
O resultado mantém o tabu favorável ao São Paulo, de não perder para o Cruzeiro, em Campeonatos Brasileiros, desde 2004. Com o empate desta quarta-feira, já são 13 jogos sem triunfos celestes. Mas, mesmo com o resultado ruim, o confronto serviu para que o atacante Keirrison desencantasse e marcasse o primeiro gol com a camisa celeste. Do lado são-paulino, foi mais uma partida sem que Luís Fabiano balançasse as redes, nesta segunda passagem pelo Tricolor. E não foi por falta de oportunidade. Ainda no primeiro tempo, o Fabuloso perdeu um pênalti, defendido por Fábio.
Com o resultado, o São Paulo chegou aos 47 pontos e se manteve na terceira posição na tabela de classificação, três pontos atrás do Vasco e um do Corinthians. O Cruzeiro também ficou estacionado no mesmo lugar, na 16ª colocação, mas com 30 pontos, a três do Atlético-PR, primeira equipe na zona de rebaixamento.
Agora, na próxima rodada, o Cruzeiro vai a Salvador, onde encara o Bahia, na quarta-feira, às 21h50m (de Brasília), em Pituaçu. Já o São Paulo receberá, no mesmo dia, o Internacional, às 16h, na Arena Barueri.
Keirrison desencanta
Mesmo com a crítica situação na tabela de classificação, sem vencer há oito jogos, a torcida do Cruzeiro resolveu apoiar a equipe desde o início da partida e, com muitos gritos, incentivou o tempo todo. No Tricolor, a novidade foi a escalação de Rivaldo como titular. O técnico Adilson Batista sacou Casemiro para dar oportunidade ao veterano meia.
O jogo começou muito truncado, com forte marcação de ambos os lados. Com a corda no pescoço, próximos à zona de rebaixamento, os jogadores da equipe celeste, em determinados momentos, até exageraram, com entradas mais fortes.
A torcida são-paulina, também com boa presença no estádio, provocava os cruzeirenses com gritos de “ão ão ão, segunda divisão”. Montillo, o maestro argentino, não se importou e, aos 11 minutos, tocou para Keirrison abrir o placar e dar a resposta que os torcedores celestes tanto queriam. Foi o primeiro gol do atacante com a camisa da Raposa.
O gol dos donos da casa fez com que o São Paulo buscasse o ataque com mais insistência. Jean, aos 23 minutos, acertou uma bomba na trave de Fábio, que ficou batido no lance. Mais presente na frente, o time paulista cedia vários contra-ataques para a Raposa.
Aos 30 minutos, a melhor chance do jogo para o São Paulo. O empate esteve nos pés de Luís Fabiano, que desperdiçou uma penalidade marcada pelo árbitro Paulo Henrique Godoy Bezerra, que entendeu que Cícero foi derrubado por Fábio. O goleiro cruzeirense defendeu a cobrança e evitou que o Fabuloso marcasse o primeiro gol nesta segunda passagem pelo time paulista.
O São Paulo ainda teve mais uma grande chance de igualar o marcador, com Dagoberto, que tocou por cima de Fábio, mas Everton, muito esperto, tirou a bola quase em cima da linha. Ao fim da primeira etapa, os jogadores do Cruzeiro foram ovacionados pela torcida. Fato raro nos últimos jogos.
Segundo tempo
O jogo ficou aberto, com as duas equipes em busca do gol a todo momento. O Cruzeiro queria o segundo para definir a partida o quanto antes e ter a tranquilidade nos minutos finais. O São Paulo buscava esfriar de vez uma possível reação cruzeirense na competição. E foi o Tricolor que coseguiu o objetivo, com Cícero, que tabelou com Luís Fabiano e tocou por baixo de Fábio, aos 14 minutos. Silêncio sepulcral no lado azul do estádio.
E o caldo da Raposa entornou de vez. Cinco minutos depois, Dagoberto driblou desde a intermediária, penetrou como quis e tocou por cima de Fábio. Um golaço! A alegria do atacante contrastava com o desespero do goleiro cruzeirense, que esbravejava diante de uma defesa atônita.
Mas o Cruzeiro chegou ao empate. Aos 26 minutos, Charles pegou um rebote, após cobrança de falta, e deixou tudo igual. A torcida celeste se encheu de esperança e voltou a incentivar a equipe. Mas o São Paulo voltou a ficar na frente. Aos 31 minutos, Dagoberto deu passe primoroso na cabeça de Juan, que só teve o trabalho de cabecear para as redes. Mas Anselmo Ramon empatou pouco depois, aos 34. Jogo eletrizante em Sete Lagoas.
No fim, Denílson ainda foi expulso, após falta em Charles. Final: 3 a 3, em uma partida memorável.