O São Paulo conseguiu um bom resultado na altitude. O empate por 1 a 1 com o Bolívar, em La Paz, deixou a decisão das oitavas de final da Copa Sul-Americana para o Morumbis. Arboleda marcou para o Tricolor, que sofreu o empate no segundo tempo e agora precisa de uma vitória simples para avançar às quartas.
O problema é que, antes da decisão continental, há uma questão ainda mais urgente: o Campeonato Brasileiro.
O São Paulo ocupa a 12ª posição, com 26 pontos, e está apenas quatro pontos à frente do Santos, primeiro time dentro da zona de rebaixamento.
Com o cenário delicado, a tendência é que Dorival Júnior não poupe forças contra o Coritiba, no sábado, dia 15. Três dias depois, o Bolívar volta ao Morumbis. Na sequência, o Tricolor viaja para enfrentar a Chapecoense, no dia 23.
A maratona de jogos
A sequência exige atenção, mas o calendário também oferece algum alívio.
Depois de Chapecó, o São Paulo terá quatro partidas do Brasileiro na capital paulista: Bragantino, Atlético-MG, Palmeiras e Internacional.
Ou seja, o problema não está necessariamente em uma sequência insana de jogos a cada dois ou três dias. O desafio é conciliar duas competições enquanto o time ainda busca estabilidade no Brasileiro.
E aí entra o elenco.
Muitos jogadores disponíveis, mas pouca profundidade
De acordo com o seu site oficial, o São Paulo tem 37 jogadores no elenco principal, com mais alguns jovens vindo sempre das categorias de base.
Considerando os quatro atletas atualmente listados no departamento médico — Lucas Moura, Rafael Tolói, Artur e Lucca —, cai para menos de 35.
Uma parte significativa do grupo é formada por jogadores jovens, com pouca ou nenhuma participação no profissional. Na prática, Dorival conta com um núcleo bem menor para disputar partidas de maior exigência.
O problema fica ainda mais evidente quando aparecem as lesões.
Lucas Moura, por exemplo, sofreu uma ruptura do tendão de Aquiles e não joga mais em 2026. A lesão foi a 11ª do jogador desde seu retorno ao São Paulo e representa uma perda importante não apenas pelo nome, mas pela capacidade de criar alternativas ofensivas.
O meio-campo ganhou reforços
Se as lesões representam o principal ponto negativo, a chegada de novos jogadores é o fator que pode equilibrar a situação.
Depois de resolver o transfer ban, o São Paulo conseguiu utilizar seus reforços. Newton, Domingos Duarte e Iago Borduchi foram titulares na altitude contra o Bolívar, enquanto Aurélio Buta entrou durante a partida.
E Newton pode ser especialmente importante.
O volante atuou mais recuado em La Paz, ajudando a proteger a defesa e oferecendo uma alternativa para a construção desde a primeira linha. Iago Borduchi também teve participação em uma estrutura que permitiu ao São Paulo ocupar melhor o meio-campo.
A estreia não resolveu todos os problemas, mas mostrou que Dorival ganhou novas possibilidades para montar o time.
Segundo o Sofascore, o São Paulo teve apenas 36% da posse de bola contra o Bolívar, trocando 227 passes certos e 46 entradas no terço final do campo. O adversário deu 477 passes, entrando 60 vezes. Ou seja, mesmo sem a bola, o meio-campo conseguiu equilibrar a criação.
O meio-campo pode ser a chave
A Copa do Mundo de 2026 reforçou uma tendência observada nos principais campeonatos: equipes com meio-campo dominante tiveram mais sucesso ao longo da competição. Levantamentos e análises táticas publicados pelo Estádio Total mostram como o controle da posse, a intensidade na pressão e a qualidade da construção de jogadas foram determinantes para os finalistas.
Na final, a Espanha atingiu incríveis 763 passes corretos, com 43% das jogadas no meio-campo. É justamente nesse setor que o São Paulo ganhou alternativas.
Marcos Antônio, Bobadilla e Pablo Maia já acumulam participação importante na temporada, enquanto Newton chega para dividir a carga. Danielzinho também é uma das peças mais utilizadas por Dorival.

No jogo contra o Bolívar, Iago errou apenas 2 passes no campo ofensivo, acumulando 30 ações com a bola e mostrando ser uma nova peça útil para o time.
A possibilidade de alternar esses jogadores sem modificar completamente a estrutura pode ser decisiva nas próximas semanas.
O problema é manter o padrão
O São Paulo, porém, ainda não transmite a segurança de uma equipe que encontrou seu modelo definitivo.
O time alterna entre estruturas próximas do 4-2-3-1, 4-1-4-1 e até um 4-3-3. A variação pode ser positiva quando é planejada para cada adversário, mas também aumenta a dificuldade de rodar o elenco quando o funcionamento coletivo ainda não está consolidado.
Contra o Grêmio, por exemplo, chutou 19 vezes para o gol, criando 4 grandes chances e marcando só uma, com 52% da posse de bola mesmo fora de casa.
Contra o Athletico, perdeu também o jogo com 70% da posse, chutando 18 vezes e criando apenas uma grande chance.
Já no jogo frente ao Flamengo, ficou com 46% da posse e chutou apenas 4 vezes, empatando em 1x1 (resultado útil fora de casa).

Os números mostram a total irregularidade e inconstância do São Paulo. Quanto menos confiança a equipe apresenta, maior tende a ser a dependência dos titulares. E isso é perigoso em uma temporada longa.
Afinal, dá para disputar os dois torneios?
Dá, mas com pouca margem para erros.
O São Paulo tem jogadores suficientes para disputar o Brasileiro e a Sul-Americana, especialmente depois da chegada dos reforços. O meio-campo, que era uma das regiões que mais precisava de alternativas, ganhou novas possibilidades com Newton e Iago Borduchi.
O calendário também não é tão cruel quanto poderia ser, já que a eliminação da Copa do Brasil reduziu o número de partidas e a sequência do Brasileiro terá intervalos maiores depois de Chapecó.
Mas as lesões, a instabilidade da equipe e a pouca experiência de parte do elenco reduzem a margem de segurança.
Por isso, o São Paulo provavelmente não precisará escolher imediatamente entre Brasileiro e Sul-Americana. Precisará, sim, administrar cada jogo com muito cuidado.
A decisão contra o Bolívar pode definir até onde o Tricolor irá na competição continental. Mas, enquanto isso, cada ponto no Brasileiro continuará tendo peso enorme.
O elenco existe. A questão é se ele tem profundidade suficiente para sustentar o São Paulo quando os titulares não puderem estar em campo.