Marco Aurélio Cunha se desliga do São Paulo, mas sonha ser presidente
Marco Aurélio Cunha não é mais superintendente de futebol do São Paulo. O dirigente pediu demissão em dezembro do ano passado e formalizou o desligamento na última quarta-feira. Nesta quinta, ele concedeu uma entrevista coletiva para falar sobre a saída do futebol do clube, no qual segue como conselheiro. Ele falou sobre a pouca influência que tinha nas decisões recentes da diretoria, principalmente nas saídas de Muricy Ramalho, em 2009, e de Ricardo Gomes, em 2010. O ex-dirigente também comentou o desejo de ser presidente do clube em breve, mas nunca contra a chapa do atual mandatário Juvenal Juvêncio. Cunha citou também que não acha que o presidente deva se candidatar novamente em abril e pede que ele ouça mais os aliados, sem deixar de ser centralizador. Confira os principais trechos da entrevista de despedida.
Pouca influência ha diretoria
"Queria agradecer pelo período de oito anos e meio de convivência, acho que ninguém fica tanto tempo em um cargo desgastante, de percepção e envolvimento profundo, menos intensamente do que gostaria nos últimos dois anos. Tenho a sensação de não influenciar mais nas decisões como gostaria. Desde a saída do Muricy sentia dificuldades, não conseguia influenciar como gostaria pelo meu conteúdo de 31 anos de futebol".
Juvenal e o poder centralizador
"Não vou expor as feridas do São Paulo, que é um clube que sempre soube tratar disso internamente. O presidente tem uma personalidade própria, mas às vezes é preciso interagir um pouco mais com aqueles que gostam dele. Acho que a única crítica é que ele ouvisse mais o que não gosta. Ele é centralizador, a centralização é necessária, mas não é surda. Tem que ser centralizador sim e eu serei se um dia for presidente, mas com os ouvidos abertos. O São Paulo tem vários grupos políticos. Respeito, mas sou absolutamente eu mesmo. Não tenho vínculo. Não tem problema estar aqui sozinho. O Juvenal sempre estará comigo e eu com ele e sempre cobrarei. Por mais que o poder seja egocêntrico e gere o isolamento vou tentar quebrar isso com minhas ideias".
Oposição às saídas de Muricy e Ricardo Gomes
"O futebol é muito mais complexo que só os jogadores subindo a escada. Aí você quer resolver problemas e alguém que está acima diz, é assim mesmo. Sofri muito no ano passado, quando mudamos o Ricardo para o treinador da base. Não aprovei e fui muito criticado por algo que não tinha programação, claro que não ia dar certo. Se meu poder de persuasão diminuiu vou deixar espaço para outros que venham com ideias".
Abrindo mão dos direitos trabalhistas e sonhando com a presidência
"Agradeço a diretoria por ser a imagem do São Paulo fora daqui. Mas as pessoas me perguntavam: e o São Paulo? E eu não poderia dizer: Eu não sei. Não posso ser cobrado pelo que o clube é. Não sou uma fraude. Saio abrindo mão de direitos trabalhistas e de indenização como fiz há 20 anos. Espero que o São Paulo compreenda e é um até breve, pois sou conselheiro do clube e tenho raízes e pretensões. Pretendo continuar na política do clube exercendo meu poder de conselheiro, eventualmente de presidência".
Contra a possível candidatura de Juvenal nas eleições de abril
"Não sei se ele vai ser candidato, as tendências dizem que ele teria direito de fazer um novo mandato pela mudança estatutária. Não gosto disso. Por gostar muito dele acho de bom tom sair. Foi o único presidente que conseguiu junto aos títulos conquistados a evolução patrimonial e de marca. Ele conseguiu tudo e o melhor é seguir trabalhando pelo clube, mas deixar que fluam novas ideias. O clube precisa muito dele, mas por ele mesmo talvez continuar não seja o melhor pela pressão, pelos resultados. O Dunga (ex-técnico da Seleção Brasileira) foi muito criticado por um segundo tempo de derrota contra a Holanda na Copa do Mundo. Não importa que ganhou a Copa América, das Confederações e foi execrado, ninguém fala o que ele fez de bom. Não gostaria que o Juvenal fosse julgado de forma errada por um momento".
Nunca oposição de Juvenal, mas desejo de ser presidente a médio prazo
"Não sairia candidato contra o Juvenal jamais, e apoiá-lo ou não é uma questão que vamos ver em abril ou antes disso. O São Paulo tem um quadro excelente de bons candidatos, não citaria só um. E eu mesmo sou um nome muito bom. A médio prazo serei candidato e estou preparado. Não serei da oposição, sou independente. Sou um candidato virtual pelas minhas pernas".
Cargo em outros clubes, como o rival Corinthians
"Ir pro Corinthians é impossível, tenho o maior respeito, mando abraço pros torcedores pelas brincadeiras de bom e mau gosto, sempre coisa de estudante, de barzinho, nunca pejorativo. Fora de São Paulo talvez pudesse ajudar como consultor. Recebi excelentes propostas recentemente pra fazer isso e não aceitei".
Identificação com o torcedor são-paulino
"Eu digo na Câmara que quando você se tranca no gabinete não percebe a cidade, só quando caminha. E eu caminho com os torcedores, assisto jogo da cativa, ouço e isso é fundamental. Jamais serei guiado por torcedores, mas jamais deixarei de sentir o que eles sentem".
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