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Considerado um mercado secundário, a Ucrânia é uma espécie de ‘porta de entrada’ para aqueles que sonham em defender grandes equipes do futebol europeu. Por isso mesmo, é grande a quantidade de jovens talentos brasileiros requisitados pelos clubes locais.
No momento, a preocupação maior é com aqueles que jogam em clubes das regiões com tendências separatistas, como são os casos de Donetsk e Lugansk.
Alguns dos brasileiros acabaram de se transferir para o futebol ucraniano. O atacante David Neres, ex-Ajax, da Holanda, teve a contratação anunciada pelo Shakhtar em 11 de janeiro. O lateral Vinícius Tobias, revelado no Internacional, chegou ao clube na semana seguinte, no dia 17 de janeiro. O jogador, que completou 18 anos nesta quarta (23), postou uma mensagem em suas redes sociais nesta manhã pedindo orações pela Ucrânia.
Ao todo, 41 jogadores nascidos no Brasil atuam no futebol ucraniano, 31 deles na primeira divisão.
"Nós estamos bem. Hoje, cancelaram os treinamentos, mas ainda não sabemos o que fazer e não temos o que fazer. Eu fui ao supermercado hoje cedo, para ter coisas em casa, e está muito cheio. Muito movimento de carro, muito trânsito. Agora deu uma parada, mas pela manhã tínhamos muitos carros na rua", diz Talles Brener de Paula, do Rukh Vynnyky, à BBC News Brasil.
A família de Cristian Daniel Dal Bello Fagundes, de 22 anos, natural de Passo Fundo, no Norte do RS, também faz apelos. O atleta define a situação do país como 'desespero total', em mensagem enviada ao g1 na manhã desta quinta-feira (24).
A irmã de Cristian, Ana Paula Dal Bello Fagundes diz que o irmão relatou que "só pessoas que têm carro estão saindo [do país]". Contratado pelo Zorya, de Luhansk, ele se mudou para o país há cerca de quatro meses, segundo seus familiares.
Enquanto as forças militares russas avançam sobre o território ucraniano, a família de Cristian, no interior de Passo Fundo, Norte do RS, vive a angústia de não saber o que fazer.
Vitória Magalhães, esposa do também jogador Juninho Reis, relata que a situação é de pânico e que as fronteiras e espaço aéreo estão fechados. "A informação que a gente tem é que a gente fique tranquilos, e não tem como ficar tranquilo em uma situação dessa", diz Vitória.
Em entrevista exclusiva ao IG Esportes , o empresário Will Dantas, que representa o ex-Corinthians Pedrinho - que está entre os atletas "presos" naquele país -, descreveu a situação.
"Estou numa apreensão danada. Estou falando com o Pedrinho a cada minuto para tentar tranquilizar. Nenhum jogador está falando com a imprensa, já que há uma recomendação para que eles não deem nenhuma declaração. A minha preocupação e a dos jogadores é que eles estão em um hotel que não tem abrigo antiaéreo", revela.
Wlill aponta que os clubes é que indicaram o local aos brasileiros. "O clube mandou todos para o mesmo hotel, junto com as famílias. O Pedrinho falou que eles estão nos quartos, com medo, porque já estão ouvindo barulho de bomba", aponta.
Will revelou ainda que segue falando com Pedrinho enquanto é possível. "Tô falando com ele a cada minuto, enquanto não cai a internet, que eles devem cortar. O espaço aéreo está fechado, as fronteiras fechadas. Não tem gasolina na cidade. O trânsito está caótico, as pessoas invadindo supermercado. Tá f***. Não está fácil", relatou.
Além dos familiares e empresários, clubes do Brasil também mostraram apoio a situação. Atlético-MG, Bragantino, Corinthians, Juventude, Operário-PR, Santos e Vasco usaram as redes sociais para pedir paz no conflito. Cada qual à sua maneira, os clubes pediram um 'cessar-fogo' da Rússia na região, e auxílio ao grupo de atletas brasileiros que atuam na região e pedem ajuda para deixar o país após a declaração de guerra.
O Atlético-MG se solidarizou com o povo ucraniano, e disse estar em oração para que a paz seja restabelecida na região.
"Futebol não combina com guerra! Estamos na torcida para que os brasileiros residentes naquele país, entre os quais vários atletas, fiquem em segurança", escreveu.
O mesmo fez o Juventude, que pediu paz na região. "Nossa solidariedade a todos os cidadãos que se encontram nas áreas de conflito no Leste da Europa. Estamos em orações e torcendo pela PAZ".
Já o Corinthians compartilhou o vídeo em que jogadores brasileiros que atuam no Shakhtar Donetsk e no Dynamo de Kiev pedem ajuda ao governo brasileiro para sair da Ucrânia.
"Estamos orando por vocês. Compartilhamos esse vídeo para que providências urgentes sejam tomadas e que a paz se estabeleça o mais rápido possível na região", publicou.
Na mesma linha do Corinthians, Bragantino e Santos compartilhou o pedido de ajuda dos brasileiros.
"Que possam retornar em segurança ao nosso País", desejou o Massa Bruta. "ajudando na divulgação desta importante mensagem para que medidas sejam tomadas. O Santos FC deseja força para todas as famílias que estão passando por essa situação!", escreveu o Peixe.
Assim também fez o Vasco, que publicou: "Estamos ajudando na divulgação do vídeo para que medidas sejam tomadas e, que vocês possam retornar ao Brasil em segurança."
Já o São Paulo enviou um ofício ao Itamaraty, direcionado ao ministro das relações exteriores, Carlos França, pedindo ajuda aos jogadores brasileiros. No documento tem a assinatura do presidente Julio Casares, que vem compartilhando publicações nas redes sociais pedindo alguma atitude do governo em relação ao jogadores brasileiros que estão no país europeu.
"O São Paulo Futebol Clube não pode se omitir nesse momento, razão pela qual se dirige, respeitosamente, a Vossa Excelência, para solicitar que o Ministério da Relações Exteriores adote todas as providências possíveis para resgatar esses brasileiros da zona do conflito instalado e trazê-los em segurança de volta à pátria mãe, até que os lamentáveis acontecimentos em tela se resolvam definitivamente", diz o documento.
"Evidentemente que o resgate que se mostra imperioso não deve se limitar aos brasileiros ligados ao esporte, mas a todos irmãos que se encontram em situação assemelhada a essas famílias que estão conectadas com nossa instituição. Certos da existência de movimentação deste Ministério convergente ao pleito ora deduzido, o São Paulo Futebol Clube se coloca à disposição para colaborar com ações humanitárias que venham ser coordenadas para amparar as famílias que venham ser resgatadas", completa o clube.
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