De um salgado à estreia no profissional: a história de Djhordney no São Paulo
Jovem de 18 anos conquistou Hernán Crespo e fez sua primeira partida como profissional diante do Coritiba
A vitória do São Paulo sobre o Coritiba marcou mais do que a manutenção da invencibilidade tricolor na temporada. O jogo ficou registrado como o dia da estreia profissional de Djhordney, jovem meia de 18 anos que subiu ao elenco principal após se destacar na base e cair nas graças do técnico Hernán Crespo. Uma trajetória construída com disciplina, sacrifício e uma história que começa muito longe dos holofotes.
Nascido e criado em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Djhordney cresceu com um combinado simples feito com o pai, José Carlos Rosa Ferreira, o seo Ara. Se treinasse bem, poderia passar na lanchonete próxima à escolinha para comer um salgado e tomar um refrigerante. Entre os 12 e os 14 anos, o garoto virou freguês do local, sempre motivado pela recompensa que vinha após o esforço.
O pai nunca deixou de acompanhar o filho, fosse no futsal do Colégio ABC ou nos treinos de campo da escolinha do Náutico Futebol Clube. Em um desses retornos, os dois sofreram um acidente de moto. Nada grave, mas Djhordney ralou a mão e não chorou. A coragem rendeu um prêmio simbólico: uma chuteira nova, de cano alto, moda na época e um marco afetivo na trajetória do jovem.
A escolinha foi responsável por viabilizar um teste no Novorizontino quando Djhordney tinha apenas 14 anos. Aprovado após uma semana, o garoto iniciou uma nova fase da vida. Enquanto os pais permaneciam no Mato Grosso do Sul, ele passou a viver nos alojamentos dos clubes, amadurecendo cedo e lidando com a distância da família.
Mesmo longe, o apoio nunca faltou. Djhordney sempre recorreu aos pais, Ara e Beth, nos momentos difíceis. Não foram poucas as ligações em que o jovem desabafou triste, encontrando do outro lado a força necessária para continuar perseguindo o sonho de ser jogador profissional.
No Novorizontino, Djhordney permaneceu até os 16 anos, chegando a atuar pelo sub-20 e chamando a atenção do Palmeiras, onde atuou por empréstimo na categoria sub-17 em 2024. Retornou ao clube do interior em 2025, mas logo entrou no radar do São Paulo, que o levou para Cotia e, neste ano, acertou sua compra em definitivo por R$ 1 milhão.
Ao subir para o profissional, o meia teve conversas diretas com Hernán Crespo, que deixou claras as expectativas dentro de campo. A estreia foi vista de forma positiva internamente: Djhordney acertou 15 dos 16 passes que tentou e teve 100% de aproveitamento nos lançamentos. Acabou substituído no intervalo por precaução, já que havia recebido cartão amarelo.
“Djhordney teve que sair pelo cartão amarelo, é complicado em um jogo assim e em sua estreia, não podíamos arriscar nada”, explicou Crespo após a partida.
Inspirado em Sergio Busquets, ídolo declarado, Djhordney inicia agora um novo capítulo da carreira vestindo a camisa do São Paulo. Da infância simples ao Morumbi, o jovem mostra que talento, aliado à disciplina e apoio familiar, pode transformar pequenos sonhos em grandes conquistas.
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