Fazendo Média
Fazendo média
Tem se falado muito no público do São Paulo neste campeonato. Dei uma olhada no público dos times de São Paulo-Rio e RS pra compara-los e tentar entender algumas diferenças.
Primeiro, muita gente tem falado que o Morumbi só encheu em jogos festivos e que o resto foi pra 6 mil (PERRONE, Rica). Mentira: das 18 jogadas em casa, 2 foram para menos de 10 mil pessoas: ambas de noite, no inverno e ao redor da eliminação da Copa do Brasil. Teve, por 5 vezes, partidas com mais de 30 mil pessoas, coisa que o atual líder nesse quesito só teve por 3 vezes - uma das vezes contra a gente, por sinal. A torcida adversária também contribuiu com essa marca no caso do líder em outra ocasião: o Atlético lotou seu canto tanto no Morumbi, quanto no Pacaembu.
Excluindo os pontos fora da curva - o maior e pior público (no caso do São Paulo: Náutico e Santos) - as médias mudam pouco. Exceção feita ao Botafogo, com 11% de queda, já que teve seu único público decente no Engenhão na estreia do Seedorf (29.9 mil pagantes). As outras equipes variam em até 5%.

Só uma vez a carga de bilhetes foi completamente vendida: por sinal, no maior estádio do país. A partida do São Paulo contra o Náutico teve seus mais de 62 mil ingressos comercializados, mais da metade deles pela internet. O Pacaembu ainda não ultrapassou 85% da sua capacidade. Pouco para quem diz ter o dobro de torcedores da segunda torcida do estado. Muito pouco para quem está vivendo o ano mais importante de toda sua história.
Fato relevante em todos os campeonatos - e não diferente desta vez - é a quantidade de partidas nos horários com maior facilidade de transporte ao torcedor. Com o carro estacionado dentro do Morumbi, demorei mais de duas horas para chegar ao centro da cidade. Transporte público é ineficaz em diversos locais, sorte maior do Engenhão (o mito da distância caiu por terra com o trem levando 10 minutos do Maracanã, com estação e monitores na porta do estádio) e o Pacaembu (menos de 1km da Avenida Paulista e 4km do marco zero da cidade). São 3 estações de metrô a até 1.2km e mais outras duas de metrô e trens a até 2.5km, um terminal rodoviário, uma rodoviária e a principal avenida do hemisfério sul, distribuindo passageiros pra todo lado da região metropolitana.

Neste ano a tabela foi mais generosa e tivemos quantidade similar de partidas no horário nobre. Ano passado, apenas uma partida foi realizada em todo o primeiro turno.
De todos os estádios citados, o mais distante do centro é o Morumbi, com 13.5km e estação de metrô mais próxima a 4km da arquibancada. Distância equivalente (14km) é a do Engenhão. A distância da estação de trem é de 4 passos.
Decepcionante a média de público dos times cariocas: o campeão não levou mais do que 13 mil pessoas durante o ano e chegou a disputar um jogo para menos de 3 mil pagantes. O rebaixado Palmeiras mostrou que não tem nada de torcida que canta e vibra: perambulou pelo estado em busca de um teto para 12 mil porcos pingados, não chegando a 30 mil em nenhum jogo. Inter, que gastou em perebas todo o dinheiro lavado em operações espúrias, chegou a jogar para 3 mil pessoas. Grêmio que disputou o campeonato por um bom tempo não encheu o finado Olímpico nenhuma vez - a mais próxima disso foi contra o São Paulo, virtual disputa pelo 3° posto na tabela.
O Santos não foi decepcionante - foi uma vergonha. Com o jogador mais badalado do país, chegando a fazer seu presidente comparar a equipe ao Cirque du Soleil e pedir mais dinheiro da divisão das cotas de TV (entre outras bobagens), a equipe de carne branca e Ômega3 chegou a jogar pra 3 mil pagantes em seus domínios, botando apenas 15 mil pessoas no auge do seu alento.
Não dá para dizer que uma equipe foi mais regular que a outra, se dividirmos os públicos em faixas de 10 mil. O São Paulo teve por volta de 20 mil pagantes 7 vezes, ultrapassando essa marca outras 9 vezes. O time público manteve sua concentração em partidas de 20 a 30 mil pessoas por 12 vezes. Como dissemos, só ultrapassaram essa marca de 75% de ocupação do estádio em 3 ocasiões.
O Grêmio também concentrou sua média na mesma faixa do São Paulo, diferença que não teve nenhuma partida com menos de 10 mil pagantes, mas também não passou muito disso.
A média do São Paulo tende a crescer com a melhoria do transporte público da região - uma nova estação deve ser inaugurada quando chegar a eleição para governador. Fato confirmado: a média de são-paulinos no Pacaembu de 1940 até a inauguração do Morumbi é mais alta que a da atual equipe que o aluga com maior frequência. Não são tão fieis assim, os Publicanos. Sua média no campeonato paulista foi menor que a do São Paulo, apesar de mandar dois clássicos (são alternados pois o campeonato é de turno único). Para um clube que realiza pesquisas com resultados de quase o dobro das outras torcidas, é muito pouco.
Por fim, a média de torcida do campeonato é comparável internamente, porém vergonhosa para todas as equipes. Levamos a mesma multidão que a Polônia, metade da americana, alemã, inglesa e espanhola - todas com ingressos médios mais caros.
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fonte: creioemsaopaulofc.com
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