Fabrício chegou ao São Paulo como uma das maiores apostas da diretoria para dar ao elenco um perfil mais aguerrido, mas uma sequência de lesões musculares transformou o volante de candidato a ídolo a incógnita.
Em entrevista ao Estado, o jogador fala pela primeira vez sobre o período em que esteve afastado, as expectativas para o futuro e manda um recado aos torcedores.
Você fez praticamente uma segunda pré-temporada após sua última lesão (panturrilha direita). Como está fisicamente?
Estou me sentindo muito bem, fiz essa pré-temporada que era algo que não acontecia há quatro anos. Foi algo muito legal da parte do Reffis e dos médicos, para me darem uma base para aguentar até o fim do ano sem maiores sustos. Foram três semanas de treino físico e agora estou na parte com bola, que é mais adaptação. Tecnicamente é mais difícil, especialmente depois de um período longe, mas isso é questão de treino.

Em algum momento você pensou que demoraria tanto para voltar a jogar?
Achei que seria rápido, não esperei tudo isso. A gente tende a ser otimista e pensar que uma lesão é sempre coisa de 10 ou 15 dias. Isso nunca tinha acontecido comigo, mas o São Paulo sempre me deu a tranquilidade necessária para eu me recuperar com calma e jogar esse restinho de Copa do Brasil e todo o Brasileiro. É para isso que estou treinando agora.
Como está sendo esse período sem jogar?
Para mim é muito ruim, especialmente porque sempre desejei jogar aqui. Aí, quando chego ao meu objetivo, não consigo jogar? Pressão de torcida e dirigente sempre vai existir, mas com certeza nenhuma delas é maior do que a minha própria cobrança. É triste quando você chega em casa e vê seus companheiros lá em ação e você não consegue jogar.
Ficou com medo de ser chamado de "bichado" pela sequência de lesões?
Em nenhum momento, porque tenho uma mentalidade muito firme. Sou um cara trabalhador, esforçado e dedicado, mas temos lesões às vezes, isso acontece. Meu estilo é de doação e 100% de entrega em campo. Sempre correspondi às expectativas, e toda vez que deixei um clube foi de cabeça erguida. Essa fase de lesões passou, agora é hora de pensar positivo.
Denilson tem sido um dos mais elogiados por Leão e você deve ser seu substituto natural. Acha que está preparado?
O Denilson tem sido pouco falado e visto, mas sempre chamou a atenção para nós que vemos o futebol de outra maneira. Ele é uma das principais peças da equipe. Desarma e arma as jogadas, tem boa presença defensiva. É uma pena ir embora. Estamos muito bem de jogadores nessa posição, só tenho que esperar minha vez para mostrar meu trabalho. Se estou preparado ou não, a decisão será do Leão.

Como acha que sua presença em campo pode ajudar o time?
Minha característica é aquela que todos conhecem, marcar e sair para o jogo. Tenho meu jeito de ser, gosto de vencer e ser positivo. Gosto da vitória, é algo muito bom. Se isso é ser líder, então, acho que sou um.
Você teve poucas oportunidades para falar com os torcedores. O que diria a eles?
Você sabe como são essas coisas, jogador beija escudo de clube quando é contratado... Acho que o torcedor está meio cansado de recados, gosto de falar dentro de campo. Ainda não pude mostrar quanto gosto desse clube, mas espero que isso seja corrigido num futuro breve.