Juvenal Juvêncio sempre comandou o São Paulo com pulso firme.
A postura dele recebeu elogios no período do tricampeonato brasileiro e críticas nos tempos de vacas magras do time.
O presidente, por causa da forma como administra o clube, já foi acusado de ser ditador, centralizador e arrogante.
Não me lembro de alguém chamá-lo de covarde.
Seus diretores e assessores pensam duas vezes antes de questioná-lo.
Os jogadores costumam respeitá-lo bastante tal qual fizeram Muricy, Ricardo Gomes, Carpegiani e Adilson, treinadores na gestão dele.
A exceção é Émerson Leão.
O técnico, irritado porque não participa da formação do elenco, faz questão de provocar e desafiar o patrão.

Defende até os atletas sem moral com a torcida do hexacampeão no Brasileirão.
Reclamou, por exemplo, das transferências de Jean e Carlinhos Paraíba.
O primeiro é reserva de Diguinho no Fluminense e perdeu um gol-feito na derrota dos cariocas para o Boca. Repetiu o desempenho das eliminações são-paulinas no paulistinha e na Copa do Brasil em 2011.
O segundo não tem a menor condição de ser titular em equipes grandes e fortes.
O ex-goleiro continuou a sessão de porradas no presidente, ontem (sexta-feira), ao parabenizar quem saiu e foi campeão estadual.
Se referiu a Dagoberto, Juan, Cléber Santana e Jean.
Todos, na minha opinião, não deveriam ter continuado no Morumbi.
Perspicaz, percebeu a preocupação de Juvenal com as reações da opinião pública após cada decisão da presidência.
Notou também o crescimento do índice de rejeição do cartola junto ao torcedor.
Talvez ache até que o chefe amoleceu e não é mais o mesmo.
Leão está deitando e rolando por saber que o patrão, agora, dificilmente terá peito de mandá-lo embora.
Se o fizer, chamará para si a responsabilidade em caso de perda do título da Copa do Brasil.
O técnico ganhou do desafeto o melhor e mais caro elenco do campeonato e aposta, por isso, na inédita conquista.
Juvenal, João Paulo de Jesus Lopes e Adalberto Batista, responsáveis pelo futebol no São Paulo, acham o trabalho do treinador ruim.
Estão certos na avaliação, porém tomam um baile político do profissional ressuscitado por eles mesmos para o mercado de trabalho.
Encontraram o que procuraram.
Complemento
Vale lembrar que a Copa do Brasil terá uma paralisação de três semanas após a rodada de quarta-feira.
Se o São Paulo confirmar o favoritismo contra o Goiás, a cartolagem do Morumbi terá a chance de trocar de treinador, pois o substituto ganhará um importante tempo de adaptação antes da semifinal do torneio.