Por: Igor Souza
Após o pedido de demissão do treinador Cuca, o São Paulo anunciou o seu 14º treinador na gestão Leco - sim, 14º treinador. O desespero da gestão em trazer resultados e/ou títulos acaba tornando impossível a sequência de trabalho, mas devemos considerar, infelizmente, como algo típico da cultura do futebol brasileiro. No entanto, o que vai mudar no estilo de jogo com a saída de Cuca e a chegada do treinador Fernando Diniz? Mobilidade.
Ao sair do Tricolor, Cuca foi contundente e verdadeiro em dizer que 'não sente prazer em ver o time criando jogadas e gosta de posicionar os seus jogadores para atuarem de forma reativa'. Os números comprovam este dado, o São Paulo é apenas o 9º time que mais troca passes no Brasileirão; nas 21 primeiras rodadas foram 8.125 passes trocados, enquanto os líderes neste quesito (Grêmio e Fluminense) chegaram a mais de 10.000 passes no torneio.
O São Paulo, comandando pelo técnico Cuca, também é o 9º time em finalizações no Brasileirão; são 261 chutes nos 21 jogos até aqui. Os números são ainda mais explícitos quando víamos o time dentro de campo. A dificuldade de criação e pouca mobilidade era algo notório dentro do São Paulo e isso vai mudar no comando do técnico Fernando Diniz.
Falando em Diniz, o treinador chega ao Tricolor e terá nas suas mãos o melhor elenco que já treinou em toda sua carreira - no papel, obviamente. Jogadores como Tchê-Tchê e Daniel Alves conhecem a fundo a filosofia do famigerado 'tiki-taka'. Diniz nunca escondeu o valor e identificação que sente pelo futebol adotado por Pep Guardiola no Barcelona, Bayern e agora no City - não estou afirmando que o time vai jogar igual a 3 das 10 maiores potenciais mundiais, calma.
No entanto, no sentido de posse de bola, criação e finalização teremos grandes diferenças. O seu ex-time, Fluminense, no qual Diniz comandou até a 15ª rodada, é o líder de passes no Brasileirão e o vice-líder de finalizações. Terá mais criação, mas ao mesmo tempo, em todos os trabalhos anteriores sobrou desequilíbrio entre ataque e defesa. Os times de Diniz criam muito, mas sofrem muitos gols pela marcação pressão, o maior desafio será esse. Ajustar e encontrar o equilíbrio ideal.
O imediatismo entre a diretoria e os torcedores é evidente, e Fernando Diniz chega num momento completamente conturbado internamente. Para conseguir implantar a sua filosofia, o novo treinador tem que lembrar da busca incessante por resultados, lembrar também que na gestão do atual presidente, Leco, as coisas são para ontem e, que acima de tudo, o time precisa de mais alma dentro de campo.
Saudações Tricolores
Igor Souza
São Paulo, Tricolor, Cuca, Diniz