“Na época, elogiei demais [a vinda de ex-jogadores para a diretoria do São Paulo], porque são jogadores que conhecem futebol, são do clube, têm história no clube. Elogiei demais. Para mim, foi a melhor coisa que fizeram. Mas, vai me desculpar, no final não ouviram o Ricardo Rocha, nem o Lugano. O Raí ficou meio que sozinho e, na minha opinião, fez igual aos outros. Estamos com problema? Manda embora. O que aconteceu nos últimos cinco jogos? Nada”, comentou Muricy, se referindo à reta final da temporada passada.
Promovido para ser auxiliar técnico do time profissional após o vice-campeonato da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2018, André Jardine recebeu a grande oportunidade da sua vida ao substituir Diego Aguirre, entretanto, não chegou a completar três meses à frente do Tricolor por conta do futebol ruim demonstrado em campo e a eliminação precoce na Pré-Libertadores para o Talleres. Ao todo, foram 19 jogos, com sete vitórias, dois empates e outras nove derrotas. O coordenador de futebol Ricardo Rocha, por sua vez, deixou o clube no fim do ano passado por questões pessoais.
Muricy Ramalho, que garantiu recentemente que em nenhum momento foi procurado para retornar ao clube em um cargo diretivo – poderia até mesmo substituir Ricardo Rocha na coordenação de futebol -, também foi bastante rigoroso em relação às contratações de Raí e companhia para a atual temporada. A falta de um estilo de jogo bem definido foi outra questão levantada pelo ídolo são-paulino.
“Às vezes, no desespero, na pressão, se contrata jogadores que não são para aquele lugar. E é caro, não é barato. Eles teriam que se reunir e fixar uma maneira de jogar, um pensamento, uma filosofia e pôr em prática isso, errar menos, dar chance para o treinador. Está certo que o Jardine não tinha experiência para dirigir um time desse tamanho. Não é problema de conhecimento, todos nós conhecemos um pouquinho de futebol, mas aquilo ali é um gigante, ali você tem que falar não para muita gente”, completou o ex-treinador tricampeão brasileiro com o São Paulo.
Fato é que após marcar uma era como treinador do São Paulo, garantindo o tricampeonato brasileiro e chegando a levar o time para a final da Libertadores de 2006, Muricy Ramalho viu o clube ser vítima do próprio sucesso. Sob a gestão do falecido presidente Juvenal Juvêncio, o Tricolor se acomodou. Aos poucos, vem se apequenando. A ameaça de ficar de fora da fase final do Campeonato Paulista e o grande prejuízo com a eliminação inesperada na Pré-Libertadores só confirmam a necessidade de uma reformulação geral pelos lados do Morumbi.
“O São Paulo ganhou tanto que achou que estava tudo certo. Acho que era o único time, porque sempre se falava que o São Paulo era o melhor, e era o melhor mesmo em termos de CT, tecnologia. Tudo que era melhor o São Paulo tinha. Eu acho que o São Paulo parou no tempo. Parou e os outros times vieram atropelando. Aí, quando você quer, já era. Tem que ter pensamentos novos, tem que mudar. Você tem que reconhecer. O problema do São Paulo é que tem que reconhecer que está mal, e eles não veem isso porque se apegam a negócio de mandar técnico embora”, concluiu.
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