Em entrevista à Rádio Estadão/ESPN, o treinador adotou um tom mais ameno para falar de sua situação no clube e evitou as ironias que têm caracterizado seus discursos quando se refere aos dirigentes.
Leão finalmente concordou que existem divergências de pensamento, mas voltou a negar interferência em seu trabalho e se esquivou quando questionado sobre a falta de poder para indicar reforços, ponto mais recente de atrito entre as partes. “Há três semanas disse que não tinha sequela da minha parte, isso está definido na minha cabeça. Existem discordâncias naturais, ninguém pensa igual sempre, mas mais nada. O São Paulo em si tem uma linha de montagem de equipe definida por eles. O treinador é treinador, outros escolhem os jogadores”, afirmou, ao lembrar do caso do afastamento do zagueiro Paulo Miranda.
O fato é que dificilmente o treinador conseguirá consertar a situação. As muitas farpas lançadas nas últimas semanas irritaram os dirigentes e talvez nem o título da Copa do Brasil o segure no cargo, embora conquistar o troféu seja a grande aposta do treinador para não ser demitido. Leão também insiste no seu índice de pontos conquistados para comprovar o bom trabalho à frente do Tricolor, e toca no assunto em praticamente todas as entrevistas. Apesar do discurso otimista, nem mesmo o técnico descarta perder o emprego. “Se eu treinasse tênis, xadrez, basquete, vôlei, era uma coisa. Mas no futebol, tudo pode acontecer. É outro mundo.”

Os dois lados tentam contornar o desgaste evidente, e a diretoria tem dado declarações defendendo o trabalho de Leão e garantindo sua permanência no cargo. Reservadamente, porém, os próprios dirigentes ironizam o técnico e dizem que sua língua afiada foi a responsável por mantê-lo por tão pouco tempo nos últimos clubes em que trabalhou. Nem mesmo a confiança de Juvenal Juvêncio, um dos seus últimos apoiadores, deve garantir sua continuidade.
O presidente avalia como boa a gestão do técnico, mas não deve ter a mesma disposição para bancá-lo sozinho como teve quando manteve Muricy Ramalho à época das eliminações da Libertadores. O hoje treinador santista por sinal foi o último a sobreviver às crises do Morumbi sem ser sacado.
Enquanto diminui a enorme pressão nos bastidores, Leão trabalha para classificar o time para as semifinais da Copa do Brasil, e não terá Paulo Miranda e Denilson. Sem volantes marcadores, precisará improvisar ou mandar a campo um time com três zagueiros. Basta um empate ou até derrota por um gol para o Tricolor avançar. Resta saber se o resultado vai aliviar a situação do técnico com os chefes.