Inúmeras ideias já foram colocadas em prática com o objetivo de afastar torcedores violentos dos estádios de futebol, e as autoridades responsáveis ainda não chegaram a uma conclusão: qual a fórmula ideal para sanar o problema?
O promotor do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva Paulo Schmitt promete ainda para 2013 uma ‘novidade’. “Posso adiantar que vai haver em breve uma nova regulamentação do Estatuto do Torcedor que vai viabilizar o cadastro dos torcedores, especialmente das torcidas organizadas, para que haja um controle.”
A ‘novidade’ revelada pelo promotor não é tão original assim. Desde 2006 membros de organizadas de São Paulo são obrigados a se cadastrar e a fazer uma carteirinha para entrar em jogos de futebol no estado uniformizados com roupas das torcidas.
“Esta medida ajudou a criar uma limpeza dentro dos quadros das torcidas. Aquele marginal que tem passagem pela polícia não quer ser fotografado”, diz o tenente Coronel Marcos Cabral Marinho de Moura, o Coronel Marinho, diretor do departamento de segurança e prevenção de Federação Paulista de Futebol.
Coordenador do Juizado Esportivo de Pernambuco, o juiz Ailton Alfredo contesta a ideia. “Marginal não vai querer fazer cadastro”, alega.
Coronel Marinho admite que a medida não impede infratores de continuar assistindo a jogos de futebol nos estádios paulistas.
Na prática o cadastro só serve para que apenas os portadores da carteirinha possam entrar no estádios com uniformes de torcidas organizadas.
O pernambucano Ailton Alfredo sugere outro tipo de registro. “No nosso estado existe um cadastro de 1650 torcedores que já passaram pelo juizado por ato de violência. Fala-se muito em cadastro geral das torcidas, mas isso não tem muito sentido. O que estamos fazendo é um cadastro negativo.”
O cadastro de torcedores já existe em âmbito nacional na Itália e causou bastante polêmica por lá.
“Na Itália, torcedores precisam estar previamente cadastrados para poder comprar o carnê que dá direito a todos os jogos do time como mandante pelo Campeonato Italiano ou mesmo para assistir a um jogo como visitante. Quem não tiver a “tessera del tifoso” (carteira do torcedor) não compra os carnês e não assiste a partidas na torcida visitante, mas pode comprar ingressos avulsos para jogos em casa. Mesmo nesse caso, contudo, a exibição de um documento de identidade é exigida no momento da compra, o que torna os ingressos nominais. Ou seja: torcedores encrenqueiros já cadastrados não conseguem comprar ingressos no país. O ponto vulnerável, eventualmente, é a fiscalização na entrada do estádio: se os documentos dos torcedores não são checados nas catracas, isso permite a um torcedor da lista de baderneiros entrar com um ingresso comprado no nome de outra pessoa”, conta Gian Oddi, comentarista da ESPN Brasil, que morou na Itália por um ano.

Torcedores do Corinthians
Torcedores organizados na Itália reclamam a falta de liberdade individual alegando que pessoas não cadastradas perderam o direito de assistir a uma partida do seu time como visitante. Jogadores e políticos acabaram se juntando ao protesto mais tarde.
Outra opção viável, especialmente com a construção de arenas modernas no Brasil até a Copa do Mundo de 2014, seria fiscalizar os torcedores por sistemas de câmeras. Responsável pelos juizados criminais dos estádios de Porto Alegre, cidade que recentemente ganhou a novíssima Arena do Grêmio, o juiz Marco Aurélio Martins Xavier descarta esta hipótese.
“A fiscalização por câmeras é possível, o problema é conseguir identificar alguém em um conglomerado de 50, 60 mil pessoas. É como achar um alfinete no palheiro, vejo como algo muito difícil”, diz Martins Xavier. “Acho que os clubes poderiam se encaminhar para fazer a identificação por impressão digital.”
O promotor Paulo Schimitt tem ideia parecida. “Controlar 25 mil ou até mais pessoas não é possível sem que haja controle de biometria - reconhecimento de pessoas por características físicas. Fora isso é quase que inviável.”