dos-dirigentes-do-que-o-tecnico-ney-franco/
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