As finanças do São Paulo passam por um momento delicado. Nos últimos meses, o clube passou a atrasar salários e precisou pedir um empréstimo para arcar com dívidas. Por outro lado, anunciou a abertura de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para captar dinheiro.
Para tentar explicar e opinar sobre as finanças do São Paulo, o Torcedores buscou um especialista no assunto. Trata-se de Marco Camhaji, CEO da Adianta, fintech especialista em adiantamento de recebíveis. O CEO é o Chief Executivo Officer, algo como o diretor-geral de uma empresa. Já uma fintech é uma startup que lida no mercado financeiro. Uma startup, por sua vez, é uma empresa que, uma vez inaugurada, lide com tecnologia.
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Antes de inaugurar a Adianta, Marco Camhaji foi sócio-operacional da Redpoint Eventures e CFO (Chief Financial Officer, ou diretor financeiro) da Movile. Também tem passagens por Apontador, NetMovies, PricewaterhouseCoopers, KPMG, Kyocera Wireless e General Electric. Ele, portanto, entende de assuntos correlatos a balancetes e orçamentos.
Camhaji crê que, apesar do momento complicado das finanças do São Paulo, o clube tem boas chances de se recuperar. “As formas de financiamento (empréstimo) no mercado que empresas privadas e clubes buscam estão diretamente relacionadas à capacidade de pagamento das dívidas e o grau de alavancagem (empréstimos tomados) da empresa/clube”, destaca.
FIDC
O profissional também vê com bons olhos a opção do SPFC por um FIDC. “O fundo a ser montado certamente serve para antecipação de patrocínios, mensalidade de sócios e venda de jogadores. Como o mercado privado está muito líquido (ou seja, o custo de captação de dívida está mais barato), acessar um FIDC pode ser uma alternativa interessante e mais barata para empresas e clubes”, afirma.
Um FIDC, basicamente, é um grupo de investidores que injetam dinheiro em um fundo que tem uma finalidade. No caso, potencializar as finanças do São Paulo, enfim. Pelo menos metade dos investimentos da modalidade tem que ser em direitos creditórios. Valores a receber em cheques, aluguéis, duplicatas ou parcelas de cartão de crédito são alguns dos exemplos desses valores.
Alerta sobre as finanças do São Paulo
Camhaji, porém, faz um alerta. Com o SPFC buscando empréstimos e atrasando montantes para seus atletas, há um risco na opção pelo fundo para captar dinheiro. “A reputação é extremamente relevante para a constituição de um FIDC, afinal. Se houver dúvidas sobre a capacidade financeira da instituição, o custo de capital da operação pode ficar muito alto ou não atrair investidores interessados. Caso uma instituição esteja muito alavancada através de empréstimos, a dificuldade de captação aumenta”, finaliza.
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