Por: Igor Souza
O imediatismo da gestão Leco é algo a ser discutido. As 10 trocas de treinadores, inúmeras confusões de funcionários que pedem as contas e falam mal do atual presidente, nenhum título na 'Era' que se iniciou em 2015, contratações sem o aval dos treinadores, mais de R$ 200 milhões gastos nas compras de jogadores e em 2019 o primeiro ano que não existiu o famigerado 'desmanche do elenco'.
Relembre 10 erros e situações constrangedoras do presidente Leco:
Saída de Carlinhos Neves
O ex-funcionário deixou bem claro que não poderia trabalhar da forma como gostaria e estava sendo induzido a agir de uma forma diferente dos seus pensamentos. O que fica como questionamento é que são esses pontos de vistas que fizeram Carlinhos Neves ser levado até para seleção brasileira e tornar-se o preparador físico principal, mas não eram cabíveis para o São Paulo Futebol Clube?
Carlinhos Neves não deixou o seu cargo sem antes falar o que parecia estar engasgado:
“As ideias estavam diferentes da forma como queria desenvolver, dos meus métodos. Eu tinha uma visão, de um caminho, e o clube tinha outro. Agora vai ter tempo nessa parada para quem sabe, com outras ideias, caminhar melhor”, afirmou Carlinhos Neves em entrevista ao Globoesporte.com.
Saída de Michael Beale
O ex-auxiliar na comissão técnica dirigida pelo ídolo Rogério Ceni, Michael Beale havia escrito toda sua trajetória futebolística no Liverpool e, assim como Carlinhos Neves, saiu pela porta dos fundos no clube. Todavia, antes de sua demissão, o inglês foi incisivo ao falar sobre os comandantes do clube e suas ideias, Michael Beale afirmou que o Presidente Leco não gostava dele:
"Senti que o presidente não me queria no São Paulo de jeito nenhum. Ouvi que ele não gostava de mim pessoalmente. Não tinha nada contra ele, mas talvez eu estivesse tentando impedir a saída de alguns jogadores e ele achasse que não deveria fazer aquilo. Pelo respeito que tenho pelo Rogério, foi melhor sair. Se eu tivesse ficado mais cinco dias, eu teria recebido muito dinheiro do São Paulo por ser demitido, assim como Rogério e Charles (Hembert, auxiliar francês) foram depois".
Hoje, Michael Beale, que não serviu ao São Paulo, é o auxiliar do ídolo do Liverpool e hoje treinador dos Rangers Steven Gerrard, que por sinal já jogou contra Rogério Ceni na vitória e título mundial do São Paulo em 2005.
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Processo judicial de Milton Cruz contra o São Paulo
Milton Cruz foi auxiliar no São Paulo entre 1999 e 2016. Após demissão em 2016, Milton tornou-se treinador e comandou três times, foram eles: Náutico, Figueirense e Sport, mas atualmente o técnico está sem clube.
Demitido pelo presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, Milton Cruz processou judicialmente o São Paulo Futebol Clube e pedia diversas coisas como: horas extras excedentes nos dias de semana e nos domingos em que trabalhou, equiparação salarial aos treinadores que substituiu quando atuou como técnico interino, cálculos de bichos e ganhos mensais pela CLT e não como direito de imagem.
Mesmo com 17 anos de clube, Milton não teve uma saída digna conforme os seus trabalhos exercidos durante quase 2 décadas. Em 2016, em um programa da ESPN, Milton Cruz afirmou que ficou muito frustrado com o clube e foi tratado como se tivesse apenas 2 anos de clube.
Intriga com Rogério Ceni, ex-treinador e ídolo do clube como jogador
Leco conseguiu tirar Muricy, Milton Cruz e por último o maior ídolo da história do clube, Rogério Ceni. Dispensável pelo São Paulo, Rogério Ceni tornou-se ídolo no Fortaleza, também. Questionado se aceitaria um suposto convite para voltar a treinar o Tricolor do Morumbi, o ídolo foi categórico em sua resposta:
- Quem sabe um dia, depois de 2020, a gente volta a trabalhar no São Paulo. Esse não é o momento de voltar. É o momento de continuar uma nova carreira. Eu, se fosse o presidente, não me procuraria. E eu também não aceitaria um convite vindo dele - afirmou Ceni em entrevista ao canal Fox Sports.
Mas acredito que nada mudará a história linda que Rogério Ceni escreveu. O menor culpado pelos resultados ruins do São Paulo naquela época foi o treinador, evidentemente vítima de outro péssimo planejamento anual, vendas, chegadas e conturbações.
Luiz Antônio da Cunha, ex-diretor de futebol
Em sua conturbada saída, mais uma no comandado do Presidente Leco, Luiz alegou razões particulares para a saída, mas divergências nas prioridades do departamento de futebol foram a principal razão da saída. Cunha queria usar todo o dinheiro possível para priorizar a permanência de Maicon, emprestado pelo Porto até 30 de junho, e pediu ao diretor-executivo Gustavo Vieira de Oliveira para brecar outras contratações, como o investimento em Christian Cueva, por R$ 8,8 milhões parcelados em três anos. Mas acabou sendo voto vencido. O processo foi conduzido por Gustavo, responsável por todo planejamento estratégico do clube, e com aval de Leco.
Pedido de demissão do coordenador Vagner Mancini
Anunciado no São Paulo em janeiro de 2019, Vagner Mancini não só cumpriu a sua função de coordenador como até 'apagou o fogo' em determinado momento na temporada, mais necessariamente na disputa do Campeonato Paulista, onde o ex-funcionário foi até treinador-interino do clube. 14 de fevereiro, com a demissão de André Jardine, foi confirmado como técnico interino do São Paulo, enquanto Cuca se recupera de um problema de saúde.
O pedido de demissão de Mancini ocorreu logo após o anúncio de Fernando Diniz. O ex-coordenador ficou apenas 9 meses no comando do São Paulo e não chegou a completar se quer 1 ano nesta função. O que acontece com o São Paulo e todos esses pedidos de demissões?
Pedido de demissão do treinador Cuca
2004, montagem de time campeão. 2019, pedido de demissão. O fator Leco fez Cuca falhar? Agosto de 2004... Cuca deixava o São Paulo após desgastar-se com a cúpula do Tricolor naquela época. Semifinalista da Libertadores, o ex-treinador foi o principal responsável por trazer Grafite, Danilo e Fabão e teve papel fundamental na montagem do time que seria campeão da Libertadores, Paulistão e Mundial em 2005. No entanto, em sua segunda passagem, o planejamento e as contratações não deram certo e Cuca se tornou o 19º técnico do Mais Querido desde 2009.
No Altético-MG e no Palmeiras, o treinador também esteve na montagem dos elencos que foram campões. A chegada de Ronaldinho, Jô e Victor no clube de Minas aconteceu com Cuca no comando e em 2013 o treinador conquistou a Libertadores. Já no Palmeiras, o seu planejamento, ao lado de Alexandre Mattos, rendeu ao clube o título Brasileiro de 2016. O que aconteceu dessa vez dentro do São Paulo para suas contratações 'não deram liga'?
As 10 trocas de treinadores na gestão Leco
Fernando Diniz, técnico recém-anunciado pelo São Paulo Futebol Clube, é a 10ª troca entre treinadores da gestão Leco. Relembre todas as chegadas e saídas:
Doriva por Milton Cruz; Milton Cruz por Edgardo Bauza; Edgardo Bauza por Ricardo Gomes; Ricardo Gomes por Rogério Ceni; Rogério Ceni por Dorival Júnior; Dorival Júnior por Diego Aguirre; Diego Aguirre por André Jardine; André Jardine por Vagner Mancini; Vagner Mancini por Cuca e Cuca por Fernando Diniz.
Nenhum dos treinadores citados conseguiram conquistar títulos. O imediatismo e a falta de sequência
de trabalho culminaram em apenas uma participação em final para disputa de título, como podemos lembrar no Campeonato Paulista deste ano, contra o arquirrival Corinthians. A gestão Leco peca na falta de oportunidades longevas aos treinadores e títulos não caem do céu.
Saída do ex-coordenador Vinicius Pinotti
Em mensagem enviada ao grupo de whatsapp do São Paulo, Vinicius justificou a saída por ter divergências com o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Um encontro do dirigente com Marcelo Djian, diretor do Cruzeiro, foi a gota d'água para a saída.
Veja a mensagem enviada por Vinicius Pinotti ao grupo do São Paulo:
Hoje chegou ao fim mais um capítulo da minha história. Estou saindo do comando do nosso futebol. Pedi demissão por divergências com o presidente e por discordar dos rumos que o clube está tomando. Larguei minha vida pessoal e profissional para me dedicar a esse projeto e cheguei à conclusão que não estava valendo mais a pena.
Saio tranquilo, de cabeça erguida e com a sensação de dever cumprido. Gostaria de agradecer o apoio de cada um aqui nessa minha passagem pelo São Paulo. Jamais esquecerei. Muito obrigado de coração. Tenho certeza que nos encontraremos em breve. Fiquem com Deus.
NENHUM TÍTULO
Em meio a todos os problemas gritantes da gestão, os erros permanecendo e os títulos não aparecem. Trocas de coordenadores, trocas de técnicos, pedidos de demissões, divergências financeiras, mais de R$ 200 milhões gastos em contratações. O São Paulo chegou apenas uma vez na final desde 2015, enquanto a 'Era Leco' existe dentro do clube. Na sua opinião, por qual motivo o Tricolor ainda não conseguiu erguer uma taça nesta gestão? Deixe sua opinião nos comentários...
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