Logo que o sorteio da CONMEBOL Sul-Americana indicou o reencontro entre São Paulo e Tigre, muita gente se animou. Depois de mais de dez anos daquela fatídica final, em que o time do Morumbi se sagrou campeão em um duelo que teve apenas o primeiro tempo, por causa das muitas brigas e na recusa do time argentino em disputar a segunda etapa, os times voltam a se enfrentar nesta quinta-feira (6), às 21h30 (de Brasília), com transmissão exclusiva pela ESPN no Star+.
A reportagem do ESPN.com.br ouviu alguns dos personagens daquele episódio, entre eles Paulo Miranda. O defensor contou a sua versão dos fatos que aconteceram no Morumbi no dia 12 de dezembro de 2012 e disse que sequer participou da briga. O zagueiro acabou expulso pela arbitragem, o que ele considera injusto.
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"Tudo começou no final do primeiro tempo. Acertaram uma pancada no Lucas, que machucou o nariz ou a boca dele. Isso acarretou na confusão na descida para o vestiário. Já estava 2 a 0 e eles não tinham mais nada a perder. Só queriam fazer confusão e tirar nossos jogadores expulsos. Eu já fui direto para o vestiário e confesso que não vi nada. Só ouvi barulhos da turma gritando. Quando eu subi para o campo, o árbitro já tinha me dado o cartão vermelho", iniciou ele.
Por causa da briga, os jogadores do Tigre alegaram violência policial e optaram por não retornar ao segundo tempo. "Foi uma surpresa eles não voltarem. Tinha mais 45 minutos de jogo. A gente tinha certeza que iam voltar, mas quando começou a demorar, a gente já ficou na expectativa de ser campeão. Já estava 2 a 0 o jogo. Penso eu que eles quiseram inventar uma desculpa para não voltar e tentar adiar a partida".
De acordo com Paulo Miranda, os jogadores do São Paulo, por intermédio de Marcelo Cañete, meia argentino que na época atuava pelo Tricolor, já haviam sido avisados que o time argentino abusaria da violência dentro de campo, mas garantiu que eles estavam preparados para enfrentar qualquer tipo de provocação.
"Se tratando de uma final, fora de casa, sempre tem a catimba, mas a gente estava preparado. Xingaram, cuspiram, batiam demais nos nossos jogadores, tudo isso fazia parte do show deles para tentar desestabilizar nossos jogadores. Pelo primeiro jogo, que terminou 0 a 0, a gente sabia que ia ser difícil o jogo no Morumbi. O Cañete era amigo de alguns jogadores do Tigre e conversou com eles. Eles sabiam que na bola eles não conseguiriam jogar no Morumbi, então eles iam para o campo para brigar e tentar desestabilizar o nosso time", contou Paulo Miranda.
"Eles começaram a bater. Bateram no Lucas, no Osvaldo, que eram os mais rápidos do time, mas a gente se fechou no vestiário, sabia que a equipe deles tentaria só bater. Nosso time era muito bem armado. A gente sabia que se fizesse um gol, eles iam apelar. A gente não poderia aceitar os caras vindo de fora e tentando mandar no nosso território. Nossa casa, com torcida, estádio lotado, não poderia ser diferente a não ser a gente ser campeão".
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Apesar das brincadeiras de muita gente, que diz que o São Paulo não poderia ter sido campeão em um jogo que teve apenas o primeiro tempo, o defensor, atualmente no Náutico, eximiu o seu ex-time de qualquer tipo de culpa e que a confusão não tira o brilho da conquista.
"Para mim foi um sonho aquele jogo. Foi o meu primeiro título na carreira. Jogando por um time grande, estádio lotado. Foi muito gratificante. A gente estava muito bem preparado, mentalmente e fisicamente. A gente sabia das dificuldades, mas tinha consciência que poderia ser campeão. Não teve o segundo tempo por causa deles. A gente estava em campo. Eles que desistiram. Eu fiquei muito feliz e aproveitei para comemorar muito".
E mesmo que o jogo tenha acontecido há mais de dez anos, Paulo Miranda acredita que os jogadores do São Paulo não terão vida fácil nesta quinta. "Eu tenho certeza que tanto o jogo na Argentina, como aqui no Morumbi, eles vão querer a revanche e os jogadores precisam estar preparados. Não vai ser nada fácil. Principalmente o de lá, já que eles devem estar magoados até hoje".
Já Ney Franco, que comandava aquela equipe, tem uma outra visão de como tudo começou.
"No início do jogo, dentro do vestiário, fizemos o aquecimento e me parece que, por uma decisão da diretoria do São Paulo, não sei de quem foi, não autorizou a equipe do Tigre a fazer o aquecimento dentro do campo. A gente só ficou sabendo desse detalhe depois do jogo. Inclusive existe uma declaração depois do jogo de que o treinador do São Paulo que criou toda a confusão, mas na realidade a gente nem sabia o que se passava", disse ele, em entrevista ao podcast Continente ESPN.
Segundo o treinador, isso deixou os argentinos inflamados, o que acarretou em toda a briga no intervalo:
"Quando descemos [para o vestiário], percebemos que estava tendo uma confusão. Tem uma porta que liga a sala de aquecimento ao corredor até o vestiário do Tigre, e a porta estava sendo esmurrada. Nessa época, o que a gente sabe é que os armários dos vestiários tinham paus, e os atletas do Tigre usaram esses paus como ferramentas para uma luta corporal. Até o ponto que essa porta se abriu e passou um segurança do São Paulo com o braço quebrado, uma fratura exposta. E ali a gente percebeu que estava tendo uma confusão muito forte".
Segundo o treinador, que depois do São Paulo passou por clubes como Flamengo, Coritiba e Cruzeiro, mas atualmente está sem clube, a se lamentar apenas o fato de que os mais de 60 mil torcedores presentes no Morumbi tiveram que presenciar uma briga, ao invés de ver a bola rolando.
"O Morumbi merecia um final de jogo melhor. Um segundo tempo, que a gente poderia ter feito mais gols, um placar mais elástico e comemorado melhor com nossa torcida. Valeu o título, pena que ficou marcado na história como um jogo de um tempo. Mas não pode tirar do São Paulo o brilho que foi essa campanha da Sul-Americana".
Tigre x São Paulo acontece nesta quinta-feira, às 21h (Brasília), com transmissão pela ESPN no Star+.
