
São Paulo será o campeão?
Ainda dá
Devo dizer que eu ficaria mais satisfeito, como apreciador de futebol, se o equilíbrio da disputa se devesse ao alto nível de jogo exibido pelos seis candidatos. Infelizmente, não é o caso. Nem é que os favoritos estejam jogando um futebol feio. Não seria justo falar isso.
O problema é que os líderes estão atuando com enorme irregularidade.
Para cada grande partida, para cada vitória heroica, logo surge um tropeço inexplicável e doloroso. Essa autêntica esquizofrenia dos seis primeiros colocados garante a emoção, mas acaba com os nervos dos torcedores, que não sabem o que esperar de seus times rodada após rodada. E já que mencionei os nervos das torcidas, aproveito para repudiar a atitude dos pretensos torcedores do Palmeiras que agrediram covardemente o atleta João Vitor. Nada justifica esse tipo de violência - e eu achei a reação das autoridades diante do grave caso muito amena.
Já escrevi várias vezes aqui: ainda veremos um jogador de futebol ser assassinado por esses grupos de talibãs das arquibancadas. Só então, talvez, os dirigentes do futebol despertem para a monstruosidade que estão deixando ganhar força sob as próprias barbas. Esse filme da violência das torcidas organizadas já foi visto e revisto em países como a Inglaterra (onde foi solucionado) e a Argentina (onde as coisas só se agravam). Lamentavelmente, apesar de todos sabermos até que terrível ponto chegará essa história de torcidas organizadas bancadas por cartolas e jogadores dos clubes, nós continuamos levando as coisas em banho-maria, pagando para ver, torcendo - apenas torcendo - para que nada de mais grave ocorra.
Precisamos de menos torcida e mais ação. A Inglaterra tem a receita completa para acabar com essa estupidez, embora, garanto, ela não passa pelo temor às organizadas. Muito pelo contrário: será preciso enfrentá-las com medidas impopulares. Trata-se de uma luta dura, mas que, se bem conduzida, poderá devolver a família brasileira aos estádios.
Dito isso, volto aos assuntos de dentro de campo. Embora não seja possível apontar um favorito ao título nacional, é possível projetar que o primeiro dos seis times a romper com a maldição da irregularidade será o campeão. Se um desses seis times engatar quatro vitórias seguidas nas nove rodadas que faltam - dez, no caso do Botafogo -, colocará a mão na taça. Não podemos nos esquecer de que haverá muitos confrontos diretos entre os líderes, o que reforça ainda mais a importância de qualquer sopro de consistência na reta final.
Cada time tem sua própria receita para o título. A do Corinthians é reeditar a extraordinária sequência das primeiras rodadas. O Vasco precisa aprender a não perder pontos para os times do fundo da tabela.
O Botafogo, antes de mais nada, deve vencer o jogo atrasado contra o Santos - além de acreditar mais no próprio potencial. O São Paulo tem que mostrar que também pode vencer os grandes confrontos. O Flamengo precisa voltar a jogar bem, pois tem vencido sem convencer. Já o Fluminense deverá provar ser capaz de voltar a vencer clássicos estaduais, pois decidirá sua vida contra Vasco e Botafogo, nas duas últimas rodadas. Quatro pontos separando seis clubes. É pouco. É muito pouco. É quase nada.