A semana que separava o jogo na argentina para a final no Morumbi passou lentamente com direito à novela. Foram 7 noites sem dormir em uma dieta sem fome causada pela ansiedade. Afinal, quem entraria no lugar de Luis Fabiano?
Ney Franco iniciou os treinamentos e testes entre Ademilson, Cícero e Willian José. Pela prévia do time reserva contra o Corinthians, Willian parecia ser a melhor opção. Enquanto esse problema era trabalhado, o camisa 9 da nação tricolor era esculhambado nas redes sociais. É, aposto que Luis Fabiano rezou dobro, se o São Paulo não fosse campeão, a responsabilidade iria diretamente para as costas do craque. A expulsão infantil colocou tudo a perder mas trouxe um aprendizado de ouro ao segundo jogo em que a ordem era uma só: na calma e sem violencia, vamos responder com o nosso futebol.
Faltando 2 dias para a final, Ney Franco definiu Willian José como substituto de Luis Fabiano. A nação apoiou a decisão e várias mensagens de incentivo foram enviadas ao craque. Em entrevista, nosso técnico dizia que ele estava "querendo jogo". Faltando 1 dia para a final, o Grêmio afirma que fechou contrato com Willian José. A torcida se revoltou com o anuncio precoce, a tensão estava no ar novamente.
Mas a tensão foi momentânea, o que tomava conta do coração tricolor era a emoção. A última coletiva do meia-atacante Lucas, regrada a choro e homenagem dos companheiros que invadiram a entrevista e jogaram isotônico no garoto. A coletiva teve de ser interrompida, o jogador chorava de soluçar. Era o Adeus de um ídolo tricolor que há sete anos tentava conquistar um título de peso no elenco profissional. Lucas voltou aos jornalistas chorando após a homenagem dos companheiros e disse com os olhos molhados "Eu quero ser campeão amanhã e um dia ainda voltar para esse clube, aqui é a minha casa". Em seu Facebook transmitiu uma mensagem que acabava com as palavras "Eu quero, Eu posso, Eu consigo". Ali... ali naquele momento emocionante em que o craque declarava amor eterno ao São Paulo e todos os seus companheiros o abraçaram. Ali ganhamos o título.
Mais do que ser campeões, todos os jogadores queriam dar de presente na despedida do garoto Lucas, a honra de levantar a taça. E alias, Rogério Ceni, humilde e ídolo, obrigada por ter dado essa oportunidade inesquecível ao pequeno grande herói LM7.
12/12/12
Aproximadamente 70 mil pessoas sairam de suas casas vestidas de vermelho, preto e branco, com um único objetivo: ser campeões. Imaginando um jogo tenso, difícil e que mais se pareceria com uma versão amadora do UFC, todos estavam com as gargantas preparadas para apoiar 90 minutos. O medo do gol são paulino demorar ou de levar algum gol perdido e desesperado era predominante, porém, silenciado. Não foi o que aconteceu.
Entramos no estádio, luzes vermelhas, fumaças, pessoas felizes por todos os lados. O time subiu, a escalação começou como era de costume, mas algo diferente do normal aconteceu. Aquele ramalhete de bixigas tricolores subiu aos céus com uma bandeira "Lucas, esse honra a camisa" e o rosto do jogador. Rolou em meu rosto a primeira lágrima da noite. Braços esticados, 70 mil vozes."Olê, olê, olê, olá. Lucas! Lucas!" Antes de pensar na final, me passava na cabeça, quando iria vê-lo novamente vestindo o manto tricolor. Espero que breve.
Poucos segundos antes da partida, a torcida fez as pazes com o craque responsável por mais de 30 gols pelo SPFC esse ano. Ídolo de sangue nos olhos, que cometeu um erro como todo ser-humano comete, mas estava lá com sua família, concentrado ao lado dos jogadores, e com o maior penar de doer o coração, ele estava fora do poster dos campeões. Mas a torcida não o desamparou "Luís Fabiaaaano! Luís Fabiaaano!"
Começa a partida, bola pra cá, tapa pra cá. Corre daqui, carrinho dali. Juiz, você é cego ou tem problema? Vinte minutos assim, com as mãos na cabeça, ronedo as unhas, cantando, almejando, pulando. "Sããão Paaaaulo! Sããão Paaaaulo!" e aos 22 minutos. ELE! Ele provou que a noite era dele, que a noite era nossa e para mais ninguém. Em um lance que começou nos pés do Jadson(obrigada!), para os pés do Willian José(obrigada!) e entre os zagueiros argentinos foi acabar entre nos pés do bem posicionado e craque Lucas. GOL! O gol da vitória é do LUCAS! Que momento de explosão! Que alegria era aquela? A gente vai ser mesmo campeão! Pular, gritar, se acabar, nada vai expressar suficientemente o que estou sentindo. Além da alegria de torcedor, existia um sentimento de gratidão e penar naquela comemoração: Valeu, Lucas e volta logo!
Menos de 10 minutos depois estavamos comemorando e tendo a certeza. Não improta quantos socos ou chutes eles sofressem, subiram ao campo para serem consagrados e levantarem a taça. Não iria frustrar 70 mil pessoas presentes e milhões em suas casas. Não iriam! Ele entraram para decidir e mostrar que o campeão voltou. Osvaldo marcou o gol que impediu que o Tigre retornasse dos vestiários no segundo tempo. Osvaldo evoluiu seu futebol maravilhosamente, parabéns!
Intervalo, a bateria não parou, as mãos continuavam em sintonia com a música. Pulos e cantoria "É o campeão dos campeões, tricolor querido... do coração! OoOoO!".
Voltam aplaudidos os jogadores do SPFC, sobem ao gramado e começam a se aquecer. Hora de cantar com mais força "Arere, São Paulo eu acredito em você!". Entendem? Nós acreditamos que seremos campeões hoje! E se passam mais 15 minutos, mais músicas... cadê o Tigre? Nas arquibancadas, ninguém sabia o que acontecia. Aglomerados se formavam em volta de algum torcedor que tivesse um radinho ou uma TV embutica no celular pegando para ter informações. Como assim? Eles não vão mais jogar? Vão anular esse jogo? Vai ter outra partida? Não aguento mais sete dias! Até que foi anunciado que os argentinos teriam 5 minutos para voltarem ao campo, caso contrário, o São Paulo seria oficialmente campeão da Copa Sul-Ameticana 2012. "O Tigre arregooooou... o Tigre arregooooou... o Tigre arregoooooooou OoOOOOO"
Sobe o trio de arbitragem ao gramado. Sozinhos, desacompanhados. Os jogadores do São Paulo estão reunidos no meio do campo. Os passos dos juizes até nossos atletas pareciam de tartarugas, nunca chegavam. Trocam algumas palavras quando se encontram. O juiz leva o apito à boca. Nós, lá da arquibancada, não enxergávamos direito. Mas os jogadores do São Paulo colocam em sintonia as mãos para o alto. BUM!!! Eu vou tomar um porre de felicidade! O estádio explodiu, o choro veio abaixo, os jogadores se abraçaram, todos os torcedores eram como uma família: se cumprimentando, abraçando, sorrindo, gritando. O São Paulo é campeão da Copa Sul-Americana 2012. Após 4 anos de silêncio, nós voltamos a calar o mundo "O campeão voltou!",
Em entrevista ao SPFC.Net, Lucas disse que seu maior sonho atualmente era entrar para a história do São Paulo trazendo títulos e se tornando um ídolo. Lucas, menino de ouro, você conseguiu. Com a faixa de capitão passada por Rogério Ceni, você ergueu a taça de campeão. Taça que você ajudou a conquistar com soberania. Você ainda será um dos melhores do mundo, digo isso com o pensamento de que você ainda será o melhor do mundo(tem chances sim!). Saiu daqui, 7 anos de luta, garra e esforço se resumiram naquele beijo que deu nas testas do Rogério, naquela ajoelhada perante ao símbolo do SPFC, na prece que fez a Deus quando o arbitro finalizou a partida. Lucas, conquiste o mundo e volte ao São Paulo, sua casa. Nós te aguardamos!
Ano que vem, ano de 2013 promete. Libertadores e Recopa são os primeiros alvos. Alias, a Recopa terá um brilho especial com nossa equipe reserva em campo, né? Sinceramente, não há do que se queixar, os segundo semestre de 2012 valeu pelos últimos 4 anos. Obrigada, Ney Franco pelo excelente trabalho. Hoje nós temos esperanças no amanhã!
Os jogadores do Tigre entraram para bater, nós entramos para ganhar.
77 anos de muitas glórias, 3 Libertadores, 3 Mundiais, 6 brasileiros, 1 Sul-Americana. São Paulo, parabéns por ser Soberano absoluto.
PS: Tigre da Gama, sim! Tô nem aí!
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