A Federação Paulista de Futebol (FPF) é alvo de críticas de torcedores, jogadores e técnicos por conta do formato de disputado campeonato estadual que ela, com a anuência dos clubes, implantou nas últimas sete edições do torneio. Com 20 clubes, 19 rodadas e a classificação de oito times para a fase eliminatória, o resultado é um só: o desinteresse de público e dos próprios jogadores.
Um exemplo está na sequência de três empates em 0 a 0 em clássicos que nada valeram como Corinthians e Santos, São Paulo e Palmeiras e Palmeiras e Santos. Os quatro grandes clubes do Estado têm condições confortáveis para se classificar à próxima fase e transformam os duelos entre eles na primeira fase em meras formalidades, longe da grandeza de suas histórias de rivalidade.
Neste domingo, com foco exclusivo nos compromissos da próxima semana na Libertadores, São Paulo e Corinthians se enfrentam no Morumbi. Com classificação praticamente garantida à próxima fase do Estadual, a partida vale muito pouco.
Os ingressos caros (mínimo de R$ 40, com eventuais descontos de cada clube), também afastam o torcedor. A média de público dos clássicos é baixa e não levou mais de 20 mil pessoas em nenhum dos duelos citados. Foram 11 mil para Palmeiras e Santos, 18 mil para São Paulo e Palmeiras e 17 mil para Santos e Corinthians.
Em contato com a Federação Paulista, a reportagem do iG não teve atendido seu pedido de entrevista com Isidro Suita Martinez, diretor do departamento de competições da entidade, e responsável por todos os regulamentos dos torneios organizados pela federação. A intenção era dar a ele – e à FPF – o direito de defender seu principal campeonato.
Nem duelo entre Alexandre Pato e Neymar atraiu grande público no Paulistão.
Parceiros de seleção nas Olimpíadas de 2012, Neymar e Pato se reencontraram no clássico entre Santos e Corinthians no Morumbi.
Na segunda-feira e na terça-feira, dirigentes esportivos e profissionais de marketing se reuniram em São Paulo para debater mudanças que tornem os estaduais mais atrativos para torcedores e jogadores. “Na minha visão, os estaduais não devem acabar. No entanto, as fórmulas de disputa precisam ser alteradas. Os clubes grandes começam a pré-temporada no início de janeiro e apenas duas semanas depois já estão jogando os campeonatos estaduais”, disse José Carlos Brunoro, diretor-executivo do Palmeiras.
Há duas semanas, o técnico Tite também levantou a voz para criticar a FPF. A forma como a entidade organizou a tabela do Estadual forçou o Corinthians a jogar num sábado, dia 9, depois de compromisso na quarta-feira em Tijuana, dia 6, no México, pela Libertadores. Após voo de mais de 14 horas, o time de Tite chegou a São Paulo na véspera de partida contra o Ituano.

Clássico entre São Paulo e Palmeiras registrou público de apenas 18 mil torcedores no Morumbi
"Peço um pouco de bom senso. Saber aonde o time vai jogar e quantas horas vai viajar. É uma crítica minha. Enquanto técnico, estou falando de bom senso. Gostaria de parabenizar o presidente da Federação Mineira", declarou Tite, que lembrou da tabela do Campeonato Mineiro, que começa apenas em fevereiro e com 12 times reserva menos datas e garante melhor preparação a todos clubes.
Tite deu a oportunidade de a FPF agir, mas seu presidente, Marco Polo Del Nero, ignorou os apelos do treinador - e de forma bastante mal educada. "Não vou responder a treinador fazendo um comentário desse. Quando o presidente falar, eu respondo. Vejo muitas críticas sobre muita coisa, mas não vou responder crítica de técnico. Isso foi uma besteira, nem tomei conhecimento e não respondo", disse Del Nero ao jornal "Folha de S. Paulo".
Del Nero costuma dizer que os clubes aceitaram o regulamento e se exime de culpa pelas críticas que recebe. Os contratos de TV são vantajosos para os quatro grandes do Estado, mas esportivamente, o torneio não representa nada. Paulo André, zagueiro do Corinthians, avalia que o formato do Paulista seja repensado. "Não gosto do Estadual e ele não tem futuro. Tem de mudar o formato para que ele sobreviva", disse o zagueiro na última terça-feira.
O diretor de futebol do Corinthians, Roberto de Andrade, também é contrário à fórmula de disputa do Estadual. "Acho que deveria ser uma fórmula diferente da que é, tinha de ser mais curto. Com menos jogos, o campeonato ficaria mais interessante e sobrariam datas para você fazer amistosos internacionais, para levar a marca do Corinthians a uma pré-temporada mais extensa", disse Andrade.