Garantido no cargo, o comandante são-paulino foi bem mais ríspido do que o normal em sua entrevista coletiva, concedida já na madrugada de sexta-feira, no estádio do Morumbi. Questionado se corria algum risco, o treinador fechou a cara e carregou na ironia:
– Aquele que pensa pequeno nunca será grande. O caldeirão não ferveu porque o fogão da minha casa estava quebrado, o técnico iria arrumar, mas eu ainda não voltei para conferir.
– A verdade é que uma equipe que chega a quase 80% de aproveitamento na temporada não pode ser menosprezada e ofendida – emendou o treinador, também ironizando uma frase dita por Luis Fabiano em entrevista coletiva na última quarta-feira.
O outro momento de tensão mostrado por Leão foi quando ele foi questionado sobre como seria o seu relacionamento com os principais dirigentes do clube, o presidente Juvenal Juvêncio, o vice de futebol, João Paulo de Jesus Lopes e o diretor Adalberto Batista.

– Existem lugares onde você trabalha seis, sete meses e não ganha um parabéns. Em outros, existe mais festa, mais comemoração. Você não pode se deixar levar por isso. O meu relacionamento com todos eles é igual, nada mais do que isso – afirmou.
O fato é que, com Juvenal e João Paulo, o relacionamento é bem mais tranquilo do que com Adalberto Baptista. O estilo do dirigente, que está sempre em campo, não agrada ao treinador, embora nenhuma das partes admita isso publicamente. A vitória sobre a Ponte, além de dar sobrevida ao treinador, o fortaleceu ainda mais com os jogadores, principalmente após o episódio Paulo Miranda, quando o zagueiro foi afastado mesmo sem a concordância do treinador.
Com a vaga garantida, o treinador deverá recolocar o beque na equipe, mesmo sabendo das restrições que os dirigentes têm com o atleta. Pelo menos nas próximas duas semanas, Leão terá tranquilidade para exercer o seu trabalho. Oficialmente, o discurso será de apoio total e irrestrito. Mas, para quem conhece os bastidores do Tricolor, a história é bem diferente.