
Quem tem vaga mais garantida é Denis. No domingo, logo após espalmar para dentro de sua meta um chute de Neymar e definir a derrota por 3 a 1 em meio à pressão do Tricolor em busca do empate, o goleiro ouviu a torcida gritar o nome do titular Rogério Ceni, vetado nesta temporada para se recuperar de cirurgia no ombro direito.
Porém, ao contrário do que fizeram Corinthians e Palmeiras – Julio Cesar e Deola tiveram falhas decisivas nas eliminações das equipes nas quartas de final do Estadual e viraram reservas –, o gol são-paulino segue com o mesmo dono. “O Denis está escalado, nem pensei em tirá-lo. A infelicidade existiu, foi uma realidade, mas que vire a página e vá aumentar a espessura da sua carapaça”, afirmou Leão.
Denis demonstrou certo abatimento com seu erro. Sempre solícito a entrevistas, deixou o campo sem falar com ninguém. Mas a reação não motivou o técnico a procurá-lo para uma conversa particular. O comandante gostou do que ouviu de todo o grupo no vestiário depois do clássico, incluindo o que foi falado sobre o goleiro.
“Existe uma diferença entre um acidente de trabalho e ter uma regularidade baixa. O Denis ainda não teve essa regularidade baixa e esperamos que não tenha. Trabalhei 24 anos ali, tive dias de gloria e de decepção. Para o goleiro ser um especialista, os dias de glória devem ser infinitamente maiores que de decepção”, ensinou Leão.
O ex-goleiro aponta que o santista Rafael, considerado por muitos como esperança da Seleção Brasileira na posição, falhou aos dez minutos de jogo em cabeçada de Paulo Miranda que acertou a trave. Se aquela bola balançasse as redes, o clássico estaria empatado por 1 a 1 naquele momento e, na opinião de Leão, o zagueiro não seria tão cobrado por ter cometido pênalti com menos de dois minutos de partida e não ter parado Neymar no segundo gol adversário.
“Ele foi exposto por uma falha nossa no lateral, nada mais do que isso. Pelas chances que tivemos, o adversário ficou muito mais exposto que nós. Se ele tivesse feito um gol de cabeça, aí o erro apareceria do outro lado”, projetou o comandante sobre o defensor que chegou a ser “leiloado” por um torcedor a R$ 1 em site de vendas.
Em relação a Paulo Miranda, Leão até tentou brincar que poderia sacá-lo, mas não cansa de defender o zagueiro “simples, rebatedor e vigoroso”, características que considera qualidades na posição. Por isso, o contestado camisa 13 está mantido. “Eu, como treinador, se for necessário e quando for necessário, vou ter percepção para corrigir”, prometeu.