Num clássico repleto de jogadores de seleção, sob os olhares de Manos Menezes na tribuna, as estrelas brilharam no Morumbi. O São Paulo viu a redenção de Lucas, enfim decisivo num clássico, para buscar a épica vitória por 3 a 2, com um a menos, na raça, do jeito que a torcida tricolor vinha exigindo. E o Santos de Neymar, mesmo desgastado pela viagem até o Peru, foi valente para buscar duas vezes o empate e dar mais emoção ao dérbi.

vipcomm
Não faltaram sobressaltos ao time são-paulino para superar a sina de tropeçar nos clássicos. O ataque perdeu a chance de matar o jogo no primeiro tempo, o técnico foi omisso diante da anunciada expulsão de Rodrigo Caio e Casemiro, que abriu o placar com um golaço, quase saiu como vilão ao ser desarmado no lance do segundo gol santista. Mas o que encheu os olhos da torcida foi mesmo a força da superação: contra um dos melhores times do País, ídolos como Lucas e Luis Fabiano apareceram para que o time se impusesse.
O ceticismo da torcida tricolor para a temporada, aos poucos, dá lugar à esperança. Com futebol agressivo, os primeiros trinta minutos do Tricolor no jogo foram os melhores da equipe até agora em 2012. O time do Morumbi esmagou a equipe de Muricy Ramalho e poderia até ter goleado.
Do outro lado, porém, Neymar fez de tudo para tentar estragar a festa dos são-paulinos. Inteligente, soube explorar a marcação de Rodrigo Caio e tanto fez que conseguiu deixar o Alvinegro com um a mais logo no início do segundo tempo. Nos dribles, deu calafrios na torcida adversária e calou o estádio ao marcar o segundo gol. Mas ontem era um raro dia de ser coadjuvante. A tarde era mesmo de Lucas.
Independentemente de quem seja o herói, o clássico com nomes como Neymar, Lucas, Luis Fabiano e Ganso foi um daqueles jogos para ser desfrutado, e os cinco gols só adicionaram emoção a um embate em alto nível. Além das estrelas, Mano Menezes também viu jogadores como Cícero e Arouca fazerem grande partida. Jadson, por outro lado, ainda não justificou o porquê de ter sido convocado pelo treinador no ano passado.
Domínio inicial. O São Paulo não esperou pela postura do rival. Nos primeiros 25 minutos foram pelo menos cinco chances claras. O único gol, porém, foi de Casemiro, aos 8, em chute de fora da área que desviou em Edu Dracena. A primeira chance do Santos só veio no fim da etapa inicial. Na saída para os vestiários, havia a certeza de que os santistas estavam no lucro com a derrota por apenas um gol.
E a punição ao Tricolor veio aos 6 do segundo tempo, com o gol de cabeça de Edu Dracena após cobrança de escanteio. A reviravolta veio com a expulsão de Rodrigo Caio, que tomou o segundo amarelo dois minutos depois. Leão, que manteve o volante (ontem atuou de lateral-direito) em campo, não podia reclamar da falta de sorte.
Na defensiva, seria difícil segurar Neymar e cia. Ganso, apagado até então, tomava conta do meio-campo. Mas uma arrancada de Lucas deu origem ao pênalti em Luis Fabiano, que o próprio camisa 9 converteu. Mas o empate no gol de Neymar, aos 31, fez jus à superioridade santista.
Quando a igualdade parecia inevitável, Lucas outra vez usou sua arma mortal. Puxou contra-ataque em alta velocidade pela ponta direita e tocou para Cortez no meio. O passe saiu um pouco atrás e o lateral chutou na trave, mas parecia justiça divina. Numa tarde em que não fugiu à luta, Lucas pegou o rebote para fazer explodir o Morumbi.