O afastamento de Paulo Miranda à revelia de Emerson Leão foi mais uma prova que Juvenal Juvêncio manda sozinho no São Paulo. Enquanto o presidente usufrui da sua inesgotável força política para impor suas vontades, os poucos opositores que restaram tentam organizar um discurso uníssono, mas ainda carecem de unidade.
O reconhecimento da fraqueza partiu de Edson Lapolla, candidato derrotado nas últimas eleições, realizadas no ano passado. "Os títulos do clube minaram a oposição, que foi diminuindo e tomando uma situação passiva diante de tudo o que veio acontecendo. É preciso reconhecer que o Juvenal é muito cativante. Temos uma minoria de conselheiros que não se posicionam", afirmou o conselheiro.
Em meio a medidas que têm desagradado à torcida (como a alteração no estatuto que o permitiu disputar um terceiro mandato), os opositores procuram meios de enfraquecer Juvenal diante do Conselho Deliberativo. Para se ter ideia do conforto que Juvenal goza, ele massacrou o rival por 163 votos a 7 e tem o conselho nas mãos.
Para Lapolla, as pessoas têm medo de vingança. "Ele tem uma força política muito forte fora do São Paulo e as pessoas acham que ele pode querer retaliá-las fora do clube", acusou o opositor.
Livre para agir, Juvenal tem tomado as decisões cada vez mais baseadas em sua própria vontade. Foi assim em casos como as de missões de Muricy Ramalho e do fisiologista Turíbio Leite de Barros e na aventura de efetivar Sergio Baresi, campeão da Copa São Paulo de Juniores em 2010, como técnico da equipe principal.
O estilo "trator" inclusive já o afastou de Marco Aurélio Cunha, ex-superintendente que se desligou do cargo após perceber que estava perdendo espaço. Atualmente, apenas o "núcleo duro" formado pelo diretor de futebol, Adalberto Baptista, e pelo vice de futebol João Paulo de Jesus Lopes, tem influência nas decisões, mas a palavra final é sempre dele. "Ele toma as decisões da cabeça dele, como no caso do Paulo Miranda. Ninguém fala não para ele", criticou Lapolla.
A opinião foi partilhada por outro conselheiro ouvido pelo Estado, que preferiu não se identificar. Para ele, Juvenal se apaixonou pelo poder e esqueceu de olhar para "sucessivos e graves erros de administração".
Temeroso com o futuro, Edson Lapolla concluiu suas críticas com um panorama sombrio. "Conheci apenas duas pessoas que conseguiam pôr freio nele: Marcelo Portugal Gouvêa (ex-presidente) e Cláudio Aidar (ex-presidente interino e dos conselhos deliberativo e consultivo). Infelizmente, Deus já os levou."
Isolada, oposição procura discurso contra Juvenal
Edson Lapolla, candidato derrotado na última eleição, puxa críticas, mas falta de sintonia fortalece o presidente
Fonte Blog do são paulo
8 de Maio de 2012
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