Na última terça-feira, Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, instituiu uma comissão especial para examinar o contrato recentemente firmado com a Ticketmaster, responsável pela gestão de ingressos do estádio do Morumbi. A iniciativa surgiu após um questionamento de Cesar Augusto Sbrighi, Country Manager da NewC no Brasil, sobre a transparência do processo de seleção da empresa.
A NewC, que participou da concorrência para substituir a Total Acesso, atual gestora, levantou questões sobre o convite formal para a disputa. Embora tenha se manifestado em abril, a empresa alega que sua inclusão no processo ocorreu tardiamente, quando a escolha pela Ticketmaster já estava em andamento, segundo o relato de Sbrighi.
O gerente da NewC destacou que, ao serem convidados a apresentar uma proposta, foram informados que a documentação utilizada não refletia a versão correta do edital de concorrência. Além disso, a empresa expressou preocupações sobre a complexidade das condições comerciais que poderiam ser impostas por uma das concorrentes, em relação à oferta de camarotes corporativos no Morumbi.
Em termos financeiros, a proposta da NewC era de uma antecipação de R$ 90 milhões, com um modelo de operação que buscava arrecadar até R$ 500 milhões. Em contrapartida, a Ticketmaster ofereceu uma antecipação de R$ 110 milhões, com um contrato que estipula um retorno mensal limitado de R$ 1,8 milhão, independentemente da receita total obtida no mês.
O novo acordo com a Ticketmaster também inclui investimentos em infraestrutura, como a reforma do museu do clube, além de um pagamento pela utilização de um camarote no Morumbi. Essa proposta, no entanto, ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo do São Paulo, que deverá avaliar os termos antes da formalização do contrato.
O cenário atual revela um embate de versões entre as partes envolvidas, com a NewC se mostrando disposta a retomar as negociações, caso o clube manifeste interesse. A situação destaca a importância da gestão de ingressos para a saúde financeira do São Paulo, especialmente em um momento em que a eficiência operacional é crucial para o sucesso nas competições.