O São Paulo Futebol Clube está passando por um momento decisivo em sua gestão financeira, com a recente criação de uma comissão especial pelo Conselho Deliberativo, presidido por Olten Ayres de Abreu Júnior. Este grupo foi estabelecido para examinar o contrato firmado com a Ticketmaster, que assumirá a administração de ingressos do Morumbi a partir de 2027, em um cenário de transição da Total Acesso.
A comissão, composta por quatro conselheiros, atuará com prioridade para esclarecer dúvidas levantadas sobre o processo de seleção da Ticketmaster. O clube havia aberto um edital público em abril, recebendo propostas de seis empresas interessadas, das quais apenas Ticketmaster e NewC avançaram na disputa. A escolha da Ticketmaster se deu devido às condições mais favoráveis apresentadas em relação ao contrato.
O Conselho Deliberativo recebeu o documento final da parceria em 27 de agosto, mas a NewC levantou questionamentos sobre a concorrência no dia seguinte, motivando a formação da comissão para investigar as alegações. A avaliação do acordo será crucial antes da votação final pelo Conselho, uma vez que já obteve a aprovação do Conselho Administrativo.
A proposta da Ticketmaster inclui uma antecipação de R$ 110 milhões para o São Paulo, que poderá ser utilizada de maneira flexível pelo clube. Este valor deve ser devolvido em um período de cinco anos, com juros atrelados ao CDI mais 1,99%. Além disso, a Ticketmaster realizará um pagamento de R$ 30 milhões pelo uso de um camarote no Morumbi e investirá R$ 6 milhões na reforma do museu do clube.
Um aspecto importante do contrato é a definição de um limite mensal de devolução de R$ 1,8 milhão, independentemente da receita total obtida, o que poderá impactar a gestão financeira do clube, especialmente em meses com baixa arrecadação. A negociação também abrange a administração do programa de sócio-torcedor, atualmente sob responsabilidade da Feng, com o objetivo de melhorar a eficiência e reduzir custos.
Se a parceria for aprovada, seu início está previsto para 1º de janeiro de 2027, logo após o término do vínculo com a Total Acesso. O acordo, que prevê a antecipação total de R$ 140 milhões ainda este ano, é visto como uma solução para quitar dívidas de curto prazo, incluindo pendências de direitos de imagem com os jogadores, que já se acumulam há mais de dois meses.
A urgência na liberação desses recursos é uma preocupação constante para a gestão do clube, que se comprometeu a resolver as pendências financeiras com o elenco, mas não cumpriu a promessa anterior. A pressão das torcidas organizadas também aumenta a necessidade de soluções rápidas, o que torna a análise do contrato com a Ticketmaster um passo fundamental para o futuro financeiro do São Paulo.