Presidente do STJD dá prazo final: 'Caso Oscar será julgado em maio'

Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, Rubens Approbato garantiu que vai encaminhar processo para comissão disciplinar em até 20 dias

Fonte Globo Esporte
Próximo de um desfecho final, o imbróglio jurídico envolvendo o jogador Oscar, o Inter e o São Paulo é tratado como prioridade no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que ofereceu denúncia nesta quarta-feira contra o clube gaúcho e o seu presidente Giovanni Luigi por dificultar o retorno do atleta à equipe paulista. Em contato com o GLOBOESPORTE.COM, o presidente do STJD, Rubens Approbato, garantiu que o caso irá a julgamento no mês de maio. Segundo ele, o processo será encaminhado para uma comissão disciplinar que dará prioridade ao assunto.
- Posso garantir que o caso do jogador Oscar será julgado no mês de maio. Ainda deve demorar de 15 a 20 dias para tudo se encaminhar efetivamente. Mas deste prazo não passa, garanto a vocês – revelou. - Por motivos óbvios, eu não posso adiantar minha análise, mas vou avaliar a denúncia e encaminhar para uma das comissões disciplinares do STJD. A partir daí, todas as partes envolvidas serão convocadas e haverá uma audiência. Se a comissão entender que houve descumprimento de medida judicial, impõe a pena. Se não, o caso será arquivado - disse.
A pena pode variar de R$ 100 a R$ 100 mil, mais fixação de prazo para o retorno do jogador. No entanto, poderá ser substituída por uma advertência se a comissão disciplinar entender que trata-se de um caso de menor gravidade. Se condenados, os dirigentes do clube serão suspensos. Há também a possibilidade de o Inter sair vencedor da batalha e manter o vínculo com o jogador.
O Caso Oscar está sendo analisado por duas justiças especializadas, a do trabalho e a desportiva. A Justiça do Trabalho decidirá o vínculo empregatício do atleta. Já a Desportiva julgará o Inter e o presidente Luigi por dificultar o retorno de Oscar ao São Paulo, com base no artigo artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), por "deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de obrigação legal e de deliberação, resolução, determinação, exigência, requisição ou qualquer ato normativo ou administrativo do CNE ou de entidade de administração do desporto a que estiver filiado ou vinculado".
- Quero deixar claro que nada foi definido ainda e que não depende de mim. Mas se isso acontecer, se o Inter for mesmo punido, os responsáveis terão de se afastar das suas atividades, serão suspensos – esclareceu o presidente da entidade, referindo-se a Luigi, que poderá perder o mandato até que o processo esteja concluído, segundo Approbato.
Com extremo cuidado nas palavras para não ser “mal interpretado”, Rubens Approbato defendeu o cumprimento de ordens judiciais e comentou a postura do Inter em deixar o jogador treinando normalmente no Estádio Beira-Rio. Porém, deixou claro que não está emitindo uma opinião pessoal, apenas baseando-se em fatos.

- As medidas judiciais existem para serem cumpridas. Quando a Justiça determinou a volta do jogador ao São Paulo, ele deveria ter retornado. Contudo, o que ocorreu foi que o atleta continuou treinando com o Inter. Portanto, houve o descumprimento de uma ordem judicial – afirmou.
Approbato lembrou que a defesa poderá recorrer da decisão do STJD se julgar necessário. Questionado se o Caso Oscar é um dos mais complexos que já tratou, minimizou a polêmica.
- Caso assim é o que não falta no mundo do futebol. Sempre aparece algum problema parecido. Muitas vezes o julgamento fica difícil por causa das partes envolvidas. É normal - concluiu.
Entenda o caso
Depois de uma longa batalha jurídica, o São Paulo recuperou os direitos federativos do meia Oscar. Os desembargadores da 16ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo deram, por unanimidade (três votos a zero), provimento ao recurso do Tricolor.
Aos 18 anos, Oscar entrou na Justiça contra o São Paulo, no dia 18 de dezembro de 2009. Ele alegou que, quando tinha 16 anos, foi coagido pela diretoria tricolor a assinar um contrato com validade de três anos, o que é proibido pela Fifa. O atleta ainda reclamou de estar com os salários e FGTS atrasados desde setembro de 2008.
Em primeira instância, Oscar foi vitorioso e conquistou a liminar que o tornava dono dos próprios direitos federativos. Menos de uma semana após, o São Paulo conseguiu cassar essa liminar, o que fez com o que contrato do atleta, que acaba em dezembro de 2012, voltasse a ter validade.
Oscar e o São Paulo passaram cerca de seis meses entre tentativas de acordo e disputas judiciais. Em junho de 2010, o meia conseguiu a liberação de seu vínculo e assinou com o Internacional.
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