Aos 19 anos, o meia já se acostumou às botinadas dos rivais. Em entrevista ao JT, ele contou que apanhava até mais no tempo em que atuava nas categorias de base do São Paulo, mas sente que tem mais risco de se machucar entre os profissionais. E, assim como Neymar, reclama que está marcado por alguns árbitros por frequentemente cair ao fim das jogadas. “Alguns acham que estamos simulando.”
As críticas à sua falta de espírito coletivo, há um mês, mexeram com sua autoestima?
Procuro deixar os problemas fora de campo, levo como motivação, não posso deixar me atrapalhar. Críticas haverá sempre. Não busco provar nada para ninguém, mas para mim mesmo.

Você sente que precisa brilhar a cada jogo para calar os críticos?
Às vezes você faz um jogo maravilhoso hoje, aí vira craque e rei. Amanhã, quando não vai tão bem, já não serve mais, não é tudo aquilo e começam a duvidar do seu futebol. A gente sabe que o futebol é feito de resultados. Então, as críticas não me abalam e os elogios não me iludem mais. Procuro apenas fazer o meu melhor todos os dias.
No ano passado, você teve problemas para aceitar a marcação mais forte. Já se acostumou?
Desde que comecei a jogar, por causa do meu estilo, apanho muito. Partia muito para cima, às vezes carregava demais a bola e acabava chamando a falta.
Nesta temporada, acredita que está mais visado pelos rivais?
Às vezes era até pior nas categorias de base. O jogo lá era mais corrido e não tinha tanta disciplina tática. Além disso, não havia tanta câmera em campo, tinha menos gente olhando. Acabava apanhando mais. Mas, em contrapartida, no profissional a força é maior e a chance de acabar me machucando também é.
A arbitragem tem protegido os atletas mais habilidosos?
É difícil, mas acho que a arbitragem não protege tanto a gente. Isto não é um apelo, mas tem de proteger quando houver falta. Tem de proteger a justiça dentro do campo. Às vezes eles esquecem que eu e o Neymar, por exemplo, vamos cair porque nosso porte físico é menor do que o de zagueiros e volantes. Acham que estamos simulando ou nos jogando. Acho que falta um pouco essa consciência.

Teme ficar marcado?
Procuro sempre ficar em pé e continuar no lance para tentar finalizar ao gol. Acho que por isso não tenho fama de cai-cai. Procuro fazer bastante academia para segurar mais o tranco e ficar de pé nas jogadas.
Há mais violência na marcação quando está em boa fase?
Sim. Quanto mais procurado dentro do campo, é sinal de que se está fazendo um bom papel, pois querem te parar de qualquer maneira. Depende do meu crescimento. Quanto mais vou aparecendo e me destacando na carreira, mais fico marcado. Mas isso não me incomoda, vou continuar partindo para cima.
Além das entradas violentas, tentam intimidar de outro jeito?
Não aconteceu muito no profissional. Nas categorias de base acontecia mais, de dizerem que iriam me quebrar.
No Santos, o Neymar tem resolvido muitos jogos. Sente que pode fazer o mesmo no São Paulo?
Com certeza, isso inspira a gente. Ver um amigo como o Neymar jogando assim me inspira a tentar jogar melhor. Ver jogadores como ele e o Messi fazendo grandes jogos me motiva.
Qual é a sua meta para este ano?
A gente é movido a objetivos. Eu botei na cabeça que quero ganhar o meu primeiro título como profissional neste ano e fazer parte dos Jogos Olímpicos.